Avançar para o conteúdo principal

Por detrás da tela | "The Light Between Oceans" (2016)


Classificação: 9/10 Estrelas

Queria ter lido primeiro o livro e só depois ver a sua adaptação. Porém, depois daquele entusiasmo inicial que me levou a comprar o livro, a minha vontade de o ler diminui. Consequentemente, fui adiando a visualização do filme. 

No final do filme o pensamento que martelou no meu cérebro foi Porque que é que ainda não leste este livro. Eu adorei o filme. Tenho a certeza que será daqueles filmes que me ficará gravado na memória. A carga dramática que acompanha as personagens principais é tão intensa que me deixou colada ao ecrã do início ao fim do filme. 

A história central deste filme é dedicada a um faroleiro e à sua esposa que vivem isolados numa ilha perdida no oceano. O lugar da ação onde decorre maior parte do filme ofereceu cenários fabulosos e até sensoriais (as ondas do mar, o vento que agitava a vegetação) que fez com que me sentisse ali. A sensação de isolamento social e emocional são aspetos igualmente bem presentes e caracterizados nas cenas do filme. Para complementar todas estas sensações, as cenas são acompanhadas por uma banda sonora com a qualidade inquestionável a que Alexander Desplat já me habituou.

As interpretações são muito genuínas. Alice Vikander não desiludiu. Cada vez mais admiro o seu trabalho. Neste filme em particular o seu desempenho como Isabel foi soberbo. O seu desespero, a sua infelicidade, a forma como lutou com os seus dilemas morais e a forma como lidou com o seu sofrimentos surgiram de interpretações muito realistas e emotivas. Eu senti o desespero dela em cada momento em que se via obrigada a lidar com os seus problemas e a forma angustiada como por vezes tinha de tomar decisões difíceis. 

Para equilibrar este desespero mais visceral e muito presente nas expressões faciais  corporais de Isabel e alguma histeria emocional temos o Michael Fassbender no papel de Tom, o faroleiro e marido de Isabel. É um homem calado, com muitos pensamentos interiores e com dores invisíveis deixadas pela guerra. É um homem que ama imenso a sua esposa, mas não se deixa vergas pela sua consciência moral, aspeto que coloca acima de tudo. A forma como ele lidou com o sentimento de culpa e com a ansiedade revelam o quanto a moralidade e opção por comportamentos corretos modelam a vida e as ações deste homem. Aqui a interpretação fez toda a diferença. Numa personagem mais introvertida, menos expansiva nas relações com os outros precisa de um ator capaz de passar emoções e sentimentos através das suas ações e das expressões que vão preenchendo as diferentes cenas.

E assim a minha vontade de ler o livro renasceu. Só espero que o facto de conhecer a história através do filme não estrague o prazer e a minha entrega à leitura do livro.

Comentários

  1. Olá Silvana,
    Já vi este livro há imenso tempo e adorei! Fiquei com pena de não ter lido o livro antes.
    Um beijinho

    ResponderEliminar
  2. Olá Isa!

    Acredito! No fim, senti mais ou menos o mesmo!! Mas não vou deixar de ler o livro:).
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Vi o filme o anos passado e gostei bastante, os atores estão de facto impecáveis conseguindo transmitir toda a angústia e dor da situação, eu fiquei tão "satisfeita" com o filme que não sobrou grande vontade para ler o livro, mas acredito que seja mais rico que o filme :)

    ResponderEliminar
  4. Também fiquei muito satisfeita com o filme:), mas fica sempre a vontade de ler o livro. Acredito que possa ser mais rico, mas só lendo para o verificar.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Palavras Memoráveis

Quer dizer que podemos fazer isto juntos. Quer dizer que me deixas furar a carapaça. Só assim é que isto pode resultar. Tu deixas que eu te magoe e eu deixo que tu me magoes. Tess Gerritsen, A pecadora

Por detrás da tela | Love, Rosie

Classificação: 5 Estrelas Já há muito tempo que por aqui não aparecia uma opinião a um filme. A realidade é que já não via um filme há muito, muito tempo.  Há uns dias, enquanto via trailers no youtube cruzei-me com este Love, Rosie  e fiquei logo com curiosidade para o ver.  Adorei o filme. Eu tenho um carinho especial por histórias de amizade que, aos poucos, se vão solidificando em algo mais importante. E assim nasce um amor... Porém, nem sempre é fácil chegar a essa conclusão acerca dos novos sentimentos que vão aparecendo.  Rosie e Alex são os protagonistas deste filme e adorei as interpretações de ambos. Transmitem muito bem os sentimentos, têm um entendimento que contribui muito para a história em si.  O enredo acaba por ser simples, mas muito bonito.  É um filme para todos aqueles e aquelas que gostam de romance e de dramas que tendem a afastar caminhos que deviam estar a cruzar-se algures nos trilhos do destino. Só no fim do filme é que me apercebi que era uma adaptação do li...

Por detrás da tela | "Call me by your name" (2017) e After (2019)

Call me by your name Assim que terminei de ler o livro, achei que era uma boa ideia ver o filme. Foi a decisão mais acertada!  Temos um filme bastante fiel ao livro, porém há passagens no filme que eu só as compreendi na sua totalidade porque tinha lido o livro (mais especificamente a sequência de cenas com os calções do Oliver).  É um filme que cheira a verão. Que me fez querer ir uns dias para aquela casa, para aqueles pomares , só para sentir o cheiro da fruta madura e a frescura das águas. Isto resulta de um excelente trabalho na construção das cenas e numa boa captação dos cenários. A narrativa do filme acompanha a narrativa do livro, exceto a parte final. A intensidade da história de Elio e Oliver, a descoberta daquele amor, as dificuldades em geri-lo são aspetos que fazem parte da ação central do livro e que aparecem muito bem representados no filme. Eu estava com algum receio relativamente à forma como o livro seria transportado para o filme. Este receio tinha como base a minha...