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Palavras Memoráveis


(imagem daqui)
Kevin rodou a cabeça e olhou para mim. – Acredita na existência de Deus? Estive a pensar nisso e não acho que possa existir.
- O que é que te faz pensar assim?
- Nenhum Deus faria um mundo onde houvesse tantas pessoas que não têm um único ser que as ame. Se o mundo tivesse sido feito segundo um plano, haveria pessoas suficientes para toda a gente ser amada.
- Existem muitas pessoas, Kevin. É provável que as haja em número suficiente.
- Não. Não há. Existem muitas pessoas no mundo que não têm alguém que as ame realmente – contrapôs. Fez uma pausa e ficou a analisar a mão. – Estou a falar de amor verdadeiro, em que as pessoas nos amam sem olhar a quem somos.
- Bom, tenho de admitir que a culpa não é necessariamente de Deus. Calculo que Deus nos concedeu a todos os meios necessários para amar.
Sorriu para mim. – Hum! A Torey ainda nem percebeu do que é eu estou a falar. Não faz a menor ideia. Foi sempre amada, não é verdade? Sempre teve pessoas que a amassem.
Não respondi.
- Ora bem, tem, não tem?
- Sim, tenho.
- Então, não faz a mais pequena ideia, nem tem a mais ínfima noção daquilo que estou a dizer. Não faz ideia do que é nunca ter sido amado.
- É provável que não.
- Sabe do que morre a maioria das pessoas?
Abanei a cabeça.
- Mal do coração. É como um cancro invisível. Está no nosso coração. Pode-se senti-lo. Come-nos por dentro. É o que se tem quando não se faz seja o que for para além de nascer. O coração nunca é utilizado. E por isso apanha-se o mal do coração e o coração degrada-se. Muitas vezes, antes de o resto do corpo se degradar. Só que isso não tem importância porque, uma vez morto o coração, também estamos mortos.

A prisão do silêncio, Torey Hayden

Comentários

  1. Andava com vontade de ler outro livro da Torey mas não sabia qual escolher, agora já sei.

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  2. Espero que gostes. A cada livro que leio dela fico sempre com mais vontade de ler mais outro. Beijinhos

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