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A mostrar mensagens de abril, 2021

Opinião | “A célula adormecida” (Afonso Catalão # 1) de Nuno Nepomuceno

É-me um bocado difícil escrever a opinião a este livro. Gostei menos do que aquilo que estava à espera. O ter arrastado a minha leitura ao longo de muitos dias também não abonou a minha relação com a história e com o livro. O livro é muito conhecido na comunidade. Focado no Estado Islâmico, no terrorismo, na crise dos refugiados e com foco na cultura muçulmana; “A célula adormecida” apresenta um conjunto de factos relacionados com estes temas que despertaram o meu interesse e me possibilitam aprender conteúdo. É um livro muito factual. A história vive dos factos e daquilo que eles vão desencadeando. É claro que existem personagens, e entre eles estão desenhadas relações mais ou menos complexas que dominam o desenvolvimento da narrativa. Achei estas relações pouco dinâmicas e pouco realistas. Senti que algumas foram pautadas pela artificialidade dos diálogos, outras por comportamentos das personagens que me pareceram distantes da real personalidade que autor queria passar. Há certas pas...

Vale a pena ler # 2 | "O ano da dançarina" de Carla M. Soares

Inicei esta rúbrica e nunca mais lhe peguei. Hoje decidi fazer uma pausa nas inquietações e fazer uma sugestão rápida de leitura. Qual o livro que eu acho que vale a pena ler... Conhecias o livro? Ficaste com vontade de ler?

52 perguntas | 17 # Escreve sobre o amor

(imagem retirada daqui ) Ele estava ali para se despedir. A dor de amar e de não a ter conseguido salvar, carregá-la-ia para todo o sempre. A psicóloga do INEM acompanhava-o. — Quer que entre consigo? Ele olhou para a psicóloga. Um sorriso triste acompanhou as palavras que lhe saíram da boca: — Obrigada! Acho que é algo que tenho de fazer sozinho. A psicóloga assentiu, apertou-lhe o ombro em jeito de incentivo e disse-lhe: — Claro! Espero aqui à porta. Ele entrou na capela mortuária. Ainda cambaleava um pouco. A perna estava dorida, o braço ao peito e no corpo restavam as marcas negras da manhã de domingo. Parou ao lado do caixão, arrastou uma cadeira e sentou-se de frente para o rosto sereno dela. As lágrimas surgiram, como se elas pudessem limpar a dor das últimas horas. Deu início ao seu monólogo entrecortado pelos soluços da dor que o atingiam. — Desculpa! Desculpa!... Tu não querias ir o rio. Acabei por insistir e olha no que deu. Já tínhamos feito aquele percurso tantas vezes… Le...

Palavras memoráveis

Dia mundial do livro e dos direitos de autor

Os livros oferecem-nos histórias e marcam a nossa própria história. Marcam épocas de uma vida e associam-se a lembranças que fazem de mim a pessoas que sou hoje. A Anita talvez tenha sido a minha primeira amiga (coleção dos Livros da Anita). Cansei-lhe as páginas de tantos que as folhei. As capas estão gastas, mas guardam boas memórias de infância. A escola possibilitou outros olhares. Todos os meses recebia a “carrinha mágica”, carregada de história para descobrir. Continuei fiel à Anita, mas permiti-me conhecer outros universos infantis. Tive uma amizade breve com o Babar e uma amizade longa com o Chico, o Pedro, a Teresa, a Luísa e o João (coleção “Uma aventura”). Sai da aldeia e a carrinha acabou. Os meus pais não me davam grande acesso aos livros. O que valeu nessas alturas foram mesmo as leituras obrigatórias. Ainda hoje queria ser como a Oriana e a Rainha das Fadas e ter asas para voar por cima dos problemas (“A Fada Oriana”), ser amiga da Menina do Mar (“A Menina do Mar”) e viv...

Inquietações # 5.1 | O papel do(a) leitor(a) na divulgação de livros de má qualidade: As respostas!

