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Opinião | "E se fosse verdade..." de Marc Levy

E se Fosse Verdade...

 

Mais uma vez, Marc Levy ofereceu-me bons momentos de leitura. Houve acção, romantismo e comédia, aspectos que tornaram o livro muito dinâmico e cativante.

 

Lauren, uma jovem média, sofre um acidente e fica "presa" num coma profundo. Mas o seu espírito consegue uma liberdade e sai para o mundo. Acaba por regressar ao seu antigo apartamento que já está ocupado por Arthur. Este torna-se a única pessoa que a consegue ver e com quem ela consegue comunicar... Durante o período em que Arthur tenta convencer-se a si próprio que não está louco e que não está a sonhar com nada o leitor é brindado com momentos que nos fazem sorrir.

 

É fácil entrar na narrativa e manter-mo-nos presos às personagens. Ao longo da leitura, apenas senti que a história de vida de Lauren e de Arthur poderia ser mais aprofundada. Quando o autor nos conta como foi a vida de Arthur até ao momento actual, senti que faltou qualquer coisa... 

 

É muito comovedor todas as coisas que Arthur fez por Lauren e forma como eles se vão apaixonando ao longo do tempo.

 

Em comparação com os outros dois livros que li do autor, este não consegue alcançar a intensidade narrativa que os outros apresentam. Os primeiros livros têm uma base narrativa mais sólida, com possibilidade de maiores desenvolvimentos, oferece-nos mais acção e mais dinâmica. Por outro lado, o livro E se fosse verdade não  possui uma componente narrativa que originasse maiores desenvolvimentos (tendo em consideração a linha de pensamento que o autor decidiu seguir). Eu teria dado outros contornos a história, nomeadamente: teria aprofundado as histórias de vida de Lauren e Arthur (com o objectivo de dar a entender ao leitor que eles são almas gémeas) e teria desenvolvido mais a narrativa no momento em que Arthur e Lauren enquanto espírito se iam conhecendo.

 

Um aspecto que destaco é uma das mensagens que está presente no livro e que no fundo condiciona os acontecimentos e movimentações das personagens. Será que devemos permitir que desliguem as máquinas a alguém que está em coma? Será que essa pessoa nunca voltará a acordar? Será que as coisas são sempre irreversíveis? No que diz respeito ao funcionamento cerebral do ser humano ainda muitas coisas estão por descobrir, por isso faz com que seja normal as pessoas questionarem-se acerca desta decisão (que deve ser horrível de tomar para a família do paciente).

 

Por fim, resta dizer-me que o final deixou-me curiosa para a continuação da história de Lauren e Arthur.

 

Para quem estiver interessado, este livro deu origem a um filme, também ele muito engraçado, mas que apresenta algumas diferenças em relação ao livro. 

 

Comentários

  1. Em relação ao que falaste sobre termos a pessoa que gostamos em coma e a escolha difícil de decidir se ela deve continuar assim ou desligar a máquina, lembrei-me de um livro que li do Nicholas Sparks e que gostei (pelo menos li na altura em que gostava de todos os livros do Nicholas), o livro é "Uma escolha por amor".
    Ainda não vi o filme baseado neste livro, mas tenho mesmo que ver!

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  2. Conheço o livro de Nicholas Sparks de que falas... Gostei muito de o ler e naquele caso a personagem feminina em questão pediu para lhe desligarem as máquinas. O marido teimou e ela acordou do como passado um período de tempo significativo. Não sabia era que havia filme!! Vou já pesquisar isso! Beijinhos e boa semana

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  3. Ah não... Eu depois estava a falar do filmes deste livro do Marc Levy. Já sabia que existia e até foi por causa do filme que comprei o livro, mas ainda não cheguei a vê-lo xD

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  4. Lool... Pois eu ainda procurei mas não estava a conseguir encontrar!!! Em relação ao filme sobre o livro de Marc Levy vale a pena ver, infelizmente não segueo livro na íntegra!

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