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Opinião | "Regresso a Mandalay" de Rosanna Ley

Regresso a Mandalay
Classificação: 4 Estrelas

Como é que se parte para outra leitura depois de uma leitura intensa e que nos transportou para outra realidade? É este o sentimento que ficou assim que terminei de ler Regresso a Mandalay. Queria muito mais deste livro, queria sugar cada pedacinho de vida das personagens, queria simplesmente saltar para Mandalay e sentir os cheiros que sobrevoavam aquelas terras.

Este livro foi-me emprestado por uma amiga. Ao emprestar-mo disse "Quando terminares vais ficar com vontade de viajar até Mandalay". Eu, desconfiada, dei-lhe uma resposta vaga. Eu nunca senti um grande chamamento relativamente ao continente Asiático. Eu sou muito esquisita com a alimentação, não me dou com o calor e não tenho aquele espírito aventureiro que associo à descoberta deste continente. Mas querem saber uma coisa? Que se lixe esta minha personalidade introvertida e introspetiva... Vou ter de dar a "mão à palmatória": Sim, amiga Carina, fiquei com uma vontade inexplicável por me mandar para a Ásia e vaguear por um mundo que desperta os sentidos e onde o pôr do sol parece ser das coisas mais bonitas de se ver... Pela leitura de alguns momentos em que as personagens assistiam ao pôr do sol, aquilo que senti era como se estivesse a ler uma poesia suave e sentimental, ou a ouvir uma daquelas músicas que tocam ao som das batidas do nosso coração. Foi lindo.

Este livro mexeu comigo. Fez-me pensar, fez-me admirar a cultura budista, fez refletir sobre a minha forma de olhar as coisas e sentir a vida. 
No livro encontramos o cruzamento das histórias passadas e presentes. Viajamos pela Segunda Guerra Mundial e de como ela foi sentida na antiga Birmânia. Conhecemos os muitos rostos que amor por assumir. Somos confrontados com o alturísmo e a serenidade de Maya, lutamos com Rosie contra os seus fantasmas, palpitamos com o carinho de Lawrence e viajamos ao interior da Eva e às mudanças que lá operam durante uma viagem especial. 

Acho que a Maya merecia um livro só para ela. Esta mulher tem tanto por descobrir. Senti a sua serenidade, a sua sabedoria e a sua beleza exótica. Ela tinha tanto para partilhar... Eu sugava as palavras dos capítulos em que ela assumia o papel central. E o que senti no fim é que não consegui aceder a todos os recantos da personalidade de Maya. Um dia, gostava de conquistar a serenidade e beleza interior desta mulher. É fenomenal. 

Falta falar de Ramon. Admirei a sua integridade e o quão fiel ele se mantinha aos seus sonhos sem esquecer o lado ético. Um homem inteligente, perspicaz e que eu gostava de conhecer.

E é assim que um livro me conquista e semeia em mim a vontade de sair da minha zona de conforto e conhecer a Ásia e os seus recantos mais belos e os mais pobres. Quem sabe um dia! 

Comentários

  1. Olá Silvana,
    Já vi este livro várias vezes na biblioteca, mas nunca o trouxe. Mas com a tua opinião fiquei mais curiosa.
    Beijinhos e boas leituras

    ResponderEliminar
  2. Olá Isa :)

    Acho que deves trazer, não te vais arrepender :).
    Aguardo a tua opinião.
    Beijinhos

    ResponderEliminar

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