Avançar para o conteúdo principal

Por detrás da tela | A lista de Schindler (1993)

Resultado de imagem para a lista de schindler imdb
Classificação: 10/10 estrelas

Nunca tinha visto este filme. Foram muitas as opiniões com que me cruzei antes de me decidir a vê-lo. Acho que não estava preparada para a brutalidade que encontrei. Este filme é bom pela sua capacidade de nos mostrar uma realidade cruel, nua e crua, onde a frieza humana é surreal. Com este filme fiquei a conhecer o limite da minha sensibilidade. Eu conhecia-me como uma pessoa sensível, muito emotiva em relação às pessoas, aos animais, às coisas do mundo em geral... Este filme foi dos piores momentos que tive. Eu sobressalta a cada som de tiro, eu olhava horrorizada para cada pessoa que era morta pelo simples prazer daquele que empunha uma arma. Foi uma experiência tão angustiante que ainda hoje me custa a recordar aspetos do filme. 

É um filme muito duro de se ver. Nota-se que tudo foi construído, filmado e encadeado com muito, muito cuidado. A intencionalidade em produzir o filme a preto e branco foi muito bem conseguida. Se queriam passar anda mais horror, pelo menos comigo conseguiram. A banda sonora que envolve as cenas, as expressões faciais, a rudeza e brutalidade dos soldados, a astúcia de Schindler... São aspetos demasiados bem feitos, tão feitos que o horror de saber que aquilo aconteceu me aperta o coração de uma forma impensável. 
Às vezes gostava de pensar que aquilo é apenas fixação, que a natureza humana não pode ir tão longe. Mas foi. E de uma forma tão atroz que me pergunto: O que é que passaria na cabeça dos soldados quando a guerra acabou e se deram conta da maldade que fizeram? E será que se deram conta dessa maldade?
É mau demais pensar no ser humano dessa forma. 

Acho que este filme devia ser visto pelo maior número de pessoas possíveis. Tudo para que não se esqueçam que todos somos humanos, que todos sofremos e que todos temos direito a condições dignas. Não é a nossa raça, a nossa religião, a nossa identidade sexual que nos define enquanto boas ou más pessoas. 
Atualmente têm surgido movimentos extremistas pelo Mundo. Este aspeto assusta-me um bocadinho sempre que penso naquilo que antecedeu a 2ª Guerra Mundial. Adicionando a isto, os constantes ataques terroristas que se têm disseminado, espalhando o terror em diferentes cidades mundiais. 
Apesar de Schindler se ter valido de trabalho quase escravo para prosperar no mundo dos negócios, aquilo que ficou foi a vontade que teve em salvar imensas vidas. E, no fim, pareceu-me que apesar da sua ambição, ele era uma boa pessoa. Chorei com o final, chorei com a forma como Schildler se debateu com o exército de forma a proteger aquelas pessoas. 

A lista de Schindler é um filme que convida à reflexão. Um filme que nos convida a mergulhar no lado obscuro da natureza humana. Ficará marcado em mim durante imenso tempo. Dado o grande impacto emocional que teve em mim, sinto que tão cedo não o conseguirei rever. Estando consciente de tudo aquilo que senti ao ver este filme, acho que nem nos próximos 10 anos me volto a cruzar com ele. 

E vocês, o que sentiram com este filme?

Comentários

  1. Olá Silvana,
    Acreditas que ainda não consegui ver este filme completo? A ver se vejo em 2017!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Olá Tita,

    Claro que acredito. Este é daqueles filmes que devemos ver pelo menos uma vez na vida. É duro e cru... Só te digo, quando terminei de ver fiquei com uma dor de cabeça horrível. Foi emocionalmente intenso, mexeu imenso comigo. Como disse na opinião é daqueles filmes que não quero rever tão cedo.
    Fico à espera da tua opinião.
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

As leituras obrigatórias estão fora de validade?

Tenho-me cruzado com algumas vozes a alertarem para a necessidade de se alterarem as obras de leitura obrigatória na disciplina de Português. As opiniões fundamentam-se na antiguidade das obras, no facto de serem de difícil leitura para os jovens, por não cativarem a população mais nova para a leitura, entre outras. Eu não me revejo nestas opiniões. Não acho que se devam mudar as leituras que integram os programas curriculares. O que acho que deve mudar é a forma como convidamos os jovens para a leitura. Mas vamos por partes. Há jovens que gostam de ler. Porém, nos dias de hoje, a oferta ao nível dos conteúdos digitais e de outros elementos de distração oferecem aos jovens de hoje conteúdos mais apelativos e de consumo mais instantâneo. Este tipo de oferta sacia (por vezes falsamente) as suas necessidades imediatas. Tudo acontece demasiado depressa e a leitura exige tempo, contemplação e reflexão. E grande parte dos jovens considera um desperdício de tempo ler. Acho que daria um estudo...