Avançar para o conteúdo principal

Visões #4 | Como morrem os sonhos?



Muitos dizem que os sonhos são um motor da vida, uma espécie de energia que nos empurra ao longo do caminho. É bom sonhar! É bom pensar em coisas boas que gostaríamos de alcançar ao longo da nossa vida. Acredito que eles possam ser uma espécie de "aspiração central" da nossa mente. Porém, há alturas na nossa vida que eles simplesmente se desvanecessem no meio de tanta coisa que deixa de funcionar na nossa vida.

Sempre me classifiquei como uma sonhadora. Há 10 anos atrás sonhava em terminar o curso e encontrar um emprego que me deixasse feliz. Sonhava em conhecer outras paragens, em conhecer pessoas que me acrescentassem coisas positivas, sonhava com independência, sonhava em fazer a diferença, sonhava em escrever histórias... Mas pelo caminho dos últimos anos esses sonhos foram arrefecendo e morrendo aos poucos. 

Eles foram morrendo. As coisas foram tomando outros rumos, regredi em algumas coisas que já tinha conquistado, as prioridades foram-se alterando e, no meio de todas as coisas menos boas, os sonhos foram ficando para traz. Hoje estão mortos! Talvez porque a esperança em obter coisas melhores também esteja muito, muito baixa. Talvez porque passei a ser mais racional e realista. Talvez porque deixei de acreditar e de confiar no mundo e nos outros. Tive de perder muitas coisas para hoje ter outras. Talvez em termos de quantidade (perdas vs ganhos) esteja com saldo negativo, porém tive ganhos que me fizeram crescer como pessoa. Mas os sonhos, esses, não entram na equação. Neste momento estão mesmo mortos. 

São as pedras que encontramos no caminho da nossa vida que apedrejam os sonhos e os matam, ou os colocam num permanente estado de coma à espera daquele rasgo de mudança que os faça renascer. Estou neste limbo... Numa corrida por mudanças. Mas a angustia está cá, porque a passagem do tempo não perdoa e isso faz-nos perder a força. Sei que sou muito exigente comigo própria, mas haverá mal em querer mudanças positivas na nossa vida e na nossa forma de viver? Quão longo é o caminho para alcançar aquele nível que faça com que os meus sonhos renasçam? Gostaria de ter mais resposta para a incerteza do futuro que se estende à minha frente. Queria que os meus sonhos voltassem ao ativo e me empurrassem para a frente. 
Hoje faço anos. Hoje abre-se um novo ciclo da minha vida. Será que vou ter os meus sonhos de volta? Será que os conseguirei fazer renascer das cinzas? Eu quero muito que eles voltem.  

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Palavras Memoráveis

Quer dizer que podemos fazer isto juntos. Quer dizer que me deixas furar a carapaça. Só assim é que isto pode resultar. Tu deixas que eu te magoe e eu deixo que tu me magoes. Tess Gerritsen, A pecadora

Por detrás da tela | Love, Rosie

Classificação: 5 Estrelas Já há muito tempo que por aqui não aparecia uma opinião a um filme. A realidade é que já não via um filme há muito, muito tempo.  Há uns dias, enquanto via trailers no youtube cruzei-me com este Love, Rosie  e fiquei logo com curiosidade para o ver.  Adorei o filme. Eu tenho um carinho especial por histórias de amizade que, aos poucos, se vão solidificando em algo mais importante. E assim nasce um amor... Porém, nem sempre é fácil chegar a essa conclusão acerca dos novos sentimentos que vão aparecendo.  Rosie e Alex são os protagonistas deste filme e adorei as interpretações de ambos. Transmitem muito bem os sentimentos, têm um entendimento que contribui muito para a história em si.  O enredo acaba por ser simples, mas muito bonito.  É um filme para todos aqueles e aquelas que gostam de romance e de dramas que tendem a afastar caminhos que deviam estar a cruzar-se algures nos trilhos do destino. Só no fim do filme é que me apercebi que era uma adaptação do li...

Por detrás da tela | "Call me by your name" (2017) e After (2019)

Call me by your name Assim que terminei de ler o livro, achei que era uma boa ideia ver o filme. Foi a decisão mais acertada!  Temos um filme bastante fiel ao livro, porém há passagens no filme que eu só as compreendi na sua totalidade porque tinha lido o livro (mais especificamente a sequência de cenas com os calções do Oliver).  É um filme que cheira a verão. Que me fez querer ir uns dias para aquela casa, para aqueles pomares , só para sentir o cheiro da fruta madura e a frescura das águas. Isto resulta de um excelente trabalho na construção das cenas e numa boa captação dos cenários. A narrativa do filme acompanha a narrativa do livro, exceto a parte final. A intensidade da história de Elio e Oliver, a descoberta daquele amor, as dificuldades em geri-lo são aspetos que fazem parte da ação central do livro e que aparecem muito bem representados no filme. Eu estava com algum receio relativamente à forma como o livro seria transportado para o filme. Este receio tinha como base a minha...