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Opinião | "Livre" de Feven Abreha Tekle e Raffaele Masto

 


Livre!


Autor: Feven Abreha Tekle, Raffaele Masto
Ano: 2006
Editora: ASA
Número de páginas: 204 páginas
Classificação: 2 Estrelas


Sinopse

Por medo, abandonou o seu país. Com esperança, arriscou a vida numa viagem dramática. A coragem permitiu-lhe recomeçar.

Barcos pesqueiros decrépitos, velhos navios mercantis ou simples barcos de borracha. Todos os dias chegam às costas da Europa Ocidental embarcações cheias de africanos atraídos pelo sonho do Ocidente. Estes barcos estão carregados de histórias dramáticas, de aspirações tão fortes que levam os seus ocupantes a arriscar a vida em viagens longas, perigosas e muitas vezes fatais. Esta é uma dessas histórias: Feven é uma jovem eritreia que foge do seu país e atravessa o Mediterrâneo numa viagem clandestina com destino a Itália. A sua odisseia dura dois anos, período durante o qual é torturada às mãos de militares, em Assab, e obrigada a fugir pelo deserto; é perseguida pela lei islâmica, no Sudão, escravizada na Líbia, e quase morre de a fome a bordo de uma "carroça marítima" à deriva durante cinco dias no Mediterrâneo. Como pano de fundo, o regime cruel e repressivo em vigor na Eritreia e a proliferação das multinacionais criminosas do tráfico de seres humanos que fogem desesperados da guerra e da miséria. A história de Feven desvenda corajosamente uma verdade oculta: a vida de milhões de imigrantes africanos na Europa. Um relato comovente sobre a coragem e a força do ser humano.

 

Opinião

Este era o último livro sobre histórias verídicas que tinha para ler. Nele encontrei mais uma mulher de coragem. Feven quer sentir a liberdade que lhe irá permitir escolher os trilhos da sua própria vida. Porém a organização do seu país não permite que Feven concretize os seus sonhos.

Assim, este livro é o relato, na primeira pessoa de uma jovem que vai em busca daquilo que sonha e quer para a sua vida. Ao longo da narração, são descritas muitas situações que nos deixam revoltados, mas o grande foco do livro são as descrições das viagens clandestinas de pessoas que se vêem obrigadas a deixar o seu país de forma a fugir à opressão e/ou à guerra que destrói tudo aquilo que circunda esse meio.

 

A parte final do livro foi um pouco apressada. Senti falta de saber mais informações acerca da última viagem de Feven e da forma como essa viagem terminou e se realizou. Algo que eu gostava de saber com mais pormenor era acerca da vida actual desta jovem. Será que ela acertou as suas agulhas com Tesfalem? Eu espero que sim. Estes dois merecem ser felizes... de preferência juntos.

 

Deixem-se invadir pelas palavras. Boas leituras.

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