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Opinião | "Orbias - As Guerreiras da Deusa" (Orbias #1) de Fábio Ventura

Orbias - As Guerreiras da Deusa (Orbias, #1)
Classificação: 1 Estrela

Esta leitura foi um verdadeiro desespero. Nunca mais lhe via o fim e fui insistindo porque queria terminar um livro que é de um autor nacional e está integrado no meu projeto de Português no masculino. Caso não tivesse estas motivações acho que ao fim de 50 páginas já estava a arrumar este livro para o lado. 

Quem me segue há algum tempo e já sabe dos meus gostos literários poderá estar a pensar Ah, implicaste com o livro porque é fantasia. Até poderia ser, mas eu consigo ler fantasia e até gosto de alguns autores. É certo que não é o meu género de eleição, mas consigo apreciar os livros da Juliet Marillier, gostei muito de betar os livros da Liliana Lavado. No fundo, tudo depende da forma como me consigo envolver com a história e as personagens.

A este livro falta o essencial para que me sentisse cativada. Concretamente, não preencheu os requisitos mínimos.
1) Estilo de escrita: Muito infantilizada, diálogos quase inexistentes e um exagero na forma de nos contar os factos. É um livro onde tudo nos é contado e nada é mostrado. São páginas e páginas de texto onde são descritos os mundos, aquilo que as personagens veem e aquilo que fazem. Não há espaço para nos mostrar emoções e interações. Este aspeto torna o livro demasiado aborrecido e que faz com que a leitura se arraste. 

2) Personagens: são de revirar os olhos. Não estão desenvolvidas e aquilo que nos é mostrado é um comportamento pouco adulto, onde não se sente a responsabilidade que começa a assentar sobre os seus ombros e que conhecem-se hoje e amanhã, de forma quase transcendente e sem que isso seja mostrado ao leitor, se tornam os melhores amigos. As paixões assolapadas e pouco contextualizadas também figuram nestas páginas. Tudo aquilo que as envolve não me fez sentir absolutamente nada por elas. Foram-me indiferentes e não permanecerão na minha memória.

3) Narrativa: Poderei reconhecer alguma originalidade e esforço em nos apresentar algo diferente no que respeita à fantasia, porém a forma como o autor concretizou tudo à volta da sua ideia esfumasse na forma aborrecida com que nos expõem os factos. O livro é narrado na primeira pessoa, a duas vozes, ou seja, são duas as personagens com voz ativa. Ao longo do livro grande parte dos capítulos é narrado por Noemi, contudo há outros narrados por Lorelei e, às vezes, tornou-se confuso fazer esta passagem (apesar de o autor no inicio do capítulo colocar o nome da personagem a quem ele pertencia). 

A forma como tudo se desenvolve acaba por ser desinteressante muito pela forma simplista com que o texto é narrado. Até poderia ter sido uma leitura interessante se houvesse atitudes mais maduras e congruentes das personagens, ou seja, que as personagens agissem de acordo com a maturidade e responsabilidade que lhes passou a ser exigida. 

Dada esta má experiência não pretendo ler o livro seguinte. Não fiquei com o mínimo interesse de saber o que irá acontecer a estas personagens. Tenho a certeza que, daqui a uns dias, nem me lembrarei de nada que figure no livro. 
Penso que o publico mais juvenil poderá gostar um bocadinho mais do livro. A linguagem simples e os comportamentos típicos destas idades poderá aproximar mais o livro desse público. 

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