Avançar para o conteúdo principal

Por entre mundos diversos (2)



Vergonhosamente, nunca mais peguei nesta rubrica (assim como ainda tenho várias para iniciar). Como tinha dito no mês passado, esta seria um momento mais generalista aqui no blog. Neste sentido, aproveitando uma discussão que tem surgido aqui na blogoesfera decidi encaixá-la aqui. 

Estas semanas que passaram surgiu em em diversos canais e blogs literários uma discussão sobre opiniões negativas aos livros. Assim, decidi deixar aqui aquilo que eu penso acerca deste ponto, que por vezes é demasiado sensível para muitas pessoas. 

Esta discussão foi iniciada pela Tati no seu canal no youtube, depois de ser criticada por ter criticado negativamente alguns livros. Nesse video, a Tati falou sobre a sua posição no que respeita às críticas negativas de livros e deixou três questões que irei responder aqui.


De comprar sim, de lê-lo não. Como em muitas coisas da nossa vida, a subjectividade é um amigo constante no que toca às leituras. É ela que, no fundo, nos faz cometer algumas incongruências. Tenho quase a certeza que muitos dos livros que gostei no passado, se os lesse hoje talvez o meu entusiasmo seria diferente. Ou mesmo a altura em que lemos determinado livro influência a opinião que construímos acerca dele. 
Assim, se eu ler ou ver uma opinião negativa acerca de um livro vinda de uma pessoa que tem gostos semelhantes aos meus eu não compro o livro, mas se tiver a oportunidade de o lê através de empréstimo ou requisitado na biblioteca não deixo de o ler. Este aspecto está muito relacionado com um aspecto pessoal, eu sou muito curiosa em termos de adquirir conhecimentos, sou curiosa no que toca à aprendizagem e encaro os livros muito da perspectiva da minha curiosidade. Ou seja, se alguém não gostou eu gosto de ler o livro para ver o que de facto funcionou mal naquela história e tentar identificar o que desagradou às outras pessoas. Posso vir a não gostar do livro, mas não encaro isso como tempo perdido, muito pelo contrário.

No que toca a compras, prefiro não arriscar (sim, sou um pouco "agarrada" ao dinheiro e prefiro gastá-lo com livros que tenho 90% de certezas de que vou gostar e como ele também não abunda, não me posso dar a estes luxos de comprara todos os livros que vejo). Caso o livro tenha poucas opiniões negativas, e eu esteja mesmo interessada, aí ainda considero a compra. Mas se, houver muitas opiniões negativas e estas vierem de pessoas que têm gostos muito semelhantes aos meus, aí não compro de certeza. 


Se há coisa que gosto na blogoesfera e na troca de opiniões sobre livros quer no blog, quer no facebook, é a possibilidade de ver diferentes visões acerca de um mesmo livro. Cada um constrói a sua visão da leitura e ambos até podemos gostar do livro, mas tenho a certeza que cada um identificou pontos diferentes para o facto de ter gostado. Por isso, acho que acontece o mesmo com as opiniões negativas. Gosto de ver o outro lado, gosto de ver o que é que falhou para as outras pessoas. E, muitas vezes, me vejo a pôr em causa o meu gosto em relação ao livro. Tudo isto depende (adoro esta palavras) de inúmeros factores. 
Em conclusão, nunca descarto a opinião de ninguém. Cada opinião tem a sua validade e o seu valor. E para que as coisas sejam melhores para toda a gente, e encararmos a  discussão literária como um mundo de aprendizagem devemos ter a mente aberta ao mundo dos outros. Ao conhecermos muitos "mundos" tornamos o nosso mais rico. Desta forma, devemos aceitar a opinião negativa/positiva dos outros, podemos "discutir" os aspectos que nos levou a gostar/desgostar do livro respeitando cada um na sua individualidade, sem ataques e sem ofensas (sinceramente, ainda não percebi o que é que as pessoas ganham entrando em conflito umas com as outras só porque se falou mal do livros que idolatramos). 


