Avançar para o conteúdo principal

Opinião | "Amor Cruel" de Colleen Hoover


Classificação: 4 Estrelas

Amor Cruel é o quarto livro da Colleen Hoover que leio e há um aspeto que posso afirmar com toda a certeza que a escrita da autora tem um toque emocional muito especial. Mesmo escrevendo sobre assuntos amplamente abordados na literatura e no cinema, mesmo usando clichés ao longo dos seus livros e mesmo sabendo como eles terminam é inegável o cunho pessoal. Em cada descrição e em cada diálogo sobressai uma sensibilidade especial para transformar palavras, ações e personagem em emoções muito realistas. Perante isto só vos posso dizer que sou incapaz de resistir a estes livros.

Logo no início deste livro é possível verificar esta sensibilidade. As emoções começam logo nas primeiras páginas e isso agarrou-me logo à história.
Eu gostei da história, gostei da carga emocional que envolvia o Milles assim como a forma como essa carga cresceu ao longo da narrativa. 
Contudo, neste livro, aconteceu-me algo curioso. Adorei todo o conteúdo narrativo, mas embirrei um pouco com as personagens ao ponto de não criar grande afinidade com elas. Para mim, Milles e Tate apresentam uma elevada maturidade para a idade, porém bem sempre essa maturidade acompanhava as ações e comportamentos que eles apresentavam. Esta inconsistência entre comportamento e personalidade chateou-me e irritou-me um bocadinho.
Apesar desta minha irritação consegui perceber que existia ali muito sofrimento e que isso estava a interferir na lucidez das personagens.

Outro aspeto que me impediu de dar um pontuação mais elevada ao livro foi a forma como a relação foi construída. Senti que houve uma enorme valorização da relação física, mesmo quando eu já esperava algo mais daquela relação entre Tate e Miles. Demoraram a evoluir enquanto casal, pareceu-me que estavam demasiado focados na relação física mesmo quando se sentia a necessidade de desbloquear alguma coisa entre eles e apresentar uma maior profundidade emocional. 

Também acho que a autora não esgotou algumas situações importantes. Senti que ela foi superficial em alguns assuntos e apenas nos contou certos acontecimentos, principalmente no que respeita ao passado de Milles. 

Li este livro de uma forma voraz porque muito facilmente fui envolvida pela história e consumida pela minha necessidade de procurar mais respostas para as minhas dúvidas.
Acho que este livro é o ideal para todos aqueles e aquelas que são incapazes de resistir a um bom romance. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

As leituras obrigatórias estão fora de validade?

Tenho-me cruzado com algumas vozes a alertarem para a necessidade de se alterarem as obras de leitura obrigatória na disciplina de Português. As opiniões fundamentam-se na antiguidade das obras, no facto de serem de difícil leitura para os jovens, por não cativarem a população mais nova para a leitura, entre outras. Eu não me revejo nestas opiniões. Não acho que se devam mudar as leituras que integram os programas curriculares. O que acho que deve mudar é a forma como convidamos os jovens para a leitura. Mas vamos por partes. Há jovens que gostam de ler. Porém, nos dias de hoje, a oferta ao nível dos conteúdos digitais e de outros elementos de distração oferecem aos jovens de hoje conteúdos mais apelativos e de consumo mais instantâneo. Este tipo de oferta sacia (por vezes falsamente) as suas necessidades imediatas. Tudo acontece demasiado depressa e a leitura exige tempo, contemplação e reflexão. E grande parte dos jovens considera um desperdício de tempo ler. Acho que daria um estudo...