Avançar para o conteúdo principal

Opinião | "Sinto a tua falta" de Kate Eberlen

Sinto a Tua Falta
Classificação: 4 Estrelas

Este é um daqueles livros que eu chamo de mentirosos. Ao olharmos para a capa e para o título parece que nos vamos cruzar com um livro lamechares e cheio de romantismo. Podia ser um livro desse género, só que não é. Isto afasta os leitores que não gostam de um tipo de livro fortemente marcado pelo romance. 
Este livro tem romance, mas vai muito mais além do que simples casal que se apaixona e que tem mil e um obstáculos até terem o seu felizes para sempre.

Ao longo do livro ficamos a conhecer o Gus e a Tess. Cada um deles nos dá a conhecer a sua realidade de forma independente, o engraçado é que nós leitores conseguimos identificar momentos em que os caminhos de Gus e de Tess se cruzam sem que eles atribuam grande reconhecimento ou significado a estes pequenos acidentes de percurso.

Cada um deles tem uma história muito interessante e com desafios que nos deixam a pensar. Tess e Gus ajudam-nos a mergulhar em temas como o luto, o sentimento de culpa, a traição, o alcoolismo, a solidão e o síndrome de Asperger. 
Com o Gus irritei-me muitas vezes. Compreendia a forma como os seus fantasmas habitam no seu interior e a forma como os seus pais os faziam agitar ainda mais. Sofri um bocadinho com ele, porém em alguns momento achei-o tão parvo e infantil que só me apetecia bater-lhe. Felizmente tinha uma amiga, a Nash, que lhe exorcizava os fantasmas e fazia com que ele visse as coisas com um bocadinhos de mais clareza. O que mais gostei nele foi o seu lado sensível e sonhador. Um verdadeiro apreciador de arte. Infelizmente, nem sempre este lado mais bonito conseguia emergir das cinzar e ajudá-lo na sua vida.
E depois temos Tess que teve de abdicar dos seus sonhos para cuidar da sua irmã, Hope. Também me irritei com ela, principalmente quando ela se deixava levar pela ingenuidade. Não foi fácil vê-la a tentar compreender a Hope e a ter de ajustar a sua vida em função da sua irmã mais nova. Foi duro ver que faltava alguém que cuidasse dela de forma genuína e altruísta. Tess era uma rapariga dos livros, por isso ao longo da narrativa são várias as referências a livros com as quais nos cruzamos.

O final deixou-me zangada. Eu sou romântica no que toca aos livros e idealizei tanto aquele final, esperei tanto por ele que quando ele chegou foi demasiado apressado e sem aquele toque de emoção que acompanhou grande parte do livro. Esperava mais deste final, com mais desenvolvimento e com mais espaço para tudo em volta daquilo que aconteceu crescesse e nos baralhasse as emoções. 
Sendo o primeiro livro da autora, considero que foi um bom começo. Tem uma escrita simples, fluída e muito cativante. Eu fiquei presa logo nas primeiras páginas e sempre com vontade de ler mais e mais capítulos para ver por onde as coisas evoluíam. 
Para aqueles que se deixam influenciar pelas capas e pelos títulos e fogem a sete pés de romances, apostem neste, acho que poderão ser surpreendidos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Palavras Memoráveis

Quer dizer que podemos fazer isto juntos. Quer dizer que me deixas furar a carapaça. Só assim é que isto pode resultar. Tu deixas que eu te magoe e eu deixo que tu me magoes. Tess Gerritsen, A pecadora

Por detrás da tela | Love, Rosie

Classificação: 5 Estrelas Já há muito tempo que por aqui não aparecia uma opinião a um filme. A realidade é que já não via um filme há muito, muito tempo.  Há uns dias, enquanto via trailers no youtube cruzei-me com este Love, Rosie  e fiquei logo com curiosidade para o ver.  Adorei o filme. Eu tenho um carinho especial por histórias de amizade que, aos poucos, se vão solidificando em algo mais importante. E assim nasce um amor... Porém, nem sempre é fácil chegar a essa conclusão acerca dos novos sentimentos que vão aparecendo.  Rosie e Alex são os protagonistas deste filme e adorei as interpretações de ambos. Transmitem muito bem os sentimentos, têm um entendimento que contribui muito para a história em si.  O enredo acaba por ser simples, mas muito bonito.  É um filme para todos aqueles e aquelas que gostam de romance e de dramas que tendem a afastar caminhos que deviam estar a cruzar-se algures nos trilhos do destino. Só no fim do filme é que me apercebi que era uma adaptação do li...

Por detrás da tela | "Call me by your name" (2017) e After (2019)

Call me by your name Assim que terminei de ler o livro, achei que era uma boa ideia ver o filme. Foi a decisão mais acertada!  Temos um filme bastante fiel ao livro, porém há passagens no filme que eu só as compreendi na sua totalidade porque tinha lido o livro (mais especificamente a sequência de cenas com os calções do Oliver).  É um filme que cheira a verão. Que me fez querer ir uns dias para aquela casa, para aqueles pomares , só para sentir o cheiro da fruta madura e a frescura das águas. Isto resulta de um excelente trabalho na construção das cenas e numa boa captação dos cenários. A narrativa do filme acompanha a narrativa do livro, exceto a parte final. A intensidade da história de Elio e Oliver, a descoberta daquele amor, as dificuldades em geri-lo são aspetos que fazem parte da ação central do livro e que aparecem muito bem representados no filme. Eu estava com algum receio relativamente à forma como o livro seria transportado para o filme. Este receio tinha como base a minha...