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Opinião | "Sangue-do-coração" de Juliet Marillier

Sangue-do-Coração
Classificação: 4 Estrelas

Eu tenho uma relação complicada com a fantasia. É um género que tenho alguma dificuldade em ler, porque nem sempre me identifico com o que os autores escrevem. Sendo eu uma pessoa muito racional as coisas ligadas ao que foge da realidade não se encaixam muito bem na minha mente. 
Apesar disso, os livro de Juliet Marillier conseguem ultrapassar a minha barreira racional e conseguem prender-me à leitura e a deixar-me encantada com as histórias e as personagens.

Sangue-do-coração é o quarto livro que leio da autora e apresenta-nos uma história inspirada na história da Bela e o Monstro (esta inspiração estava tão enraízada na minha mente que pensei que Anluan teria um final ligeiramente diferente). 
Eu gostei muito de me perder por estas páginas e conhecer todas as gerações que contribuíram para que Whistling Tor se tornasse num lugar mágico, peculiar e habitado por entidades tão diversas e com papéis tão distintos que, cada uma delas à sua maneira, oferece um toque especial ao desenvolvimento da narrativa. 

Caitrin é a personagem feminina principal e da qual gostei imenso (porém não consegue superar Sorcha nem Niamh da trilogia Sevenwaters - não há amor como o primeiro, está visto) e que carrega tanta coragem e determinação que se tornou uma verdadeira inspiração para mim. Gostei de ver a sensibilidade dela e a forma como essa mesma sensibilidade foi fundamental para chegar ao coração de cada um dos homens que habitavam as terras de Whistling Tor. 

Anluan é o nosso "mostro". Considero que é uma personagem muito interessante, que em cada passagem, me levava de volta ao monstro da Bela e o Monstro. Mas, Anluan é ainda melhor que o Monstro. O facto de termos acesso a mais informação sobre ele, à forma como cresceu e viveu até então isso deixou-me mais próxima dele e enchia-me de alegria sempre que sentia que o seu coração afastava o negro e deixava espaço para que a esperança e o amor se enraízassem.

Por fim, quero destacar Muirne. É uma antagonista brilhantemente encaixada na narrativa e que quase merecia um livro só dela. Cheguei ao fim a desejar conhecer de forma mais profunda esta mulher. Queria compreender melhor as suas motivações para toda a influência que ofereceu às diferentes passagens da narrativa.

Relativamente à parta fantasiosa da narrativa, esta centra-se em maldições, espíritos, magia negra... Da minha pouca experiência com livros do género, quando se trata de histórias que contém estes aspetos conjugados com boas personagens e uma ação interessante e cativante facilmente me deixo encantar com este género de livros.

Para quem é fã de fantasia, tenho a certeza de que este livro irá cumprir todos os requisitos destes leitores para uma boa leitura. Penso que chegarão ao fim com a sensação de terem entrado num universo paralelo, cheio de mistérios, segredos e rituais mágicos que são necessários desconstruir para conseguir que as trevas se afastem e deixem espaço para que o sol volte a brilhar no reino de Anluan.
Para quem não é fã de fantasia, libertem a mente e tente ver para além do mundo estranho que envolve as personagens. Encarem a maldição como algo exterior e que condiciona o funcionamento daquele território. É como muitas daquelas coisas que acontecem na nossa vida para as quais não temos uma explicação lógica ou racional. Whistling Tor é mesmo isso, um lugar onde o tempo ficou aprisionado na magia negra que recebeu e que apenas precisa deixar-se penetrar pela luz e bondade de alguém. O melhor é olharem para a narrativa como uma história povoada por pessoas comuns numa situação invulgar. Isto tudo para vos dizer que devem dar uma oportunidade ao livro.  

Comentários

  1. Olá Silvana,
    Falam muito bem desta autora. Como não sou de ler fantasia acho que não vou ler. Mas já percebi que esta autora é uma referência. Bom...quem sabe um dia ;)
    Beijinhos e boas leituras

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  2. Olá Silvana,
    Li este livro assim que saiu e adorei a história. Mas comparativamente aos primeiros livros da autora (Sevenwaters - a trilogia inicial, Bridei e Ilhas Brilhantes), fica um pouco aquém. Mas a escrita da Juliet é maravilhosa e sim, é um bom livro de fantasia.
    E fico contente por teres gostado =)
    Beijinhos e boas leituras

    ResponderEliminar
  3. Olá Isa,
    Pertences ao meu clube dos não fãs de fantasia. Contudo, acho que eras capaz de gostar de ler alguma coisa da autora. Lá está, quem sabe um dia. ;)
    Beijinhos

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  4. Olá Tita,
    Como fã da autora que és não me admira ;).
    Ainda tenho ali na estante "O filho de Thor" para ler, mas é tão grande o livro que vou sempre adiando.
    Obrigada :). Como sabes não sou fã do género, mas esta autora consegue sempre cumprir a sua tarefa comigo.
    Beijinhos e boas leituras.

    ResponderEliminar
  5. Gosto bastante deste livro, daí ter ficado contente que tenhas gostado também, embora não sejas fã do género. Acho que este livro é realmente diferente das restantes séries da autora, mas acaba por ser único na forma como toda a fantasia se entrelaça na história.
    Agora fiquei com vontade de o reler :)
    Beijinho

    ResponderEliminar
  6. Obrigada :). Sim, achei piada ao forma como a fantasia se encaixa em toda a narrativa e até gosto deste tipo de fantasia.
    Estás sempre a tempo de o fazer. :)
    Beijinho

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