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Resumo do Mês | Maio

A inspiração está em baixo... Tão em baixo que ando há dias a tentar articular as ideias para vos apresentar o meu resumo literário do mês. 
Maio não se traduziu em muitas leituras, mas as que aconteceram foram das boas. O mês começou misterioso e mergulhado no mundo complexo do crime, mas aqui com uma novidade: misturado com psicanálise (O psicanalista - John Katzenbach). Foi um livro saboreado lentamente, absorvendo as voltas e reviravoltas de um psicanalista de sucesso que teve de usar os seus conhecimentos científicos para sobreviver à pessoa que o perseguia. Depois de tantos dias na companhia deste homem inteligente e de quase sufocar com o stress a que ele foi sujeito, veio uma leitura no formato de balão de oxigénio. Ler um romance, é como regressar a um lugar onde fui feliz. Assim, entreguei-me a um momentos de felicidade a ver o amor nascer das cinzas e dos escombros (Regresso a casa - Deborah Smith). De coração cheio parti ao desconhecido. Gosto de apostar em autores que nunca li, e nesta incursão pela obre de um novo autor o risco era mais ou menos calculado. Fui sem medo, na expetativa de me cruzar com uma boa história. Aquilo que eu não esperava era ser "atropelada" pelas emoções, pela simplicidade das palavras e pela intensidade de uma história (Perguntem a Sarah Gross - João Pinto Coelho). Foi uma leitura avassaladora, uma leitura que me despertou o coração enchendo-o de sentimentos contraditórios. Foi uma intensidade que deixou pouco espaço para a leitura seguinte. Pelo meio destes três livros, ainda me perdi nuns contos de Clarice Lispector, mas nenhum foi digno de desvanecer da minha memória a força e singularidade de Sarah Gross, a determinação de Ursula Power aliada a instrospeção de Quentin e a perspicácia de Frederick.

Por tudo o aqui escrevi não tenho um livro menos bom. Em Maio floresceram as flores na terra e na minha vida só apareceram bons e inesquecíveis livros. Há só apenas aquele que me deixou um buraco de emoções, umas mais coloridas outras mais cinzentas, no meu coração. E esse livro foi:
Perguntem a Sarah Gross

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