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Pessoal | Um cão idoso e a pouca vontade de passar por aqui


Na semana passada não consegui publicar nada por aqui. Foi uma semana bastante complicada onde me faltou vontade e inspiração até para as tarefas necessárias. Este post é a minha tentativa de me desculpar perante aqueles que me leem e, também, para escrever um pouco sobre a minha experiência com um cão idoso.

O meu cão tem 14 anos, 1 mês e 5 dias. Chegou até mim ainda bebé, portanto faz parte da minha vida tantos anos quantos aqueles que ele tem de vida. Sempre foi um cão ativo, brincalhão e bastante mauzão. Desde há dois anos que começamos a notar algumas diferenças no seu comportamento. Começou a caminhar de forma mais lenta, a dormir mais, a ver e a ouvir mal... Mas ele lá se ia orientando no meio das suas limitações. Até aí ele tinha de ficar preso a correntes, porque atacava as pessoas que entravam aqui em casa. Sempre que possível eu soltava-o e controlava as suas corridas. Desde os primeiros sinais de envelhecimento que ele deixou de estar preso. Anda a solta e já não atacava nem mordia as pessoas como acontecia quando era jovem. 


E assim vivia ele, sempre a solicitar os seus mimos e as suas escapadelas. Até que no fim-de-semana passado me deixou com o coração nas mãos. Nunca tinha presenciado tal situação. Começou por perder o equilíbrio e passou a noite a ganir e a deitar as cadeiras da cozinha ao chão. Via-o completamente desnorteado e com o olhar vazio. Assustei-me e sofri imenso perante a impotência de o colocar melhor. Tentei colocá-lo confortável, acalmá-lo... Ver o estado dele foi horrível e mexeu imenso comigo. 

O que me deixava ainda mais apreensiva era o facto de ser fim-de-semana. Felizmente, consegui um veterinário no domingo de manhã. Ele ficou internado até terça-feira. Inicialmente, o veterinário, pelos sintomas que o meu patudo apresentava, desconfiou que ele tivesse ingerido veneno. Era tudo neurológico. Mais tarde, devido à idade, o diagnóstico passou a ser outro: há a possibilidade de ser epilepsia ou um tumor cerebral. 

Foi algo doloroso ver o meu companheiro de quatro patas regressar a casa. Vinha bastante debilitado, recusava-se a comer e tinha um andar um pouco trôpego. 
Fiquei bastante em baixo com esta situação. Eu sei que é um cão idoso, mas não quero nem lido bem com o sofrimento dele. Tive dias na semana passada em que dormia mal com medo que ele voltasse a ter as mesmas crises. Receei acordar de manhã e de o encontrar morto. A angústia era ainda maior porque ele não se alimentava.

Felizmente, no final da semana, as coisas melhoraram. Ele passou a comer aos poucos e ficar um pouco mais interativo e ativo. 
É um cão que dorme imenso, que deixou de subir escadas, que respira de uma forma mais pesada e que gosta de receber miminhos e de dormir esparramado num sofá ou numa cama. Já não resiste tanto ao banho e tenho uma mobilidade reduzida. Já não consegue saltar para cima das cadeiras como ele gostava, nem para cima da cama. Precisa sempre de uma ajuda humana para conseguir aceder a alguns locais. 

Tudo isto mexeu muito comigo. Foi uma semana em sobressalto. Li pouco, a tese de doutoramento avançou aos soluços e as leituras ficaram num patamar de prioridades ainda mais inferior. Tudo isto ditou o meu afastamento do blog durante a semana passada. Tentarei voltar à regularidade de posts e não deixar este pequeno cantinho ao abandono.

Comentários

  1. OH... Imagino a aflição de ver o animal a regredir dessa forma! Mas se as coisas já se estão a compor melhor!
    https://jusajublog.blogspot.com/

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  2. Olá,

    Compreendo tão bem o que descreves neste texto!

    Sempre tive animais e sempre lhes ganhei tanto afeto! São parte da minha família sem dúvida nenhuma! Quando um adoece, parece que tenho um filho doente! A sensação é igual!

    Já perdi alguns. É duro mas é a vida. Temos de ser fortes e seguir em frente!

    Um beijinho de força,
    Margarida

    https://minhacasadopatio.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  3. Custa bastante, porque eles regridem de uma forma muito rápida. Pessoalmente não contava com essa rapidez. Sim, já está melhor. O pior é mesmo para ele comer. Come muito pouco e só quando lhe dá na ideia.
    Obrigada :).

    ResponderEliminar
  4. Olá Margarida!

    Nem mais. Não tenho filhos, mas sinto-o como um filho.
    Sim, deve ser muito duro mesmo. Eu já me vou preparando psicologicamente, porque sei que será duro quando acontecer.
    Obrigada pelo carinho.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. Custa imenso ver um animal a sofrer e custa ainda mais perdê-los.
    Fico contente que ele tenha melhorado um pouquinho, mesmo com as suas limitações. Dá-lhe todos os mimos do mundo, porque ele merece.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  6. Verdade. E tudo piora porque a forma como eles comunicam connosco não é alcançável por nós.
    Sim... Agora é ir vivendo o dia-a-dia e dar-lhe todo o conforto e mimos possível.
    Beijinhos

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