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Para onde vamos quando morremos?

A rua está cheia de gente! Avanço ao longo do passeio e demoro o meu olhar nos pormenores que os outros exibem… Um penteado diferente, uma roupa extravagante, uma criança de mão dada com a mãe que se mostra insaciável na resposta à sua contínua pergunta: Mãe para onde vamos quando morremos? Olho para o rosto impaciente e nervoso da mãe que lhe responde: Já te disse filho, vamos para o céu!. Esta resposta não foi capaz de saciar a alma inquieta da criança que, muito prontamente, diz: Como é que isso pode acontecer se eu vejo as pessoas a serem enterradas?! Porque é que me dão sempre repostas diferentes quando faço esta pergunta? E mãe, nós não temos asas para voar para o céu!  
Esta mãe ficou sem resposta e passou a ignorar a insistência da criança. Aumentou a velocidade do seu passo e, rapidamente se dissolveu na multidão. Pergunta sábia! E se fosse eu, que resposta daria à criança?  
Esta criança conduziu-me a uma reflexão mais profunda. Será que eu sei o que realmente acontece ao ser humano quando a caixinha da vida chamada coração decide parar? De facto, não possuo reposta específica, mas sim o aglomerado de diferentes visões que o meu cérebro foi assimilando ao longo da minha existência!
A via racional que caracteriza o meu pensamento emite uma resposta simples, baseada em conceitos biológicos. Por algum motivo, o coração deixa de bater, o sangue deixa de alcançar as diferentes partes do corpo e acabamos por morrer. Em seguida, o nosso corpo pode ser enterrado ou cremado, seguindo os rituais religiosos, ou não.
Por outro lado, a via menos racional, influenciada pela religião e pelo misticismo leva-me por caminhos mais complexos. Se por um lado o corpo é matéria que irá desaparecer, a alma ou espírito associado a este corpo ficará livre. Libertar-se-á do corpo e alcançará um lugar bonito, calmo, feliz… Este lugar, segundo diferentes lendas, é aquele que ocupávamos antes de sermos associados ao nosso corpo e libertados na terra para cumprir a nossa missão. É um lugar tão bonito que é necessário apagar as memórias que possuímos dele para vivermos na máxima plenitude e não queremos voltar para lá.
Esta última perspectiva permite arranjar o baú dos nossos sentimentos em relação àqueles que partem. Permite criar um escudo protector na nossa memória, formatando o nosso pensamento, levando-nos a acreditar que alguém que nos é querido partiu para um lugar melhor. Acima de tudo contribui para mitigar a nossa dor tornando-a mais suportável.
Depois de todas estas conclusões o que é que eu responderia à criança? Simples: a verdade!
Na realidade, não temos a certeza daquilo que nos acontece quando deixa-mos de estar presentes neste imenso palco da vida. Sabemos que a parte física da nossa essência é depositada uns quantos palmos abaixo da terra ou transformada em cinzas que podemos devolver ao mundo da forma que quisermos. Contudo, a parte invisível da nossa essência, o espírito, pode ir para um lugar que faça sentido para nós e, por esta razão é que existem tantas explicações possíveis acerca do lugar que a nossa alma decide habitar depois de morrermos. Eu, pessoalmente, gosto de acreditar que a alma dos seres humanos, em particular das pessoas que nos são queridas, se transforma numa bonita e gigante estrela que iluminará o céu todas as noites. Uma estrela que estará lá para nós, para nos guiar e conduzir por trilhos pintados de felicidade e iluminados pelo brilho ofuscante do amor e da amizade!

Será que a criança ficaria satisfeita com esta resposta? E você que resposta lhe daria?

Se gostaram desta pequena reflexão votem aqui http://www.conteconnosco.com/trabalho-detalhe2.php?id=1422, por favor!

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