Na semana passada, publiquei este post no Instragram e lancei algumas questões nos stories. Hoje é dia de divulgar as respostas e a minha análise das mesmas. Quando leio presto atenção à escrita, à congruência da narrativa e à pontuação? Estas respostas mostram que grande parte dos participantes, enquanto leitores, olham para os livros com uma perspetiva global. Não gostam de ler só por ler. Gostam de olhar para a escrita, para a congruência nos acontecimentos e prestam atenção à pontuação. Atualmente, tenho dificuldade em desligar-me destes aspetos. Porém, há alguns anos olharia apenas para a história e para o prazer que aquela leitura me ofereceu. Acho que ambos os tipos de pessoas podem coexistir. Se por um lado temos aqueles que leem com uma atenção mais pormenorizada, por outro temos pessoas que se focam na sua experiência de leitura. No fundo, o importante é: quando o(a) leitor opta por partilhar uma opinião deve dizer deixar transparecer os elementos que ele considerou para a es...

52 perguntas | 16 # Crush

Esta palavra faz-me pensar em todos os personagens literários por quem me "apaixonei". Há personagens nos livros que gostaria muito de conhecer e com quem, facilmente, poderia iniciar um romance. Deixo aqui o meu top 5 de Crushs literárias. Gabriel (Série Rizzolli & Isles de Tess Gerritsen) – É um homem inteligente, sensível que nunca teve medo de mostrar o seu amor pela Jane. Roarke (Série Mortal de J. D. Robb) – É um homem com uma personalidade muito forte que parece cativar imenso as pessoas. Adrian (“O primeiro dia” e “A primeira noite” de Marc Levy) – A sua intelectualidade e a forma amorosa como se apaixonou por Keira e demonstrou o seu amor são uma inspiração bonita. Ian (“Deixa-me odiar-te” de Anna Premoli) – Este homem conjuga boa disposição, inteligência e um sentido de humor fenomenal. Acho que me iria divertir muito na companhia dele. Michael (“A bela e o vilão” de Julia Quinn) – Termino com um homem que parece ter uma personalidade que mais se iria adequar à ...

Palavras memoráveis

Opinião | “Encontro em Itália” de Liliana Lavado

Esta leitura não foi completamente às cegas. Há dez anos fiz leitura-beta do livro que deu origem a este “Encontro em Itália”, por isso já conhecia os traços gerais da história (a memória já não guardava os pormenores deste livro, final incluído). A capa e o título podem enganar um pouco o leitor e afastar quem tem um gosto por fantasia. Ao primeiro olhar parece um romance um pouco ao estilo dos young-adult , mas é bem mais do que uma história romântica. Sim, há espaço para o romance! Porém, este romance está contextualizado num universo marcado pela fantasia e pelos anjos caídos. Fantasia não é aquele género capaz de me fazer vibrar. Há algumas exceções! Este é um deles. Apesar de todos os elementos que lhe conferem fantasia, tal como da primeira vez, eu consegui gostar da história e das suas personagens. O livro narra a história de dois amigos, Sara e Henrique, que partilharam a infância e grande parte da sua adolescência. Aos 18 anos acabam por seguir caminhos distintos e perderam u...

Inquietações # 5 | O papel do(a) leitor(a) na divulgação de livros de má qualidade

O interesse pelos(as) escritores(as) portugueses(as) tem aumentado. É bom ver os(as) leitores(as) a ler obras nacionais, a interessar-se pelos nossos(as) escritores(as) e apostar na sua divulgação. Porém, o que me inquieta é, por vezes, a ausência de critério nestas divulgações. Por vezes, tenho a sensação de que são todos bons livros, com excelentes histórias e que merecem ser lidos. O problema surge depois, quando afinal a obra não corresponde à expetativa que estas opiniões positivas criaram em mim. Este comportamento de apoio incondicional e de leitura sem espírito crítico pode ser perigoso. Podes argumentar e dizer-me que a leitura é um processo subjetivo. E eu concordo com isso! Mas há elementos que ultrapassam os limites da subjetividade. Para mim, a subjetividade aplica-se à minha relação com o conteúdo da narrativa. Eu posso gostar mais ou menos dos acontecimentos do livro, comparativamente a outro leitor. Contudo, a escrita, a existência de incongruências e os erros ultrapass...

