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Opinião | "Romance de Cordélia" de Rosa Lobato de Faria

 


Romance de Cordélia (Finisterra)


Autor: Rosa Lobato de Faria
Ano: 2010
Editora: ASA
Número de páginas: 218 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse


No Romance de Cordélia Rosa Lobato de Faria compraz-se em caminhar no fio da navalha, inventando um género que deliberadamente invoca, pelo avesso, o romance de cordel, forçado a figurar na primeira pessoa em algumas das passagens mais tortuosamente divertidas do livro. Livro que se constrói, em ficção, sobre uma série de histórias de vida reais, cuidadosamente recolhidas pela autora e por ela sabiamente recontadas, sem que se perca o drama, a violência, a ternura, a linguagem de um submundo forçado a ocultar-se sob a abas da nossa vergonha colectiva.(...) Mas, mais vale experimentá-lo que julgá-lo: quem, tendo-o começado, for capaz de o abandonar merece um doce. O cianeto é por minha conta.

 

Opinião

Há livros que nos deixam com pouco para dizer sobre eles. Romance de Cordélia é um desses livros! Acho que, por muito que tente exprimir a minha experiência com esta leitura, este livro oferecerá sempre sensações e percepções diferentes a quem o ler.

 

Nunca tinha lido nada de Rosa Lobato de Faria, nem nunca tinha sentido muita vontade de ler. Depois de ver a Catarina S. do Canal Little House of Books a falar sobre o livro A trança de Inês fiquei com vontade de experimentar.

 

No início foi difícil entrosar-me com a leitura e com tanta personagem que aparecia e desaparecia. O estilo de escrita da autora é também um pouco diferente do que costumo ler, mas facilmente me adaptei.

Este livro é narrado na 1ª pessoa, pela própria Lili. Lili teve uma vida preenchida pelas desgraças. Desgraças essas que se devem a uma clara falta de atitude e passividade dela. Estas desgraças são muitas mas não parecem fantasiosas ou pouco credíveis. Pelo contrário, acho que podem mesmo acontecer a uma pessoa com a personalidade da Lili.

É com estas desgraças que Lili vai parar à cadeia e aqui também assistimos a uma retrato muito credível do estilo de vida das reclusas.

Achei engraçado um aspecto de vida de uma presa. Ela gostava de ler romances com personagens com uma vida desgraçada, que se apaixonam por um homem rico e que são enganadas. Porém, conseguem sempre dar a volta por cima e vingam-se deste passado terrível e acabam a sua história com um final feliz.

 

Penso que a reclusa idealiza a sua vida como a vida das personagens destes romances. Passou a dá-los à Lili para ela lê-los. Sempre era uma forma de irem passando o tempo. 

 

Contudo, o final deste livro não apresenta qualquer paralelismo com os romances que Lili e a sua colega liam na prisão. É um final duro e ao mesmo tempo especial. Fui emocionalmente atropelada com este final. Não esperava que tal acontecesse e aquilo que me ficou foi que podemos passar por muito, mas se quisermos podemos sempre ser bondosos. E a bondade é contagiosa. No fim da sua vida, Lili encontrou essa bondade e consegui dar algum significado à sua existência e ao mesmo tempo conseguiu "contagiar" outros com este sentimento.

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