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Opinião | "Uma paixão indiana" de Javier Moro


Sinopse


Em Janeiro de 1908, Anita Delgado, de 17 anos, sentada num elefante luxosamente ajaezado, faz a sua entrada numa pequena cidade do norte da Índia. Todo o povo está na rua, rendendo homenagem à nova princesa, de tez tão branca como as neves dos Himalaias. Poderia parecer um conto de fadas, mas foi assim a boda da bailarina andaluza com o riquíssimo marajá de Kapurthala. E o começo de uma grande história de amor - e traição - que se desenrolou durante quase duas décadas no coração de uma Índia preste a extingui-se. Uma história que nos transporta para o fabuloso mundo dos marajás, como os seus haréns dignos das Mil e Uma Noites, os seus bacanais eróticos, a paixão pelas jóias, os palácios, e as caçadas de tigre.

 

A providência criou os marajás para oferecer um espectáculo ao mundo.

Rudyard Kipling, cit. in Uma Paixão Indiana

 

As crianças de ambos os sexos devem ser levadas à caça uma vez por semana sem falta, e quando forem adultas devem, em regra, passar pelo menos duas semanas por ano na caça ao tigre.

Notas sobre a educação de um governante (Marajá de Gwalior, General Policy Durbar, 1925) cit. in Uma Paixão Indiana

 

Vale tudo, porque a paixão nos espera.

Kamasutra 2.3.2., cit. in Uma Paixão Indiana?

 

Opinião

Confesso que este livro não foi de encontro as minhas expectativas! Quando o vi na prateleira dos destaques na biblioteca fui logo atraída pelo título... Eu gosto muito de conhecer os aspectos culturais dos diferentes cantos do mundo, a Índia em particular. Algo que atraí neste país, embora eu não tenha uma explicação lógica para tal facto (bem... posso sempre recorrer às interpretações desta cultura e dizer que, numa vida passada, pertenci a alguma casta indiana e neste momento estou só a seguir a roda das encarnações :P). Outro aspecto que tornou o livro tão apelativo aos meus olhos foi o carácter verídico da estória...

 

Considero que em termos de investigação sobre os aspectos culturais, sobre as pessoas que são descritas no livro, o autor fez um brilhante trabalho... Consegui torná-las bem reais aos nossos olhos, transportando-nos, facilmente, para os acontecimentos que se passaram à vários anos atrás. Sentimos os cheiros das especiarias e dos lugares luxuosos em contraste com o cheiro das ruas desorganizadas e dos rituais funerários no rio Ganges, visualizamos a intensidade das cores fortes e quentes que caracterizam o universo da cultura indiana.... As jóias, a riqueza, os palácios, a pobreza, as ruas cheias de moribundos, as planícies... tudo isto são aspectos da cultura deste país.

 

Por outro lado, nos momentos em que o autor narra os acontecimentos da vida de Anita Delgado não consegue criar uma forte ligação com leitoras. Torna a narrativa muito massuda, principalmente na segunda parte do livro em que descreve a vida do marajá que casou com Anita. Contudo, nas duas últimas partes somos envolvidos num desenrolar de acontecimentos que facilmente nos ligam um pouco ao livro.

 

Gostei muito quando o autor, na parte final do livro, conta o que aconteceu a outras pessoas com quem Anita Delgado se cruzou ao longo da vida na Índia e na Europa. Anita vivência momentos muito diversificados... É confrontada com aspectos culturais muito diferentes daqueles a que estava acostumada. É um choque de realidades que ela aprende a gerir e a retirar o melhor proveito possível durante algum tempo... Mas a felicidade que ela tanto ansiava chega de uma forma que condiciona o seu futuro.

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