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25 de Novembro - Dia Internacional pela eliminação da violência contra as mulheres

Grande parte dos dias eram vividos com medo. A incerteza de chegar ao fim do dia a casa e não saber aquilo que me esperava. Foram vários as feridas, as dores, as marcas, as lágrimas que tentavam lavar a alma destroçada.
Não acreditava em mim, não sentia que tivesse qualquer tipo de valor... Não prestava aos olhos dele! No fim de cada estalo, no fim de cada murro, no fim de cada insulto eu pensava «ele um dia vai mudar... eu vou conseguir com que ele mude». Mas, quando seria esse dia? Até quando teria de suportar toda esta violência?
Os dias seguiam-se uns atrás dos outros, onde eu me arrastava em busca de um solução para o tentar mudar... Mas chegou o dia em que quem deu o murro na mesa fui... No final de mais uma "demonstração de amor" da parte dele, peguei no telefone liguei para Associação de apoio à vítima e disse «Por favor, venham buscar-me, acabei de ser agredida. Mas venham agora porque amanhã não sei se terei coragem para assumir aquilo que tenho vivido ao longo deste anos!». Ao fim de longos anos de sofrimento, dei o meu murro na mesa e dei a mim mesma uma oportunidade de viver!
 
Embora aquilo que acabei de escrever não seja nada verídico, acredito que é são várias as mulheres que passam por este terror. Estima-se que, apenas neste ano, 36 mulheres foram assassinadas pelos seus maridos, todas estas mulheres não tiveram coragem de dar o tal murro na mesa.
 
Sei que é difícil para as mulheres que estão a passar por esta situação libertarem-se. São mulheres psicologicamente fragilizadas que vão aguentando o sofrimento como se fosse uma missão de vida. Infelizmente, este problema alastra-se a todos os quadrantes sociais e a todas as idades. É assustador o número de raparigas que, ainda numa situação de namoro, suportam situações de violência física e psicológica.
 
É difícil colocar um travão a todas estas situações, até porque elas podem ser invisíveis ao olhar dos outros, ao olhar dos colegas de trabalho, ao olhar dos vizinhos. Um agressor pode bater ser deixar marcas visíveis, pode apenas usar a violência psicológica, pode obrigar a sua companheira a ter relações sexuais, que é violação, embora para muitas pessoas o simples facto de ser o marido ou o namorado a abusar sexualmente das suas companheiras é algo perfeitamente aceitável.
 
Todas as mulheres têm o direito a (re)inventar o seu futuro, de procurar uma nova forma de viver! Não devem encarar a violência como fazendo parte do seu destino, elas podem (re)criar um novo destino...
 
EM VOSSA DEFESA, DÊ UM MURRO NA MESA!

Comentários

  1. O vídeo está muito forte e acabei por me arrepiar ao vê-lo. Tão simples e tão directo.

    A história que escreveste também é muito forte. Infelizmente nem todas as mulheres conseguem dar o murro na mesa, tem tão baixa auto-estima que se deixam dominar.

    Mas espero que este cenário mude e que todas as mulheres consigam dar o murro na mesa.

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  2. Concordo com tudo aquilo que dizes Margarida... E, profissionalmente, são os casos mais difíceis de conduzir a resultados positivos. Elas são muitos resistentes à mudança por uma infinidade de razões que não dá para expôr aqui, porque acima de tudo cada caso é um caso! Só gostaria que quem visse o vídeo ficasse um bocadinho sensibilizado!

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