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Opinião | "Uma voz na noite" de Sandra Brown




Sinopse


A história apaixonante de uma mulher assombrada pelo passado e pressa num pesadelo que ameaça destruir o seu futuro. Uma narrativa brilhante, rápida, cheia de tensão sexual, por uma das autoras mais populares na América.

 

Para Paris Gibson, o seu popular programa de rádio nocturno é ao mesmo tempo uma fuga e o seu contacto real com o mundo exterior.

Desde que se mudou para Austin para mitigar a dor dos passados erros trágicos, Paris leva uma vida solitária, ganhando a vida apenas quando apresenta o seu programa. Para os ouvintes fiéis, é uma amiga sensata e de confiança, que não só acede aos seus pedidos de música, como ouve também os seus problemas e, ocasionalmente, dá conselhos.

O mundo de isolamento de Paris é, porém, gravemente ameaçado quando um ouvinte - um homem que se identifica apenas como "Valentino" - lhe diz que os conselhos que deu à mulher que ele ama a levaram a abandoná-lo e que agora ele próprio pretende vingar-se. Primeiro, planeia matar a rapariga, que já raptou, dali a 72 horas, e a seguir virá atrás de Paris.

Com a ajuda da polícia de Austin, Paris entra numa corrida contra o tempo, num esforço para encontrar Valentino antes de ele poder cumprir a ameaça de matar - e de matar de novo. Para seu espanto, descobre que uma das pessoas com quem tem de trabalhar é o psicólogo criminal Dean Maloy, um homem com quem partilha um passado que teve um efeito catastrófrico na vida de ambos. A sua presença desperta paixões antigas, obrigando a Paris a confrontar as memórias dolorosas que tentava esquecer.

Enquanto o relógio continua a avançar, e as ameaças de Valentino de se aproximar se vão tornando realidade, Paris vê-se de repente obrigada a lidar com um assassino que, afinal, pode não ser um desconhecido.

 

Opinião
Este foi o primeiro livro que li da Sandra Brown e confesso-me completamente rendida a esta autora. O livro revela uma enorme inteligência da escritora. Ela consegue articular de uma forma equilibrada um romance e um crime que precisa de ser desvendado.

Em relação à parte policial do livro estamos perante um criminoso, de seu nome "Valentino", que anuncia o seu crime através do programa de rádio da Paris Gibson. A forma como a autora constrói a sequência dos acontecimentos e constrói a vida dos possíveis culpados é muito boa. Ela consegue semear a dúvida mesmo até ao final do livro. Eu própria comecei a desconfiar de um deles até ao final depois, devido a um acontecimento das últimas páginas mudei o meu foco, mas fiz asneira. Lá está a primeira impressão é sempre a que está certa.

Em relação ao romance que vai acompanho o desenrolar do crime está, igualmente, muito bem interligado e relacionado. Os acontecimentos vão criando alguma expectativa no leitor (estamos sempre em pulgas para ler as páginas seguintes e saber o que é que se passou entre a Paris e o Dean). O Dean e a Paris formam um par delicioso. A escritora conseguiu oferecer-lhes uma imagem credível e mostrar a boa compatibilidade entre ambos.

Dean, o psicólogo (PSICÓLOGO E NÃO PSIQUIATRA - NÃO GOSTO NADA QUANDO CONFUNDEM infelizmente ao longo do livro umas vezes aparece psicólogo outras vez psiquiatra)que trabalha no crime, é dotado de uma personalidade forte e um enorme carisma. O desempenho profissional que vai sendo descrito está adequado (aqui sirvo-me dos meus próprios conhecimentos profissionais e acho que se Dean existisse seria um bom psicólogo). Gostei muito quando a autora tentou mostrar as dificuldade de Dean com o filho. Esta parte clarifica a ideia muitas vezes errada de que os psicólogos têm uma vida pessoal muito boa e arrumadinha!

Paris, uma jornalista muito inteligente, "esconde-se na escuridão" de forma a deixar o passado muito arrumado lá no fundo do baú da sua memória. Porém, o reencontro inesperado com Dean abre esse baú e obriga-a a lidar com as suas dolorosas memórias. Gostei muito dos diálogos inteligentes que Dean teve com Paris no início do livro como forma de a obrigar a lidar com as suas próprias memórias.

Os pontos negativos do livro é a existência de uma incongruência na parte em que Dean conta a Gavin, seu filho, a sua história de vida. Dean refere que conhece a mãe de Gavin numa festa universitária em que ele estava a iniciar o seu curso e, por sua vez, a mãe estava a terminar e prestes a integrar-se na sua vida profissional. Contudo, na página seguinte já dá a entender que eram ambos finalistas. E  outro ponto negativo é a confusão entre psicólogo e psiquiatra (é sempre bom distinguir pois são profissões distintas).

Acho que este livro poderá ser muito bom para aqueles leitores que não gostam muito de policiais puros e duros. A resistência deles a este género literário poderá ser mitigado se houver mais qualquer coisa no livro para além de crimes, mortes e muito sangue. Neste sentido, o bom equilibro deste livro em relação ao romance e ao policial poderá conquistar os leitores.

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