
Os livros de Torey Hayden pertencem a um grupo de livros que não agradam a todo o público. São livros onde a autora narra aspetos da sua vida profissional. Onde nos apresenta histórias de vida marcantes, problemas que marcam uma infância, pessoas que atravessam períodos difíceis. Torey começou a sua carreira profissional como professora de turmas do ensino especial e, mais tarde, tornou-se psicóloga.
Para mim, estes livros são grandes fontes de inspiração profissional. São livros em que aprendo técnicas que me permitem melhor enquanto profissional, são livros que despertam a minha criatividade e estimulam-me no sentido de encontrar formas mais atrativas para trabalhar em determinados problemas que surgem em contexto profissional.
Neste livro em particular, Torey apresenta-nos três pacientes com problemas distintos. De todos, o caso que mais me sensibilizou foi o de Cassandra, uma menina que conheceu o lado mais negro da vida levando-a a alimentar um "lugar inquietante" no seu interior onde se encontravam todos os seus medos, vivências terríveis, tristezas... Revelou-se uma criança extremamente difícil, inconstante, desafiante, mas que com uma extrema mestria Torey conseguiu entrar no seu "lugar inquietante" e libertá-la, em certa parte, do seu terrível passado. São feitas descrições terríveis sobre aquilo por que Cassandra teve de passar durante os dois anos em viveu longe da mãe depois de ter sido raptada pelo pai. Situações que classifico de repugnantes.
Darke e a senhora idosa partilham o silêncio. Por algum motivo, ambos não comunicam verbalmente. Hayden é persistente e vai descortinando aquilo que está por detrás destes silêncios. Darke descrito como uma criança que se assemelha a um anjo vive "preso" a uma família dominada pelo patriarca que asfixia todos os outros membros com elevadas expectativas e rígidas regras.
A senhora idosa experiência o que de pior tem a velhice: a solidão. Abandonada pelos filhos, vive sozinha e tem de lidar com a sua solidão e depois com um AVC que acarreta graves problemas para o seu funcionamento autónomo.
Torey apresenta-nos estórias reais que facilmente tocam o leitor. Do meu ponto vista, sensibilizam mais aqueles que trabalham nestas áreas e que podem confrontar-se com situações semelhantes. Já foram vários os livros que li da autora e todos eles me tocam de uma forma especial. Conheci a Torey através de um trabalho para a faculdade. Este trabalho consistia na análise do caso que ele retratava no livro "A criança que não queria falava". Por acaso, o meu trabalho foi direcionado para um dos outros temas, mas acabei por mais tarde ler o livro e aqui nasce a minha paixão pelos livros desta autora.
Na altura em que publicaste esta opinião não cheguei a ler, mas agora lembrei-me dela e vim ler.
ResponderEliminarNo meu estágio tenho 5 horas semanais com 2 raparigas de Educação Especial e estou a ponderar fazer a minha tese não com base numa turma normal de Artes Visuais, mas do trabalho em Expressões com estas duas miúdas.
Ainda ando um bocadinho perdida, porque para mim este é um mundo novo e enquanto procurava por bibliografia na biblioteca da UA, encontrei um livro da Torey Hayden, A Força dos Afectos.
Nunca li nenhum livro dela mas já há muito tempo que tenho curiosidade pelos temas que ela aborda.
Aproveitando que este é mais o teu campo que o meu, se tiveres conhecimento de alguma bibliografia mais académica com os temas de Educação Especial e/ou Educação Especial e as Artes Visuais, agradecia a ajuda :)
Olá Margarida,
ResponderEliminarAcho que é um tema interssantisso... O papel das artes visuais no desenvolvimento sócio-afetivo das crianças... Vais adorar A força dos afetos é um livro dela que eu tenho cá em casa.
Por acaso, numa das minhas conversas com a minha orientadora de estágio no Centro de Saúde conversávamos sobre a importância das crianças fazerem desenhos e expressarem-se através da arte... Seria um trabalho muito interessante fazer a comparação entre crianças ditas "normais" e crianças do ensino especial...
Acredita que não te vais arrepender de ler os livro dela... Eu fico vidradra e é muito difícil parar.
Tenho de ir aqui às minhas "pastas" cheias de artigos... Eu não estava ligada à educação e sim à clínica por isso posso não ter muita coisa. Mas se conhecer algum livro ou vir algum envio-te a referência. Eu uso o desenho e pintura para as crianças expressarem aquilo que sentem ou mesmo para exteriorizarem sentimentos. :) Caso decidas sobre este tema gotaria muito de ler o teu trabalho. Beijinhos