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Opinião | "Cinco quartos de laranja" de Joanne Harris

 


Cinco Quartos de Laranja

 


Autor: Joanne Harris

Ano: 2001

Editora: Asa

Número de Páginas: 320

Classificação: 3 Estrelas


 

Sinopse

Quando a minha mãe morreu, deixou a quinta ao meu irmão Cassis, a fortuna da adega à minha irmã Reine - Claude, e a mim, a filha mais nova, deixou-me o álbum. Uma distribuição de riqueza e um pouco desigual.

E, como Cassis dizia sempre, eu era a preferida.

 

Framboise regressa à pequena cidade onde nasceu, na província francesa, e abre um restaurante que rapidamente se torna famoso, graças às receitas de um velho álbum que pertencera à sua mãe. Essa espécie de diário contém igualmente uns estranhos apontamentos cuja decifração lançará uma nova luz sobre os acontecimentos dramáticos que marcaram a sua infância nos dias já longínquos da ocupação nazi. A Framboise restam as recordações dos sabores e sentimentos da sua infância numa França marcada pela dor e pela penúria da guerra, mas também a memória do episódio que marcou a vida da família e constituiu, para ela, a perda definitiva da inocência. Agora, sem que se faça anunciar, a hora de enfrentar a terrível verdade chegou.

 

Entre passado e presente, a história de Framboise impregna as páginas com os aromas, as cores e sabores da vida no campo e, tal como as receitas que lhe couberam em herança, traz-nos à memória a liberdade e a audácia da infância.

Um livro para ser saboreado.

 

Opinião

Eis que o meu primeiro contacto com Joanne Harris não se tornou numa relação de dependência, e fiquei triste com tal facto. Acho que tinha as expectativas um bocadinho elevadas para os livros desta escritora. Depois de muito ouvir falar dela, de ler diversos comentários aos seus livros, depois de ter visto o filme Chocolate uma vontade enorme de ler Joanne Harris me perseguia o meu espírito literário. Infelizmente esta leitura foi um pouco penosa de se fazer. A leitura de algumas partes confesso que me dava sono, principalmente na parte inicial do livro, depois as coisas foram-se desenvolvendo, os acontecimentos passaram a ter algum dinamismo e a leitura foi-se levando.

 

Na minha modesta opinião, considero que o início do livro é um pouco confuso e massudo. Os acontecimentos não são bem esmiuçados e as coisas parecem ficar um pouco no vazio. No fundo, falta acção. 

Ao longo de todo o livro os acontecimentos vão-se alternando entre presente e passado, conferindo o dinamismo necessário para ir captando a nossa atenção. Contudo, muitas coisas são referidas de forma superficial sem que se esgotem, na sua totalidade os assuntos em causa. É um livro muito narrativo em que a presença de poucos diálogos não facilita o envolvimento do leitor com a narrativa.  

 

Relativamente as personagens não consigo descrever nenhuma emoção que me tenha ligado a elas. Todas elas me foram indiferentes, não despertaram em mim nada... Acho que carecem de um pouco de personalidade e de garra. Nem mesmo irritação sentia quando previa que aquilo que eles estavam a fazer não iria correr bem. Tive foi imensa pena de o Paul, amigo de Framboise, não ter mais destaque no livro. Fiquei curiosa por saber o que lhe tinha acontecido no período em que eles estiverem sem se contactarem. 

 

Sendo um livro com uma narrativa localizada no período da Segunda Guerra Mundial, esperava um melhor enquadramento. Mais descrições dos cenários de guerra, o que movia as pessoas a ter determinadas atitudes, mais descrições sobre o modo de vida da maior parte das família nessa época... Acho que estes aspectos iriam favorecer o livro, no sentido que iriam despertar um maior interesse do leitor. 

 

Sinto-me triste por não me ter identificado com o livro. Estava muito curiosa quando li a sinopse, pelo que a minha tristeza condicionou a minha leitura (muito lenta). Felizmente, a partir de sensivelmente metade do livro, os acontecimentos iam-se desenvolvendo com um ritmo mais intenso o que fez com que a pontuação que eu dei a este livro não fosse mais baixo.

 

Apesar desta experiência menos positiva com os livros de Joanne Harris não vou deixar de ler outros livros, até porque tenho alguma curiosidade em relação ao livro Chocolate porque gostei muito do filme. 

 

Não sei qual a opinião desse lado, mas gostaria de saber quais as impressões que esse livro causou em vocês!

 

Deixem-se invadir pelas palavras. Boas leituras!

