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Opinião | "Eleanor & Park" de Rainbow Rowell

Eleanor & Park
Classificação: 4 Estrelas

Eleanor & Park foi uma agradável surpresa. Comecei a ler sem qualquer tipo de expetativas. A minha experiência anterior com a autora não tinha sido muito boa, portanto parti para a leitura com a mente livre. E, sem querer, fui apanhada numa teia de um amor simples, com muita complexidade à mistura.

O início da leitura não estava a ser nada de especial. Aliás, acabei por ativar as más recordações que restavam do Fangirl e dei por mim a pensar se isto não muda de plano eu desisto de ler esta autora, pois não me consigo deixar cativar pelas palavras dela. Contudo, as coisas mudaram. A minha experiência com a leitura é a verdadeira metáfora da relação entre Eleanor e Park. A minha ligação ao livro e às personagens cresceu à medida que eles se iam conhecendo e me iam dando um bocadinho mais deles. Quando o click entre eles aconteceu eu já estava rendida à capacidade que aqueles jovens tinham de se adaptar às adversidades e à capacidade de olhar no coração um do outro. No fundo, esta experiência de leitura muda com as personagens e com as situações. 

É uma estória tão simples, mas muito cheia de significados. A inocência de um primeiro amor, a descoberta de ligações especiais e a sobrevivência a meios agrestes, está impressa em cada passagem do livro que somos convidados a ler. É nesta interligação de situações que residem emoções realistas que passam por momentos de romance, de drama, de amizade, mas sem serem lamechas ou exagerados. Foi fácil para mim ir sentindo aquilo que as personagens viviam e isso deve-se à mestria da autora em nos contar os pormenores que fazem toda a diferença naquilo que unirá Eleanor e Park. 

Apesar de ter gostado imenso do livro e de, neste momento, sentir um enorme vazio por ter terminado a leitura e ter ficado com aquele final gravado na minha cabeça, não lhe consigo dar a classificação máxima porque senti que faltou ali qualquer coisa (que ainda não consigo explicar) para me arrebatar completamente. 
A estrutura do livro e o rumo da narrativa deixaram-me a pensar que foi tudo propositado de modo a ser dirigido a um público mais jovem. Assim, penso que a autora deixou muito espaço à nossa imaginação e que começa desde logo com a relação entre a Eleanor e o padrasto. 
Neste livro é também abordado um assunto que sempre me fez pensar e para o qual ainda não consegui elaborar uma explicação lógica e coerente aos meus olhos. Frequentemente me pergunto como é que uma mãe consegue abdicar do bem estar dos filhos em detrimento de uma relação doentia com um homem? A psicologia dá-me muitas respostas, porém o meu coração e a minha sensibilidade oferecem uma grande resistência na sua aceitação. Daí ter desenvolvido um pequeno ódio em relação a Sabrina (mãe de Eleanor). E é aqui que eu gostava de ver um final mais claro, o que é que de facto aconteceu à Sabrina e à sua família. 

Em relação ao final da Eleanor e do Park fez-me todo o sentido. Um amor assim, muito idealizado, muito sofrido, muito sentido enquadra-se na forma como a autora decidiu terminar a estória deles. Talvez não seja do agrado da maioria dos leitores, porém eu considero-o adequado e que torna aquela estória de amor ainda mais especial. Cada momento relatado nas últimas páginas contribui ainda mais para as minhas reflexões e imagens mentais de o que é que aconteceu a seguir. Como é que estarão a Eleanor e o Park na atualidade, passados cerca de 30 anos? Tenho imensa curiosidade e já imaginei uns quantos cenários.

Bem... Esta minha experiência tornou-me bipolar em relação a autora. Tenho de um lado um livro que não gostei e de outro que quase me encheu por completo. Tal situação não me permite elaborar uma opinião sólida em relação à minha experiência com ela. Terá de ser um próximo livro a contribuir para a minha decisão. 

Comentários

  1. Olha, sou assim em relação à Joanne Harris.

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  2. :) Por acaso já li um dessa autora, "Cinco quartos de laranja" e não me convenceu lá muito. Porém ainda não voltei a ler mais nada.

    ResponderEliminar
  3. Olá Silvana,
    Este foi o único livro que li da autora e gostei bastante!
    Também não percebo muito bem a posição da mãe da Eleanor. Faz-me alguma confusão!
    Quanto ao final, confesso que gostava de ter ficado a saber um pouco mais e que fosse mais "feliz" para os dois. Mas percebo-o e acho-o mais real.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Olá Tita,

    No meu caso foi o segundo. Terei de ler um terceiro para definir melhor a minha posição em relação à autora.
    Sim, faz mesmo confusão. Apesar de saber que não é de todo irreal.
    Eu entendo! No fundo, todos nós queremos esse final mais "feliz" ou, pelo menos, saber um pouco mais... Porém, é como dizes, é bem mais real assim.
    Beijinhos

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