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Vamos escrever um conto? | Divulgação do conto "A Cidade"


Em Janeiro deste ano, a Denise do blog Quando se abre um livro lançou um desafio que consistia em escrever um conto conjunto. (post de divulgação aqui).

Como sabem, na altura aderi e escrevi uma parte para o conto. 

O título do conto é A cidade e deixo aqui a minha parte:


Suspirou, consciente do longo e complicado dia que a aguardava…
Como daí a pouco tempo teria de estar na biblioteca, deixou-se ficar por casa.Tinha tempo para almoçar, mas tinha ficado sem apetite. Sentou-se apenas no sofá a observar as horas passar. Odiava quando o plano que estabelecia diariamente era defraudado por algum imprevisto. Tinha-se esforçado tanto nestes últimos tempos para construir um muro bem sólido em torno das recordações de um passado feliz que se haviam enraizado no coração e na memória. Como é que a mãe fora capaz de contribuir para que esse muro se tenha quebrado, abrindo uma brecha, um espaço para a dor? E, sem se aperceber, Eva viu-se invadida por uma recordação de um dos dias mais felizes daquele seu passado que teimava em desaparecer.

Dois anos antes

Eva e Afonso estavam em Londres. Era um sonho de ambos visitar aquela cidade e já tinham passado quatro dias maravilhosos a visitar tudo aquilo que a cidade lhes tinha para oferecer. Agora, encontravam-se ao pé do London Eye. 
– Eva, achas mesmo que não consegues entrar? Vá lá, eu queria tanto experimentar ver Londres lá do alto!
– Sabes que não gosto de alturas. Mas como já estou farta da tua insistência, aceito, embora com uma condição: tens de segurar a minha mão durante o tempo todo.
Afonso sorriu e estreitou Eva num abraço caloroso que terminou num beijo terno e apaixonado. 
Entraram e o London Eye cumpriu a sua missão. Muito devagar, foi descrevendo um círculo perfeito. Lá no alto, Afonso permitiu-se observar Londres e fazer o pedido mais especial da sua vida.
– Amor, tendo esta magnífica vista como testemunha, quero perguntar-te: aceitas casar comigo? – Visivelmente emocionado, Afonso retirou uma pequena caixa do bolso e abriu-a. 
Lá dentro estava o anel mais simples que Eva alguma vez tinha visto. Ouro branco, com duas pequenas pedras. Era lindo. Tal como o seu namorado, não conseguiu conter a emoção. Afonso limpou-lhe delicadamente as lágrimas e aproximou a sua face da dela, e sussurrou:
– Então?
– É claro que sim. – Resposta que foi rapidamente abafada pelo beijo possessivo que Afonso fez questão de roubar à sua noiva. 
Enquanto London Eye oferecia a maior vista pela cidade de Londres, Eva e Afonso mantinham-se unidos por aquele beijo cheio de amor e promessas de um futuro feliz que se desvaneceu.

A recordação atingiu Eva em cheio. O melhor que tinha a fazer era pegar nas chaves e ir para a biblioteca. As lágrimas grossas ainda lhe rolavam pela face, toldandolhe a visão. Em poucos segundos, uma pequena recordação tinha feito com que aquela dor avassaladora regressasse e destruísse a pouca força que tinha sido obrigada a construir. Porque é que tudo tinha de acabar assim? Como é que este amor acabara? Afinal, o que teria ela significado para Afonso?
Perdida nestes pensamentos enquanto conduzia, Eva não imaginava o que estava para acontecer…

Quem quiser ler o conto na íntegra pode aceder através deste link. Gostaria de ouvir as opiniões dos leitores que me acompanham desse lado.

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