Comentários

  1. Vou lê-lo este ano ^-^ depois podemos ver se as opiniões coincidem ou não.

    Dela li dois: um que atribui 2,5* e outro 4*, por isso ainda não sei como de 'dou' com esta autora

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  2. Da Joanne Harris ainda não li nada mas tenho na estante o "Chocolate" e "Sapatos de Rebuçado", espero que sejam melhores que este então :/

    Falando de coisas positivas, deixei-te mais um selinho no meu blog: http://howtoliveathousandlives.blogspot.pt/2013/02/2013-literario-selo.html :P

    Beijinhos!

    ResponderEliminar
  3. Pois... Por isso é quero dar-lhe uma segunda oportunidade!!

    Aguardo a tua opinião. Espero que fiques com outra impressão!

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  4. Obrigada Mónica :)!!

    Sim... O "Chocolate" quero mesmo ler, porque já vi o filme à muitos anos e mesmo assim ficou-me na memória!

    Beijinhos :)

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  5. Este ainda vai demorar, porque faz parte do Monthly Key Word.

    Sou capaz de ler o Chocolate e o Sapatos de Rebuçado antes :/

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  6. O primeiro livro que li de Joanne Harris foi o Chocolate e li-o porque a minha mãe o adorou, o meu irmão o odiou e era relativamente pequeno. No início ainda me senti muito tentado a pô-lo de parte mas depois comecei a ler mais e mais e simplesmente adorei. Chocolate é um livro comum que conta a história de uma simples rapariga e de uma pequena aldeia francesa e, não sei porquê, sempre me senti atraído por livros que contam histórias de aldeias ou cidades ou bairros, etc. A seguir passei para "O Rapaz de Olhos Azuis" e, mais uma vez, no início quase que o deixei para trás mas uma amiga minha tinha gostado muito e disse-me que era sobre um serial killer com atributos um tanto ou quanto estranhos. Este livro já foi mais ao estilo de Joanne Harris: no início extremamente confuso e cansativo mas depois começa a desenvolver e chegamos ao final e pensamos "WOW! O que é que acabou de acontecer?" Estou agora a ler o "Sapatos de Rebuçado", a continuação de "Chocolate" e tenho-o deixado para trás, porque, mais uma vez, é um pouco lento, mas tenciono acabá-lo este mês porque sei que me espera uma grande surpresa. Este ainda não li mas sinto curiosidade.
    Aconselho a leres o Chocolate mas entra para o livro com baixas expectativas para depois não te desiludires. Eu, por exemplo, comecei a ler "O Senhor dos Anéis" com expectativas altas e depois fiquei desiludido.

    Abraços e boas leituras!
    nomnomlivros.blogspot.pt

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  7. Obrigada pelo comentário Pedro :)! Tens razão tenho de baixar as expectativas!Apesar desta minha pequena desilusão vou voltar a ler Joanne Harris. Depois cá colocarei a minha opinião! Bem eu com "O Senhor dos Anéis" nem tento porque no filme ao fim dos primeiros 15 minutos desisti... Não consigo entrar naquele mundo!! Mas boa sorte com a leitura. Irei passar por lá para depois ver as tuas impressões.

    Abraços, boas leituras e bem-vindo a este meu humilde espaço!

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  8. Depois venho cá cuscar a tua opinião quanto aos livros da Joanne Harris. Ela é a única autora de romances que eu consigo suportar. Quanto ao "Senhor dos Anéis" o que mais me impressiona é mesmo o world-building do autor, todo o trabalho que ele pôs nele, o facto de ter criado línguas e uma história tão complexa... A escrita é que é bastante aborrecida. Os filmes são mesmo dos meus favoritos mas gostos são gostos. É provavelmente porque eu adoro fantasia :p

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  9. Sim, concordo contigo em relação à complexidade do mundo. Sabes o meu problema é mesmo, por vezes, ter dificuldade em entrar nestes mundo de muita fantasia e não sei explicar porquê!!! Claro, ainda bem que temos gostos diversificados porque se assim não fosse o mundo e a partilha entre as pessoas seria muito aborrecido!! Com certeza, és sempre bem-vindo! :)

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  10. Tem piada, este foi o primeiro livro de Joanne Harris que li e fez-me ficar fã da autora. Já o li há uns anitos, é um facto, mas na altura gostei precisamente por ser muito diferente da maior parte dos romances femininos contemporâneos... Joanne Harris tem uma escrita muito peculiar, mas não desistas já, há muito por onde escolheres. Ainda não li todos (bem longe disso), mas gostei bastante também de "Chocolate" e "Danças e Contradanças", por exemplo.
    Beijinho e boas leituras :)

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  11. Obrigada pelas sugestões Lígia! Sim, eu vou experimentar outros livros. De facto, este não me conquistou, mas quem sabe se outros livro da autora não me encantam?!
    Beijinhos, boas leituras e Bom fim-de-semana!

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