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]

A pandemia não tem facilitado os empréstimos que mantenho com a Daniela. Lá nos vamos aguentado e partilhando da melhor forma que conseguimos. Chegou a minha vez de receber um livrinho surpresa. Desta vez foi uma grande surpresa! Não estava nada à espera deste livro! A Daniela optou por me enviar o livro “Chama-me pelo teu nome” de André Aciman. A verdade é que estou um pouco apreensiva com esta leitura. Sei que não foi um livro que tenha cativado a Daniela e tenho receio de não me encaixar com a história. Veremos como corre! Não se esqueçam de passar no blog Quando se abre um livro para conhecerem os motivos por detrás deste envio.

52 perguntas | 15 # Primeiro amor

Era o final do 2º período. As férias da Páscoa estavam ali quase, quase a começar. Ela sentia-se triste. Como é que iria aguentar duas semanas sem o ver? Ia ser difícil. A última aula do dia foi matemática. A professora decidiu facilitar-lhes a vida. Naquele dia seria para ver um filme. A escolha da professora foi “Notting Hill”. Ela estava apreensiva. Ver um filme romântico ao lado da pessoa que lhe causava palpitações parecia uma tarefa hercúlea. O filme começou. Tiveram direito a algumas gargalhadas, a alguns momentos embaraçosos e a momentos que fizeram as raparigas da sala suspirar. Ela não suspirou! Enquanto na tela William se declarava a Anne e Elvis Costello enchia a sala com a música, ele apertou a mão dela. E ela ficou com a respiração presa, sem tempo para suspirar com aquilo que acontecia na tela. Nas férias, ouviu a música até à exaustão. Ouviu-a quantas vezes a sua alma adolescente achou necessárias. E em cada uma dessas vezes, ele voltava a apertar a mão e dela. E, desta...

Palavras memoráveis

Opinião | “A rainha desejada” (As encantadas #1) de Telma Monteiro Fernandes

Para mim é sempre complicado quando tenho que partilhar uma opinião menos favorável relativamente a um livro. É ainda mais difícil quando: 1) o livro é de um escritor português e 2) o livro foi-me disponibilizado pelo(a) escritor(a). A escrita está associada a sonhos pessoais. Uma opinião menos positiva significa quebrar e estilhaçar o ego de quem ousou lutar pelos seus sonhos. Apesar disto, sinto que tenho de ser sincera. Partilhar uma falsa opinião não irá contribuir para a evolução de quem ousou seguir o seu sonho. Por esta introdução já conseguem antever a minha experiência com este livro. Há umas semanas fui contactada pela Telma, a autora deste livro, com um convite para ler a sua obra. Tenho sido mais seletiva com estes pedidos, mas decidi arriscar (só correndo riscos tenho oportunidade de descobrir). Ela enviou-me o e-book e eu comecei a ler. Depois de ler meia dúzia de páginas, já estava completamente desmotivada para a leitura. “A rainha desejada” tem Ana como protagonista. A...

Inquietações # 4 | Qual o nosso papel na promoção da leitura?

No início deste ano ganhei uma nova estagiária. Uma rapariga bastante diferente da minha personagem nerd. Os livros são sempre um bom tema de conversa. Acabei por contagia-la com o meu entusiasmo. Só que ela dizia-me que achava que não queria começar por ficção. Apresentei-lhe o Goodreads e o site da Wook e incentivei-a procurar algo que lhe despertasse o interesse. Em dois meses comprou já leu três livros. Não foram todos leituras satisfatórias, mas permitiu-lhe uma exploração deste universo. E será esta tentativa e erro que a fará crescer como leitora e a desenvolver os seus gostos. Esta situação fez-me pensar no nosso papel enquanto promotores de leitura. Acho que mais do que impor livros, devemos promover a exploração e a escolha autónoma. É certo, uma situação não invalida a outra. Porém, até que ponto só lês os livros sugeridos por outras pessoas? Permites-te a explorar novos autores ou novos livros? Arriscas a ler um livro menos publicitado? Eu gosto de arriscar. Nem sempre corr...

