
Classificação: 3 Estrelas
Comecei esta leitura com uma enorme vontade de desbravar intensamente aquelas páginas. Os livros anteriores que li de Victoria Hislop deixaram boas recordações e estava curiosa para ver o que este livro reservava.
Longe de ser um leitura compulsiva, Hotel Sunrise convida a uma leitura mais lenta e mais atenta. O início foi um pouco confuso para mim. Estava a custar-me imenso envolver-me com a história, estava com dificuldades em compreender e assimilar o contexto histórico a que o livro reportava e não me estava a sentir muito cativada com o conteúdo daquelas páginas.
Perante estas dificuldades a leitura avançou devagar e de forma pausada, numa tentativa de amar a história. Paixão, já não iria acontecer, mas o amor poderia nascer da relação com aquelas palavras. E o amor apareceu. Não foi intenso, não foi fulminante e não me arrebatou tanto como aconteceu nos outros livros. Foi um amor confortável e aconchegante e que me levou a pesquisar sobre Famagusta.
Famagusta é a cidade onde grande parte da ação narrativa se desenrola. É uma cidade Cipriota, muito relacionada com o turismo. A descrição da cidade é maravilhosa e dá vontade de mergulhar os pés naquela água. Associa a esta cidade temos o Hotel de luxo Sunrise, os seus proprietários Aphroditi e Savvas e, dos vários empregados destacam-se elementos de duas famílias com origem distintas. Os cipriotas turcos e os cipriotas gregos.
Eu tinha um desconhecimento total acerca da história do Chipre e penso que isso dificultou um pouco a minha compreensão inicial. Apesar de as coisas se irem clarificando à medida que a narrativa avança, ainda ficaram resquícios de dúvidas e coisas por esclarecer. Claro tudo porque não sei nada acerca das origens deste pais e em como ele foi construído.
Conseguimos perceber as rivalidades, que são mais alimentadas pelo políticos do que pelos habitantes (como deve ser na maioria dos casos) e vamos acompanho as vidas pacatas das personagens até que a guerra se instala. E é a partir daqui que o livro ganha outra dimensão para mim. Foi aqui que o amor nasceu. Passei a perceber melhor as personagens, apesar de terem ficado lacunas na caracterização de Afrodite de Savvas. São duas personagens importantes, mas que são pouco desenvolvidas. Aphroditi é uma mulher que vai aprender a confiar nos seus instintos da pior maneira possível. Tive pena de ela e Savvas terem sido um pouco desprezados no fim. Parece que a autora os queria despachar e não nos deixou grandes pormenores.
É interessante ler sobre as movimentações de guerra e sobre as estratégias de sobrevivências das pessoas. De que forma a nossa personalidade se modifica só para garantir a nossa sobrevivência e há aqueles que apenas a tentam esconder para que depois de se revele da pior maneira.
Apesar de ter gostado do livro reconheço que ele poderá não ser do agrado de todos os leitores. O início um pouco lento, a falta de conhecimento em relação ao contexto em que a história se desenrola e as personagens pouco desenvolvidas poderão levar alguns leitores a desistir, o que é uma pena. Insistiam um pouco para descobrirem o outro lado da narrativa, um lado que nos prende e nos deixa curiosos.
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