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Opinião | "Desaparecidos" de Caroline Eriksson

Desaparecidos
Classificação: 2 Estrelas

Nota: Esta opinião contém spoilers. (Desculpa, mas só assim consigo justificar a minha relação menos positiva com o livro).

Desaparecidos foi a minha estreia com a autora Caroline Eriksson. Quando vi o livro, e tendo em conta a bom experiência da Denise, estava à espera de me sentir muito mais envolvida na narrativa. 

Se me pedissem para descrever o livro numa palavra, eu escolheria confusão. Devem estar a pensar, mais isso é bom para um livro do género. Bem... seria se esta confusão tivesse lógica. Tem alguma! No final, consigo alinhar alguns dos momentos e perceber algumas situações, porém acho que a forma como a autora conduziu tudo e o fim que lhe deu simplesmente não funcionam para mim.
Na minha opinião, ela tentou pegar em algum comum, desaparecimentos, e procurou dar-lhe uma roupagem diferente daquela que vai povoando livros dos género. É preciso ter cuidado quando alinhamos neste tipo de estratégias. É preciso criar algo com coerência e que faça sentido. ALERTA SPOILER - Como é que a filha de um homem reage tão bem a uma mulher que não conhece e que para além disso é amante do pai???  Como é que uma criança de oito anos pode empurrar um adulto de uma janela, um lugar que é mais alto do que ela??? Apesar de este último ter uma resolução mais ajustada, não faz sentido a ideia que ela criou! - FIM SPOILER

Outro aspeto menos positivo foi uma narrativa paralela que ali juntaram. Simplesmente pegaram em adolescentes e colocaram-nos na ilha só porque até poderia funcionar e criar aqui uma relação complicada para fazer a Greta pensar. Infelizmente chegamos à Greta... Um dos comentários numa das abas do livro é que ela é uma personagem muito bem construída. Andei o livro todo à procura desses sinais. A autora, na minha perspetiva, não a conseguiu tornar perturbada o suficiente e isso deixou-a a meio caminho da boa construção. Há coisas nela que, simplesmente, não encaixam. Falta-lhe uma dimensão psicológica muito mais negra e que deveria ser adensada pela carga negativa que ela viveu na infância.

Alex é homem que merecia que o seu lado negro e sombrio emergisse mais nesta narrativa. Ficou de forma muito superficial. 
Este livro iria funcionar se fosse narrado a mais vozes e de forma mais clara, objetiva e com mais acontecimentos interessantes. 
Penso que alternar capítulos entre Greta, a mãe de Greta, o Alex, a Smilla e a esposa de Alex traria uma maior dimensão ao livro e permitir-nos-ia conhecer mais das personagens, das situações. Para ficar melhor alteraria alguns aspetos da narrativa. É um livro que precisa de uma reestruturação no que acontece e na forma como acontece.

E é agora que a Denise me mata, esfola e prepara as coisas para escrever um policial sombrio e mórbido, onde eu sou o cadáver perfeito. Mas antes que ela deixe a sua raiva tomar conta das suas ações, deixo-lhe o título: "A rapariga que tornava os crimes imperfeitos".  

Comentários

  1. O que tu me fizeste rir com o parágrafo final! Não te vou fazer nada disso :P Não gostaste tanto, paciência, pode ser que a seguir consiga acertar no livro :)

    Beijinhos

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