Desejos vãos
Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…
Florbela Espanca, Livro de Mágoas?
Estou a ver que está a passar uma brisa de Florbela Espanca por aqui :)
ResponderEliminarEu sou mais Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) mas este poema é muito bonito :)
Lool... Sim!!! Desde que tive o primeiro contacto com Florbela fiquei a gostar muito dela. A paixão surgiu quando tive de fazer um trabalho para a Faculdade em que tive de fazer o seu perfil psicológico. Foi um trabalho fantástico. Por acaso uma amiga minha fez o perfil psicológico de Fernando Pessoa e também gostou muito.
ResponderEliminar…perfil psicológico… a faculdade faz-nos fazer cada loucura! :)
ResponderEliminarOlá, Silvana! Antes de mais, parabéns pelo blog, está muito giro. Também gosto muito de Florbela Espanca e Fernando Pessoa e vim aqui dar porque procurava precisamente o perfil psicológico da Florbela Espanca... Sempre me identifiquei muito com muitas das coisas que fui sabendo sobre ela e gostava muito de saber mais. Poderias dar-me umas luzes sobre o perfil psicológico dela? Como posso ler mais sobre isso?
ResponderEliminarObrigada!
Olá Lúcia! Obrigada pela visita! Fico contente que tenhas gostado deste meu espaço. Bem já lá vão cerca de seis anos, e, infelizmente, devido a uma avaria do computador perdi os meus trabalhos e esre também. Daquilo que me recordo do trabalho e das conclusão que tiramos, foi que Florbela era uma mulher que procura constantemente uma amor idealizado e a frustação ia aumentando sempre que ela se casava com alguém e o casamento falhava. Mesmo na poesia dela é possivel constactar sentimentos de tristeza, dor, mágoa... Florbela detinha uma personalidade muito sofrida devido a todas as circunstâncias da sua via... O abandono e a rejeição, a perda sempre a companharam (Florbela nunca foi reconhecida pelo pai)o que contribui para a criação de uma personalidade instável. Se por um lado assistimos a uma Florbela sofrida e magoada quando alguma das suas relações amorosas acabava, sempre que começava uma nova ela explodia de alegria. Era como passar de um estado em que apenas desejava morrer, para um estado de pura loucura, um estado que a fazia querer viver de uma forma demasiado intensa... Da minha análise, e do que me recordo de ter lido, Florbela não conseguia atingir o equilíbrio entre os seus mundos. Entregava-se facilmemte à tristeza quando ela ocupava grande parte do seu intimo. Contudo, quando era confrontada com a felicidade não a conseguia viver de forma contida. “Precisamos começar a amar para não adoecer, e iremos adoecer se, por impedimentos, não pudermos amar.”esta é uma frase de Freud, que na minha perspectiva caracteriza a forma como Florbela vivência o amor. Ela precisava de amar para se sentir viva, mas eram igualmente as relações amorosas que a levavam ao limite da tristeza. Ao leres a poesia dela estás a aceder ao mundo interior dela. Todos os seus poemas são autobiográficos e arrisco-me a dizer que quem os escreveu não foi a Florbela, mas sim toda a tragédia que envolve a forma como ela viveu. Na altura lembro-me de ter lido uma biografia dela e fiquei fascinada, se não estou em erro era da Agustina Bessa Luís. Acho que deves procurar ler as biografias que existem e sobretudo a obra, uma vez que a riqueza emocional é imensa. Boas leituras!
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