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Opinião | "À morte ninguém escapa" de M. J. Arlidge (Helen Grace #2)

À Morte Ninguém Escapa (Helen Grace #2)

Classificação: 4 Estrelas

 

Trouxe este livro da biblioteca na expetativa de me cruzar com um bom policial. Quando cheguei a casa e fui ver o Goodreads fiquei triste por ver que era o segundo volume de uma série. Gosto de ler séries por ordem mas, geralmente, acontece-me sempre o inverso. Como era um policial achei que começar no segundo volume não iria interferir muito na minha compreensão da história. E, de facto, foi isso que sucedeu. Consegui compreender tudo apenas ficando a frustração de não saber tudo, de forma pormenorizada, sobre as personagens residentes, ou seja, aquelas que já tinham um passado descrito no volume anterior.

 

Toda a equipa da polícia tem um história passada que me pareceu ter sido muito bem explorada no livro anterior. Contudo, ao longo do livro vão sendo dadas algumas informações que nos ajudam a contextualizar as situações e os comportamentos das personagens, o que nos ajuda a perceber em que medida as relações na equipa estabelecem neste livro, tendo em conta as suas vivências anteriores.

Portanto, se não têm o livro anterior e estão a hesitar na leitura deste, podem avançar sem medo de ficarem sem perceber o que vive nestas páginas. Aquilo que de certeza irão sentir, tal como eu, é um vontade exacerbada de ler o volume anterior. Só para ter a certeza de que não vos escapa nada deste universo.

 

Helen Grace é uma detetive e uma personagem de destaque. Achei-a uma mulher complexa e interessante que, tal como a cebola, se reveste de imensas camadas para o leitor ir descobrindo aos poucos. Ao contrário da cebola, que já sabemos o que vamos encontrar, com a Helen cada nova camada desvendada é uma surpresa. Fiquei fã dela, da sua inteligência e da sua capacidade de resiliência. Parece ter um feitio e uma energia muito peculiares, mas também isso a tornou interessante ao meu olhar. Não posso, também, deixar de destacar Charlie e Steve, que me fizeram pensar nas escolhas que temos que fazer na vida e que ganhos ou perdas essas escolhas implicam. O Tony e Nicole que me mostraram que o amor e a dedicação assumem diferentes formas e que não têm limites, mesmo quando as nossas fragilidades nos começam a pregar partidas, conduzindo-nos a um conjunto inexplicável de sarilhos e de erros.

 

Relativamente aos crimes que nos vão sendo apresentados nestas páginas, inicialmente pareceram-me simplistas, fazendo-me esperar um desfecho pouco intenso, pouco cativante e muito diferente daquilo que encontrei. Felizmente, fui engana e os meus preconceitos foram completamente destruídos. À medida que avançava na leitura e que os acontecimentos e as descobertas iam sendo reveladas, tudo se foi adensando no sentido de me baralhar as ideias e me mostrarem que a realidade poderá ter diferentes formas de ser construída, olhada e apreendida.

 

Sofri com o desfecho do livro. Tenho a certeza que a Helen queria algo diferente, mas a sua chefe não tinha uma sensibilidade nem um tacto especial para lidar com as pessoas. Sofri pela Carrie e espero que ela se assuma perante a vida e que não fique refém do medo e da opressão.

Parece-me ser uma série de grande qualidade e que eu quero acompanhar.

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