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Opinião | "Uma boa mulher" Jill Alexander Essbaum

Uma Boa Mulher
Classificação: 4 Estrelas

Deste vez decidi partir para a leitura deste livro completamente em branco. Assim que ele me chegou a casa, enviado pela Denise para o nosso projeto do empréstimo conjunto, foi diretamente para a mesinha de cabeceira e aguardou, pacientemente, a sua vez. Não li nada, nem sequer a sinopse. Não fazia ideia do assunto que era retratado no livro.

Uma boa mulher é um livro duro e emocionalmente muito depressivo. Aliás eu senti-me extremamente depressiva no fim desta leitura. Foi muito complicado acompanhar Anna no seu sofrimento silencioso. Acho que ela se sentiu uma mulher bastante vazia e isso passou para o lado de cá. O sexo, qual droga capaz de afagar o ego e camuflar os sentimentos de tristeza que brotam sem razão aparente, foi o escape dela. Não achei correto o comportamento dela, fez-me imensa confusão e, em algumas situações senti mesmo nojo dela. Porém, olhando de forma distante para a situação e pegando numa visão mais profissional consigo perceber o porquê. Se há pessoas que procuram na droga uma qualquer sensação de bem-estar, Anna encontrava-a no sexo essa sensação de bem-estar e de fuga à sua realidade.
Eu comecei a entrar mais profundamente na complexidade do ser de Anna após um acontecimento no livro que me chocou de uma maneira que nem consigo expressar por palavras. Foi muito duro ler aquela passagem.

Um outro aspeto que me atirou para a tristeza foi a forma como a Anna via a Suíça. Conhecer este país pelo olhar da Anna foi duro, triste e me deixou um pouco desiludida. Eu não conheço o país, mas muito daquilo que ouço por parte de pessoas que conheço e que lá vivem é ligeiramente diferente desta personagem. Sim, a Anna estava completamente deprimida e fora do seu "lar" emocional, mas custa imenso ler isto. Apesar de reconhecer veracidade me alguns aspetos (por exemplo: a extrema organização, o ser um país de trabalho, a rigidez das pessoas, dos lugares) sinto que ela nos pintou um quadro tão cinzento, que apenas me deixou triste. Até porque é um país que eu quero imenso conhecer.

Não consigo dar classificação máxima a este livro por dois aspetos: 1) as consultas de psicanálise pouco desenvolvidas; e 2) a necessidade de conhecer mais de Anna e mergulhar mais no seu íntimo. Estes dois aspetos acabam por estar relacionados. Se as consultas fossem mais desenvolvidas, provavelmente conseguiria saber mais de Anna, compreender melhor os fantasmas que assombravam os seus sentimentos.

Este livro tem um final épico. Dos melhores finais que já li. Aliás tive de ler duas vezes para ver se de facto tinha entendido bem.
É uma narrativa muito dura, emocionalmente pesada mas que é uma excelente mensagem de alerta para pessoas que vivem em estados depressivos e que recorrem a métodos complicados para lidar com a sua situação. Devem pedir ajuda, e o profissional deverá ser capaz de ter humildade suficiente para perceber quando já não consegue ajudar mais a pessoa. Anna não teve essa sorte. A psicanlista dela deveria tê-la reencaminhado para alguém com uma abordagem teórica diferente. Anna precisava de soluções e de uma mudança na sua vida e não o estava a conseguir com aquelas sessões.

Eu gostei do livro, apenas mexeu comigo de uma forma estranha. Deixou-me triste, depressiva, mas penso que isso poderá ser positivo. Afinal, o livro consegue passar algo para nós.


Comentários

  1. Fico contente por ver que não foi uma leitura assim tão desagradável como me estava a parecer quando me falaste das tuas impressões.
    É um livro que pode ser bastante deprimente, como disseste, e se calhar foi por isso que gostei tanto. Acho que me identifiquei com a Anna, tentei perceber como seria estar num país desconhecido, não ter amigos, não se sentir satisfeita com a vida, sentir-se completamente deslocada... não é de admirar que a sua visão seja assim tão cinzenta.

    Mas o livro mexe connosco. Comigo foi mais do género: "uau! melhor final de sempre!!" :P

    Lá terei de continuar a ver se encontro o livro certo para te arrebatar!

    Beijinhos

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  2. Fiquei curiosa! Quanto à Suíça, já lá estive e sim, são rígidos e organizados, mas não é um mau sítio para se visitar (nem onde se viver) (;

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  3. Até uma certa parte do livro eu tive dificuldade em entrar na cabeça da Anna. Acho que ela já era uma pessoa "especial" antes de ir para a Suíça e faltou isso. A autora podia ter-nos dado mais.
    O final foi surreal. A autora terminou de uma forma muito certeira.

    Lol... É algo que vai ficando complicado. Nem eu acerto nas minhas escolhas. Ando com fraca pontaria para livros.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. É um livro que foge um bocadinho àquilo que é comum. É um livro que aborda mais o lado cinzento da vida.
    Ainda bem que dás essa visão da Suíça. Apesar de nunca ter lá ido, pelo que leio e me contam, também tenho essa ideia. :)

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  5. Olá Silvana,
    Desde o início que estou curiosa com este livro. Achei que iria gostar. Fiquei ainda mais curiosa :)
    Beijinhos e boas leituras

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  6. Olá Isa,
    Espero mesmo que gostes. É um livro emocionalmente muito cru e psicologicamente complexo. Não é fácil de simpatizar com as personagens nem com o cenário, mas ao mesmo tempo é isso que torna o livro único e realista.
    Espero que aprecies esta leitura.
    Beijinhos e boas leituras

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