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Por detrás da tela | "A Verdade sobre o Caso Harry Quebert"


Classificação: 9 estrelas

Tenho-me cruzado com algumas opiniões a esta série e ao livro que lhe deu origem. Pelo que tenho lido parece-me que não é uma história consensual. 
Geralmente gosto de ler primeiro livro e só depois ver as adaptações ao cinema ou à televisão. Contudo, decidi aproveitar o facto da série estar a ser exibida no canal AMC e assistir aos dez episódios que compõem esta temporada (não sei se existirão mais, até porque o final foi conclusivo e sem pontas soltas). 

Eu gostei imenso da série. Todo o enredo é intrigante e cada episódio oferece uma revelação que adensa a curiosidade. 
A personagem de Nola é aquela que acaba por desencadear toda a narrativa. Um adolescente de 15 anos que desaparece e é encontrada morta passados 30 anos. É uma personagem bem construída e que me intrigou do início ao fim. Uma personagem complexa, com características muito próprias e com uma abordagem diferente. Eu fui apanhada de surpresa em muitos aspetos que envolvem o comportamento desta jovem. Não sei se o livro provoca o mesmo efeito. Infelizmente já não o poderei comprovar. Mesmo que pegue no livro já sei o que vou encontrar.

De Harry Quebert eu queria a verdade. Mas é engraçado como cedo me apercebi que ele não estava a contar tudo. Ao longo de vário episódios sentia-se que ele não estava a contar tudo e, para mim, isto foi um fator que me manteve presa à série. Afinal, o que é que ele escondia?? 
E assim, cheguei ao episódio em que senti pena do Marcus Goldman. Marcus foi aluno de Harry. Ficaram amigos e ele tenta provar a inocência de Harry e ajuda a polícia durante as investigações. Acho que ele foi um pouco ingénuo em algumas situações. E essa ingenuidade não o deixou ir mais longe. 
A interação entre Harry e Marcus é dinâmica e conhece diferentes contornos ao longo dos diferentes episódios. Para mim, este dinamismo foi importante pois dá para vermos que as pessoas têm muitos lugares obscuros e que não são necessariamente as boas ou más... Como seres humanos temos zonas cinzentas na nossa personalidade e isto foi muito bem retratado nos interpretações destas personagens. Esta característica também esta presente noutras personagens, algumas com bastante importância na compreensão dos fatos. Foi uma forma muito inteligente de construir a história e de trazer veracidade à ficção. 

Por fim, algo que está igualmente bem retratado no livro são as dinâmicas e as relações que se estabelecem entre habitantes de uma pequena comunidade. As intrigas, os elos de proteção, a forma como se aliam na defesa ou acusação daqueles que ousam quebrar a pacatez do espaço vital da comunidade. No fundo é mais um aspeto que contribui de forma muito positiva para a criação de um cenário narrativo capaz de prender e intrigar os espetadores.

Agora gostaria de experimentar o livro. Para quem já leu e viu a série, acham que o livro traz outras informações ou a série é uma adaptação literária fiel?

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