Avançar para o conteúdo principal

Opinião | "A Rapariga do Comboio" de Paula Hawkins

A Rapariga no Comboio

Classificação: 3 Estrelas

Muito foi o sucesso que este livro despertou na comunidade leitora. Cruzei-me com muitas opiniões positivas, mas também com opiniões menos favoráveis. Eu gosto de ler as opiniões das pessoas, mas elas não condicionam a minha escolha em ler ou não ler determinado livro. Somos todos diferentes e isso traduz-se em gostos diferentes, por isso, na dúvida dou sempre oportunidade ao livro. 

A Marta do blog I only have emprestou-me o livro e aqui surgiu a oportunidade de leitura. Muito obrigada, Marta. 

Começando por escrever sobre o início do livro, aquilo que eu senti foi aborrecimento. Penso que a autora não consegue cativar com a sua escrita e a narrativa não me pareceu muito interessante. À medida que a leitura vai avançando, vou conseguindo compreender a dinâmica das coisas e entrando mais no universo das personagens. 

Paula Hawkins consegue aqui um panóplia de personagens extremamente pesada. Cada um tem os seus fantasmas e os seus lados mais obscuros. Considero que algumas personagens precisavam de ser mais trabalhas, dar-lhe mais dimensão aos olhos do leitor. Para mim, a mais complexa é Megan. Ela tem um universo emocional muito característico e muito vincado pelo seu passado. Uma mulher completamente insatisfeita no que respeita ao amor. Acho que ela nunca consegui interiorizá-lo no seu ser. Andou demasiado tempo a fugir das sombras da sua vida. Só fiquei triste pela forma como ela nos foi sendo apresentada ao longo do livro. Foi confuso e merecia um maior destaque. 

Rachel e Anna são personagem com quem é muito difícil simpatizar. A primeira porque chega ao um ponto em que não aguentamos mais a sua falta de inércia em relação ao que a tormenta. A segunda porque assume uma atitude prepotente e egoísta. Acho que ela esteve bastante mal no final... Apeteceu-me bater-lhe. 
Apesar de toda aquela carga pesada, eu consegui perceber o que ia dentro dela. No fundo, ela apenas precisava de alguma coisa e de alguém que a arrancasse do poço. 

Se a autora pretendia manter a dúvida em relação ao responsável pelo assassinato, comigo não foi bem sucedida. Desde cedo comecei a desconfiar de quem seria o responsável pelo crime.

O desfecho final foi, em certos aspetos, apressado e pouco satisfatório.

De um modo geral, penso que faltou um pouco mais de complexidade na descrição dos crimes. Do meu ponto de vista houve um excesso de atenção em relação à Rachel e aos seus problemas com o álcool e dramas pessoais. Há uma necessidade de adensar e tornar ainda mais complexa a personalidade de Megan, para isso, era só dar-lhe um pouco mais de protagonismo.

Comentários

  1. Olá Silvana,
    Já li este livro e também senti que me desiludiu um pouco. É daqueles exemplos, que é bastante falado e nós criamos muitas expectativas, que depois acabam por não corresponder.
    Confesso que não descobri o culpado mas realmente senti que tudo andou um pouco a "engonhar".
    Que venham melhores leituras =)
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Olá Tita,

    Sim, podem ter sido mesmo as expetativas que nos deixam pouco espaço para sentir o livro de outra forma.
    Sim, há coisas que não foram muito bem exploradas. Achei, também, que foram criados muitos estereótipos em volta das personagens. E o final confirmou esse estereótipo.
    E vieram :). Não resisti e já ataquei no "E tudo o vento levou (vol.2)" :) :)
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

Dia 9 * 45 days book challenge

Dia 9 - Livro mais longo que leste  Nómada - Stephenie Meyer Número de páginas: 836 páginas Acho que este livro só tem 836 páginas porque tem um tamanho de letra considerável. Acho que já li livros com menos páginas que se tornam mais longos que este. Contudo este acaba por ganhar em número!