Março | Quem chegou?

Março passou demasiado depressa. Foi um bom mês de leituras e um bom mês de livros que chegaram aqui a casa. Comecei o mês a receber um presente . A minha mais recente estagiária (uma pessoa que estou a conhecer e que estou a gostar muito) ofereceu-me o livro “Acredita” de Júlia Domingues. Vinha acompanhado de uma bonita carta que me deixou a chorar. Obrigada A. Matei as minhas saudades da biblioteca e vim de lá com mais três livros: “Para lá do inverno” de Isabel Allende; “Se esta rua falasse” de James Baldwin; e, “A célula adormecida” de Nuno Nepomuceno. O mês ainda me permitiu fazer uma troca . Assim, deixei que o meu livro “O teu rosto será o último” de João Ricardo Pedro fosse trocado pelo “Susana em lágrimas” de Alona Kimhi.

52 perguntas | 14 # Oito factos sobre mim

🌻 Meço 1.54; 🌻 Já comprei sapatilhas na secção de criança; 🌻 Não sei nadar; 🌻 Em 2019 andei de avião pela primeira vez; 🌻 Coro com facilidade; 🌻 Não consumo e não gosto de nenhum tipo de bebida alcoólica; 🌻 Sou psicóloga e trabalho na área da investigação; 🌻 Nunca fumei (nem experimentei). 

Palavras memoráveis

Opinião | "Ninguém me conhece como tu" de Anna McPartlin

Comecei a leitura de "Ninguém me conhece como tu" sem grandes expetativas. Não tinha lido opiniões sobre o livro, mas, irracionalmente, achei que me iria aborrecer com a história.  Talvez as baixas expetativas tenham permitido uma relação positiva com a história. O que é certo é que o livro mexeu comigo e deixou-me a pensar na vida, nas escolhas feitas, nas relações construídas e terminadas, no valor que se dá a determinada conquista ou acontecimento.  É um livro fácil e ao mesmo tempo difícil de ler. Fácil porque a narrativa avança de forma bastante dinâmica e possuiu a capacidade de prender o leitor. Difícil porque aborda temas densos: violência doméstica, abuso sexual, morte e luto. E é nesta dimensão mais negra que reside a beleza do livro e a sua capacidade de deixar o leitor imerso em reflexões e em questionamentos pessoais. Eve e Lily são duas adultas que partilharam uma infância e adolescência felizes. A vida e as suas pedras meteram-se pelo meio e originou uma rutura...

Inquietações # 3 | O que te leva a ler um livro?

Já há muito que não partilhava uma inquietação. A minha mente é sempre inquieta, falta-me é tempo para dissecar as suas inquietações. Aqui no blog aposto num estilo mais amplo, dando-me a liberdade de abordar temáticas diferentes. Para o Instragram irei dar início a uma sequência de inquietações literárias de forma a substituir os post sobre beta-reading que andei a partilhar. Na terça-feira, partilhei no blog a minha experiência enquanto espetadora do documentário "Febre Ferrante". Ter assistido àquele documentário tem-me deixado a pensar em algumas coisas.  Elena Ferrante nunca se deu a conhecer ao mundo. Para ela, as suas histórias deveriam valer mais do que a sua imagem ou a sua vida. Esta visão faz-me muito sentido! A história e o interesse em descobri-la deveria sobrepor-se à imagem do(a) escritor(a) e à capa. Identifiquei-me com a postura da escritora. Podes dizer que também é uma estratégia para impulsionar as compras. Sim, é verdade! O mistério em torno da pessoa que...