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Opinião | "Jane Eyre" de Charlotte Brontë

 



 


Autor: Charlotte Brontë

Ano: 2004

Editora: Difel

Número de páginas: 386 páginas

Classificação: 3 Estrelas

Desafio: Reading Romances / De A a Z...

 

Sinopse

Charlotte Brontë conseguiu em Jane Eyre uma fusão perfeita entre o realismo e o romance, incorporando dois temas que persistem no inconsistente colectivo porque expressam aspirações humanas permanentes: o mito de Cinderela, a rapariga pobre e oprimida que casa com o príncipe poderoso, e o mito do sucesso: a recém-chegada sofre, persevera e triunfa da adversidade.
No entanto, Jane Eyre não é um mero romance de evasão, tem uma verdade e um realismo totais; nos momentos mais empolgantes da acção, os detalhes, como na vida real, são solidamente prosaicos e mesmo o triunfo final de Jane é um triunfo incompleto, à escala humana.
O que caracteriza a arte desta grande romancista inglesa, e ainda hoje a impõe à nossa admiração é, essencialmente, ter sabido descer ao mais profundo dos seres, mostrando-nos, na sua verdade integral, o mau e o bom, o forte e o fraco, na complexidade das suas motivações e das paixões que os dominam, a verdade e a profunda riqueza das figuras que construiu, assim como a violência que as agita, e a humanidade de que vibram e que, página após página, não cessa de nos manter suspensos e ansiosos.

 

Opinião

Jane Eyre despertou e mim sentimentos muito diversos. Houve momentos em que gostei, outros em que os acontecimentos não faziam sentido nenhum e outros em que me aborreci. Não considero uma leitura fácil. É uma narrativa densa, preenchida por muita informação que necessita ser absorvida de uma forma ponderada. 

 

A parte inicial é um convite a uma viagem pela infância da nossa protagonista. Uma criança órfã, Jane, que se vê abraços com uma tia que a trata de forma negligente não actuando de forma justa, ou seja, é incapaz de ver o que se passa na realidade entre Jane e os seus filhos. Solução: mandar Jane Eyre para uma espécie de orfanato.

 

No orfanato, a narrativa torna-se um pouco mais aborrecida. Após conhecermos bem a dinâmica dos acontecimentos, existem partes que se tornam aborrecidas. O que salva esta parte é a exploração da amizade de Jane com outra criança.

 

Jane atinge a maioridade e decide dar um novo rumo à sua vida e decide colocar um anuncio de preceptora. Rapidamente é chamada para uma casa, Thornfield, torna-se a nova morada de Jane. Esta parte do livro é, na minha opinião, bastante cativante sobretudo devido ao enorme mistério que envolve esta casa. Jane vive coisas estranhas naquela casa e pressente o mistério que paira sobre as paredes e sobre uma determinada pessoa que vive num quarto do terceiro andar. 

Mr Rochester é o dono desta casa. Um homem inteligente e perspicaz. Muito observador das pessoas e da sociedade fazem dele um homem conhecedor do carácter de cada ser humano com quem se vai cruzando. Um homem que aprecia o bom carácter humano, desde logo se encanta pelos modos simples de Jane Eyre. Mas este senhor guarda um segredo... Um segredo que torna a sua vida bastante complicada. 

 

O final, é mais ou menos previsível, ou seja, é fácil saber, em traços gerais o que irá acontecer. Porém, as particularidades que envolvem o final é que são surpreendentes.

 

Um aspecto que gostei bastante no livro foi a forma eloquente com que a escritora o escreveu, dirigindo-se por diversas vezes ao leitor. É um aspecto engraçado, parece que estamos numa conversa com a Jane.

 

Ao longo do livro houve apenas um episódio que achei que não se enquadrava muito bem na história em si. Foi um pouco estranho a leitura dessa parte, não me fez muito sentido. Para não vos estragar a leitura apenas posso adiantar que o episódio envolve uma vidente... Um tanto ou quanto estranha!

 

Deixem-se invadir pelas palavras.

Comentários

  1. Eu adoro este livro! Não sei se a minha opinião também foi influenciada por já ter uma imagem na minha cabeça das personagens pois antes de ler o livro vi a série da BBC de 2006 que recomendo imenso. Concordo que não é uma leitura fácil. Beijos

    ResponderEliminar
  2. Não conheço a série. Sei das várias versões do filme e quero ver pelo menos uma :).
    Parece-me que a BBC tem boas séries, também já me recomendaram a "Orgulho e preconceito". Bem, tenho de ver.
    Obrigada pelo comentário Catarina.
    Beijinhos

    ResponderEliminar

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