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Opinião | "O ladrão de sombras" de Marc Levy

O Ladrão de Sombras

Classificação: 4 Estrelas

Fiquei fã de Marc Levy assim que li o livro O primeiro dia. Foi a minha estreia com o autor e nasceu aí a minha curiosidade para com as suas obras.
À medida que vou lendo os seus livros cada vez mais sinto que o autor tem uma forma muito característica de escrever e de nos dar a conhecer as suas histórias. Por essa mesma razão, penso que é um daqueles escritores que, dadas as suas particularidades, pode não agradar à grande maioria das pessoas. 

O ladrão de sombras é um livro narrado na primeira pessoa por um menino com um dom especial: roubar as sombras das pessoas que se cruzam no seu caminho. 
Na minha humilde interpretação penso que tudo aquilo que envolve esta personagem é simbólico. Este ladrão de sombras, do qual nunca chegamos a saber o nome, é uma representação daquilo que devia ser o ser humano: alguém sensível, empático, atento aos outros, bondoso e claro, com os defeitos que nos tornam humanos. Assim, tendo em conta a mensagem que este livro nos oferece, todos nós devíamos ser capazes de "roubar" as sombras dos outros de forma a entrar no mundo mais interior e, assim, ajudar a mitigar as suas tristezas. Eu sei, é algo difícil... Há sombras difíceis de "roubar", e o nosso ladrão também o reconhece.

É assim que o nosso ladrão se vai mostrando e crescendo. Com o avançar das páginas ficamos a conhecer um jovem adulto com responsabilidades e defeitos mas com uma sensibilidade e bondade fora de série. 

A forma como Levy encaixa as palavras é deliciosa. Com uma escrita simples e bastante cuidada, o escritor vai convidando o leitor a refletir sobre o natureza humana e sobre os acontecimentos que nos vão sendo apresentados ao longo do livro. Só não lhe dei 5 estrelas por dois motivos: 1) pelo final que, apesar de muito bonito, me deixou em eterno estado de frustração (porque é que acabaste esta história assim, Levy) - eu queria mais, muito mais; e, 2) é um spoiler e não quero revelar para não estragar a leitura a quem não o leu - foi uma pequena ponta solta que não foi agarrada pelo escritor e que fazia aqui alguma falta. 

É um livro onde a amizade, as perdas, as diferentes formas de amor, o respeito pelo outro e sensibilidade se entrelaçam de uma forma muito especial e que marcaram. Um livro para permanecer no coração e para ser relido em diferentes etapas da vida. 

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