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Opinião | "Revolutionary Road" de Richard Yates

 


Revolutionary Road


Autor: Richard Yates
Ano: 2009 (Edição Portuguesa)
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 285 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Desafio: Novos autores/ De A a Z...

Sinopse


 

O primeiro romance de Richard Yates tornou-se um clássico logo após a sua publicação em 1961. Nele, Yates oferece um retrato definitivo das promessas por cumprir e do desabar do sonho americano. Continua hoje a ser o retrato da sociedade americana.

 

Um casal jovem e promissor, Frank e April Wheeler, vive com os dois filhos num subúrbio próspero de Connecticut, em meados dos aos 50. Porém, a aparência de bem-estar esconde uma frustração terrível resultante de incapacidade de se sentirem felizes e realizados tanto no seu relacionamento como nas respectivas carreiras.

Frank está preso num emprego de escritório bem pago mas entediante e April é uma dona de casa frustrada por não ter conseguido seguir uma promissora carreira de actriz. Determinados a identificarem-se como superiores à crescente população suburbana que os rodeia, decidem ir para França, onde estariam mais aptos a desenvolver as suas capacidades artísticas, livres das exigências consumistas da vida numa América capitalista. Contudo, o seu relacionamento deteriora-se num ciclo interminável de discussões, ciúmes e recriminações, o que irá colocar em risco a viagem e os sonhos de auto-realização. 

 

Opinião

Terminei a leitura deste livro um pouco por teimosia, uma vez que as duas primeiras partes me estavam a arrastar para uma insatisfação com a leitura. São duas primeiras partes um pouco aborrecidas onde os acontecimentos surgem a conta-gotas. Confesso que, para mim, são duas partes um pouco metafóricas, ou seja, tal como a rotina que se instalada na convivência de duas pessoas tornando a vida aborrecida, a descrição dessa mesma rotina torna as páginas em que ela é descrita aborrecidas. 

 

Como não conhecia o autor, nem tinha se quer ouvido falar do livro devem estar a perguntar-se porque é que me decidi por esta leitura. A resposta é simples. Fui enfeitiça pela sinopse e pela promessa de o livro retratar um fase da vida pouco abordada nos livro. Basicamente, muitos dos livros nos apresentam, implícita ou explicitamente, típica frase final "Casaram e viveram (in)felizes para sempre". Mas o que é que acontece a seguir? Será mesmo uma felicidade para sempre? No caso de April e Frank, o felizes para sempre deixou de fazer parte das suas vidas! Senti falta de uma maior exploração desta infelicidade na primeira e segunda partes... Achei excessiva a quantidade de texto dedicada a fase profissional de Frank, em poucos capítulos era possível descrever a sua insatisfação perante aquele trabalho. Porém, o autor decidiu arrastar por mais algumas páginas.

 

Na terceira parte, as coisas melhoraram significativamente!  Finalmente, o drama chegou em toda a sua força e ofereceu-me aquilo que estava à espera desde as primeiras páginas: um abalo significativo no casamento de Frank e April. Anteriormente, dava a sensação que esta casal andava a brincar às discussões, encobrindo grande parte dos problemas que os atormentavam. Eles sabiam que eles existiam, mas em vez de os discutirem atribuíam a culpa ao exterior e à necessidade de mudar de espaço. 

A  minha análise da relação destes dois e a possível causa para o mau funcionamento deles enquanto casal resume-se a uma única questão: não tiveram tempo para crescer enquanto seres individuais e desenvolver as suas personalidades. A gravidez precoce de April atirou-os para um casamento instável e sem sustentação sólida. 

Não gostei muito deste dois, porque muitas das vezes não percebia onde é que eles queriam chegar com alguns comportamentos. 

 

Para além deste casal, existem mais dois casais também um pouco disfuncionais. Pessoalmente, gostaria de saber mais do casal Campbell. Acho que também iriam emergir coisas muito interessantes e era capaz de tornar o livro mais interessante. No fundo, era servir o real propósito do livro: exploração de relações em casais depois do casamento.

 

É uma leitura difícil e complexa, capaz de nos atirar para estados um pouco depressivos. Apesar desta complexidade, acho um livro bastante realista e que retrata com muito bem as consequências de um casamento precoce e pensado de forma um pouco inconsciente. 

 

Este livro deu origem a um filme com o mesmo nome. Não posso fazer comparações porque ainda não o vi. 

E desse lado, já leram ou viram o filme?

 

Deixem-se invadir pelas palavras.

Comentários

  1. Já vi o filme e desiludiu-me. Naaltua, foi muito elogiado e eu não o achei nada de extraordinário. Beijos

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  2. Obrigada Catarina! Muito sinceramente, o livro não me deixou com muita vontade de ver o filme! Confesso que tenho apenas um bocadinho de curiosidade... Mas tenho outros filmes em lista de espera para ver, por isso este será uma segunda escolha! :)

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  3. Eu li o livro há dois anos, não me recordo bem das partes mais aborrecidas que falas, mas fiquei com a impressão depois de ler o livro e apesar de ser complexo, gostei do livro, dá uma visão da vida mais real do que em muitos outros livros.
    Vi o filme há pouco tempo e gostei :) A actriz que faz de April está muito bem neste filme.

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  4. Também quero ver o filme! O livro de facto não me convenceu!

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