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Opinião | A culpa é das estrelas


A Culpa é das Estrelas





Autor:
John Green
Ano: 2012
Número de páginas: 255 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Sinopse: Aqui




Opinião
Andava com imensa vontade de ler este livro. E esta vontade crescia sempre que me cruzava com uma opinião na blogoesfera ou no Goodreads. Infelizmente, a minha experiência com o livro está muito longe das opiniões tão positivas com que me fui cruzando. 

Foram vários os aspectos que me deixaram um sabor amargo no fim da leitura. Não ri, não chorei, não me emocionei, nem sequer consegui sentir empatia pelas personagens. Quem estiver a ler esta minha opinião e adorou o livro, poderá pensar que sou insensível, mas muito pelo contrário. Quando um livro está bem escrito e bem encadeado, com personagens fortes e bem construídas eu consigo sentir aquilo como se fosse real, e isso toca as minhas emoções. Porém, com este livro eu não consegui encontrar nada que me fizesse ficar presa à história e às personagens. 
Não considero que John Green tenha uma escrita fantástica. Para mim, é mediana, com diálogos mais ou menos bem construídos e com pouca emotividade (algo que considero importante quando o tema é algo tão sensível como o cancro). Não estou a falar em termos de dramatismo! O que me quero referir é que falta sensibilidade ao autor na forma como "desenhou" toda a história. 

Hanzel e Gus estão longe de alcançarem o patamar das minhas personagens preferidas e consequentemente de casal literário preferido. Gostei mais da Hanzel do que do Gus. Acho que tudo entre eles foi repentino, com pouca intensidade emocional e deu-me a sensação que ambos andavam perdidos no mundo dos sentimentos, Não achei que Gus fosse romântico ou sequer atencioso ou carinhoso com Hanzel. Na minha opinião, o autor não soube passar esses sentimentos e deixou-me com a sensação que Gus só fazia o que fazia por Hanzel porque lhe parecia o mais correto, ou porque tinham cancro.

Há outro elemento no livro que para mim é pura e simplesmente uma forma de encher páginas. Refiro-me ao escritor holandês, que é completamente avariado daquela cabeça, e que não acrescentou nada de especial ao livro. Apenas no final, em que o passado dele foi um pouco explorado é que trouxe algum interesse, de resto é um elemento que apenas serve para encher páginas- 

O autor faz uma tentativa, a meu ver falhada, de abordar questões filosóficas relacionadas com a vida e a morte. São reflexões algo vazias de significado e com pensamentos pouco profundos.O autor ficou.se pela ligeireza em questões que são muito densas e apelam a uma reflexão mais cuidada. Em conversa com a Catarina R. do blog e canal Sonhar de olhos abertos, em que partilhávamos a nossa experiência com este autor, a Catarina fez um comentário acertado. O autor procura utilizar a intelectualidade de forma cool mas o resultado é desastroso.

E isto conduz-me à forma como o autor abordou a questão "cancro" ao longo do livro. Gostei da forma mais crua que foi prevalecendo em Hanzel e Gus acerca da sua experiência enquanto doentes oncológicos, porém a forma como abordou o impacto deste problema em relação aos aspectos pessoais, familiares e comunitários foi pouco pormenorizado e não destacou a importância de todos estes aspectos nesta luta.
Um aspecto que me deixou um pouco desiludida foi o facto de o autor não abordar mais as questões relacionadas com as actividades experimentais com o medicamento. Penso que daria momentos mais interessantes do que o escritor holandês. Foi tão mal aproveitado que até pode passar despercebido a quem não faz uma leitura mais atenta. 

Sei que a grande parte das pessoas ficou muito encantada com o livro. Não sei se caso eu tivesse lido este livro uns anos antes, com menos idade, conseguisse olhar de forma apaixonada para o livro. Mas isso, já não posso descobrir. Caso partilhem, ou não, da minha opinião façam o favor de comentar.

Comentários

  1. Olá!

    Nunca li este livro. Do autor só li "Quando a Neve Cai" e não gostei muito. Houve algo que não me cativou na história! E muita gente adorou. No meu caso, não gostei. A minha estreia com John Green não correu muito bem.

    Beijinhos e boas leituras!

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  2. Olá Isaura!
    Obrigada pelo comentário!
    Esta também foi a minha estreia com o autor e não foi nada positiva. Muito sinceramente não tenho vontade de conhecer outros livros dele.

    Beijinhos e boas leituras também para ti! :)

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  3. A minha estreia com ele foi com o Cidades de papel e também não foi positiva. Apesar de serem livros diferentes vi as mesmas falhas que mencionas no livro que li. E tal como tu também não tenho vontade de ler mais livros dele :P Beijos

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  4. Bem, partilhamos a nossa desilusão com John Green. Mas até hoje ainda estou para perceber o sucesso deste livro. Para mim é muito básico, aliás demasiado básico. Beijinhos

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  5. Como eu me revi nesta tua opinião. Este livro foi a minha leitura de 2014 e senti-me tão desapontada, face ao que eu sentia (ou melhor, dizendo, ao que não sentia) e as opiniões que tinha lido anteriormente.
    Ainda não escrevi opinião sobre ele, porque nem sabia o que dizer, tirando o facto de ter sido uma leitura demasiado indiferente para mim, apesar do assunto principal...
    Beijinho

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  6. Eu a pensar que era das únicas pessoas a sentir isto com este livro... Vi tanta gente a idolatrá-lo, e para mim foi tão insípido. :p
    Espero que ganhes coragem para escrever a opinião, não é fácil... Para mim foi difícil escrevê-la.
    Beijinhos

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  7. Bem, consegui finalmente escrever a minha opinião sobre este livro. Não consegui ser tão detalhada quanto aos pormenores da história, só me consegui focar na miséria de emoções que este livro transporta para nós, tendo em conta o tema de que trata. Enfim, foi uma grande desilusão mesmo. Ainda bem que vejo que não a única.
    Beijinho

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  8. Eu também já li este e ainda não tive inspiração para escrever uma opinião decente, pois é mesmo essa a questão, não me cativou para tal e foi mais marketing que outra coisa, pois à livros dentro do género bem mais emocionantes e tocantes e este, para mim, é um drama confuso adolescente que tenta ensinar lições de vida sem sucesso, ou então são limitadas para a minha maturidade, que estou habituada (tanto a ler como a viver) situações bem mais violentas e dramáticas :/

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  9. Talvez seja mesmo isso, Liliana,uma limitação em termos de maturidade (também eu muito habituava a uma vida mais exigente em termos de maturidade). E claro, muito, muito marketing em torno de um livro (eu ainda nem sequer tive vontade de ver o filme).
    Acho que autor foi muito ligeiro tendo em conta o tema que se propôs a tratar. E a mim, isso irritou-me. O tema merecia muito mais do que um drama adolescente :P

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  10. Basicamente é isso mesmo, um drama adolescente, mas pessoalmente acho que este é dos poucos casos em que até gostei mais do filme que do livro.

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  11. Já li livros brilhantes e livros incríveis que me fizeram querer mais e não o largar, e certamente este é um deles, sinceramente não sei como é possível não se apaixonar por este livro.

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