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Opinião | "A Vizinha do Lado" de Barbara Delinsky

 


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Autor: Barbara Delinsky
Ano: 2005
Editora: Difel
Número de páginas: 335 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse


Num condomínio elegante nos subúrbios do estado de Connecticut, três casais vêem a sua harmonia desfeita quando uma atraente jovem vizinha, viúva há um ano, descobre que está grávida. Quem é o pai? Poderá ser um dos três maridos? Um a um os casais tornam-se misteriosos, fazem o balanço dos seus casamentos e da lealdade e confiança que talvez tenham dado como asseguradas. Em cada um dos casos, esta introspecção revela fraquezas, e para cada uma das mulheres a situação torna-se numa crise que as vai obrigar a tomar uma decisão, resultando na consolidação ou na dissolução dos seus casamentos. Recheado de emoção e surpresas, A Vizinha do Lado é uma engenhosa história de confiança, ciúme e luta para manter o amor vivo.

 

Opinião


Parti para a leitura deste livro com o espírito completamente aberto. Não conhecia a autora, nunca tinha lido nada sobre o livro, ou qualquer outra obra da autora.

O que li na sinopse tinham-me deixado interessada e curiosa para ver aquilo com que me ia cruzar. 

É então que fico a conhecer um bairro onde vivem três casais e uma jovem mulher que se torna num mistério para todas as outras pessoas do bairro. 

As descrições e as vivências de cada casal são muito reais. O leitor, com a leitura, sente-se convencido de que aquilo poderia mesmo acontecer. 

 

O livro começa com o casamento do casal Amanda e Graham. Este foi o casal que mais gostei. Identifiquei-me com a personalidade e com a forma de ver a vida que eles têm. Além disso, é uma relação muito bonita. Não é uma relação cor-de-rosa. Têm os problemas as suas discussões, assim como vivem momentos muito doces e bonitos. Sofrem pressões, mas no fim vêem o seu grande sonho realizado. Gostei da forma como a autora desenvolver esta relação. Apesar de não nos oferecer nenhum aspecto imprevisível (facilmente deduzimos o que vai acontecer)  facilmente nos vemos envolvidos nas suas conversas, nos seus receios, nas suas discussões e nas suas conquistas.

Amanda não tem uma relação muito fácil com a sogra. Gostei  do confronto final entre as duas, mas teria gostado que a autora evoluísse um pouco mais e nos mostrasse o pós discussão.

 

Um outro casal, Karen e Lee representam o casal problemático. Uma relação difícil, conturbada, mas que terminou com uma Karen decidida em tomar as rédeas da uma vida onde o amor e o casamento deixaram de brilhar. Gostava de ter lido mais sobre este casal. A autora poderia ter introduzido mais aspectos desta relação, assim como mais situações de conflito. Eles mereciam um destaque maior no livro.

 

O último casal que este livro nos apresenta é pouco importante para a narrativa em si. Russ e Georgia inverteram os papéis que a sociedade impõe ao homem e à mulher enquanto pais. Assim, Russ ficou por casa a tomar contar dos filhos e das lides domésticas mantendo o seu trabalho como escritor, enquanto Georgia era uma mulher de negócios bem sucedida. Tinham as suas inseguranças, os seus receios, mas mantiveram-se firmes e fieis a si mesmos. Ofereceram tudo o que era possível oferecer ao livro e à história em si. Apenas ficou uma ponta solta: o futuro profissional de Georgia.

 

Por fim, para embelezar toda uma cena quotidiana surge a vizinha Gretchen. Uma viúva que consegue criar verdadeiros pontos de conflito entre as diferentes personagens, uma vez que fica misteriosamente grávida. Gretchen vive esta gravidez na mais perfeita solidão, mas lança a dúvida no bairro: Quem é pai da criança?

 

Para terminar gostaria apenas de acrescentar que gostei muito da forma como o tema da infertilidade foi retratado. A pressão que os tratamento exercem sobre o casal está muito bem retratada. Um aspecto relacionado com este tema e que aparece de forma mais subtil é a pressão da sociedade para que casais tenham filhos. Eu tenho um pensamento muito claro em relação a este aspecto. Na minha opinião, nem todos os casais têm como missão ter filhos, assim como não vêem nisso a sua fonte de felicidade. Infelizmente a sociedade e as respectivas famílias de origem nem sempre compreendem este facto, chegando a ser cruéis. Muitos casais, não aguentam a pressão acabam por dar a vida a crianças que não desejaram e isso irá reflectir-se na forma como se relacionam com os filhos e no desenvolvimento bio-psico-social dos mesmos. No livro, o casal em questão quer mesmo ter um filho e é algo que vai para além da pressão da família e da sociedade. Este aspecto levou-me de novo a pensar numa conversa com uma amiga em que ela afirmava que, por vezes ter filhos é um acto de egoísmo! E o certo é que às vezes coloco mesmo essa questão a mim própria: será que ter filhos é um acto de egoísmo por parte dos pais? Têm filhos só porque lhes dá alguma satisfação pessoal ou porque querem alguém que cuide deles no futuro? 

 

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras! 

 

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