Todos os livros que leio têm direito a uma opinião, mesmo que esta seja negativa. Penso que, ao fazer uma selecção, era como se me estivesse a censurar a mim própria. Acho que temos o direito a exprimir a nossa opinião, seja ela positiva ou negativa, não temos é o direito de ser mal educados quando o fazemos (agredir verbalmente o autor, utilização de vocabulário impróprio). Isto leva-me para a segunda parte da questão sobre se meço ou as palavras quando faço uma opinião negativa e confesso que é algo que tenho dificuldades em me classificar. Por natureza, eu uso as palavras da melhor forma possível e sinto que consigo passar as minhas mensagens sem que seja necessário recorrer a palavras ou expressões pouco educadas. Não gosto de ofender e penso que podemos ser sinceros usando palavras menos desadequadas. Para quem já fiz leituras betas, pode dizê-lo sobre a minha forma de lhes transmitir os meus desagrados. Consigo dizer o que não gostei ou que me fez menos sentido, sem ser mal educada. Agora não sei posso dizer que esta minha forma de agir é uma forma de medir as palavras.

Acima de tudo, penso que temos de ter respeito pelo trabalho dos outros. E não é a ofender que conseguimos fazer valer as nossas opiniões. Temos que ter em atenção que o ser humano é subjectivo e que tem gostos diversificados. Aliás, este mundo seria uma chatice se toda a gente gostasse das mesmas coisas.

E vocês, como lidam com os livros para os quais têm de fazer uma opinião negativa? E como lidam com os "possíveis ataques" a essa opinião?

Comentários

  1. Concordo a 100% com a tua opinião que expressaste de uma forma muito eloquente e sincera:) Beijos

    ResponderEliminar
  2. Já tinha comentado esta discussão no blog Páginas Encadernadas e agora gostei muito de ler as tuas respostas, com as quais concordo. Também não deixo de escrever uma opinião, caso não tenha gostado do livro. Escrevo-a e aponto os aspetos negativos dos quais não gostei e tento procurar sempre aspetos positivos. Tento sempre escrever sem ofender o autor, há que medir as palavras e não é com ofensas que expressamos a nossa opinião.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Conseguiste mostrar bem o teu ponto de vista, do qual eu concordo plenamente. Uma opinião negativa é tão importante como uma positiva - acho que não devemos deixar de as fazer só porque são negativas.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  4. Totalmente de acordo contigo! :)
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. Sim, cada uma tem a sua validade. Cabe a cada um de nós interpretá-la da melhor forma possível.
    Obrigada!
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Palavras Memoráveis

Quer dizer que podemos fazer isto juntos. Quer dizer que me deixas furar a carapaça. Só assim é que isto pode resultar. Tu deixas que eu te magoe e eu deixo que tu me magoes. Tess Gerritsen, A pecadora

Por detrás da tela | Love, Rosie

Classificação: 5 Estrelas Já há muito tempo que por aqui não aparecia uma opinião a um filme. A realidade é que já não via um filme há muito, muito tempo.  Há uns dias, enquanto via trailers no youtube cruzei-me com este Love, Rosie  e fiquei logo com curiosidade para o ver.  Adorei o filme. Eu tenho um carinho especial por histórias de amizade que, aos poucos, se vão solidificando em algo mais importante. E assim nasce um amor... Porém, nem sempre é fácil chegar a essa conclusão acerca dos novos sentimentos que vão aparecendo.  Rosie e Alex são os protagonistas deste filme e adorei as interpretações de ambos. Transmitem muito bem os sentimentos, têm um entendimento que contribui muito para a história em si.  O enredo acaba por ser simples, mas muito bonito.  É um filme para todos aqueles e aquelas que gostam de romance e de dramas que tendem a afastar caminhos que deviam estar a cruzar-se algures nos trilhos do destino. Só no fim do filme é que me apercebi que era uma adaptação do li...

Por detrás da tela | "Call me by your name" (2017) e After (2019)

Call me by your name Assim que terminei de ler o livro, achei que era uma boa ideia ver o filme. Foi a decisão mais acertada!  Temos um filme bastante fiel ao livro, porém há passagens no filme que eu só as compreendi na sua totalidade porque tinha lido o livro (mais especificamente a sequência de cenas com os calções do Oliver).  É um filme que cheira a verão. Que me fez querer ir uns dias para aquela casa, para aqueles pomares , só para sentir o cheiro da fruta madura e a frescura das águas. Isto resulta de um excelente trabalho na construção das cenas e numa boa captação dos cenários. A narrativa do filme acompanha a narrativa do livro, exceto a parte final. A intensidade da história de Elio e Oliver, a descoberta daquele amor, as dificuldades em geri-lo são aspetos que fazem parte da ação central do livro e que aparecem muito bem representados no filme. Eu estava com algum receio relativamente à forma como o livro seria transportado para o filme. Este receio tinha como base a minha...