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Resumo do Mês | Junho

Junho foi a antítese de Maio. Se em Maio as leituras integraram os melhores sabores, as de Junho arrefeceram até se tornarem amargas. No fundo, o meu eu leitor arrefeceu com as chuvas de verão e vi-me no meio de uma ressaca literária que denegria todas as leituras com que me ia cruzando. Não me impediu de ver a beleza de algumas, porém nenhuma me encheu o coração como esperava.  Saída de uma grande história terminada no mês anterior, entrei devagar, a apostar em algo que seguro e que me consegue, no geral, agrada. Embrenhei-me em relações familiares complexas (Laços familiares - Danielle Steel) com alguma emoção à mistura, mas emaranharam-se demais e não ofereceram toda a complexidade que eu esperava. Em busca de algo que me aquecesse a alma e me libertasse a mente investi em novas paragens. Sem numa ter lido as palavras da autora, atirei-me por emoções proibidas que nasciam de um erotismo bem conseguido mas a quem faltava contexto (Emoções proibidas - Jesse Michaels). Continua insatisfeita e a ressaca adensava-se. Pensei que o melhor era apostar em palavras nacionais. Foi a pior escolha que fiz no mês, e uma leitura que eu esperava entusiasmante, na companhia de uma das minhas poetizas preferidas (Florbela, Apeles e eu - Vicente Alves do Ó) tornou-se um suplício que se arrastou até ao final do mês. Continuei em modo nacional, intercalando novos sabores de forma a adoçar um pouco o amargo que se estava a instalar em força. Comecei com o ácido do limão (Limões na madrugada - Carla M. Soares) que apesar da história ácida, o aroma fresco e reconfortante da escrita prevaleceu. Inundada pelo cheiro a limão não estava à espera de ser quebrada por uma história medíocre e sem emoção (Sorrisos quebrados - Sofia Silva). Só não me quebrou a frustração nem a incompreensão perante tanto fascínio dos leitores para com uma história cheia de falhas e que está longe de provocar falhas nas batidas cardíacas. Pelo meio, fui alimentando a minha ressaca com alguns contos do livro que continua a ler da Clarice Lispector. São contos muito metafóricos, mas foram insuficientes para ressuscitar a minha veia leitora. 


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