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Opinião | "Uma Voz Perdida na Guerra" de Cesca Major


Classificação: 5 Estrelas

Precisei de uns dias até me conseguir sentar e escrever uma opinião para este livro. O final do livro apertou-me o coração de uma forma difícil de descrever. Não me levou às lágrimas, mas apanhou-me de surpresa e precisei de digerir os acontecimentos e as consequências desses mesmos acontecimentos. 

Acabei por começar a opinião fazendo referência ao impacto que o final deste livro teve em mim. Mas preciso de vos escrever sobre a experiência desta leitura, experiência esta que contribuiu para todas as emoções sentidas no final.

Uma Voz Perdida na Guerra leva-nos a uma pequena aldeia francesa e ao quotidiano de diferentes pessoas que é afetado pela 2ª Guerra Mundial. É um livro que inova na forma como nos apresenta este período da história, pois não lemos sobre a vida nos campos de concentração nem das zonas de batalha. É um livro que vai mais além e nos mostra outra face da Guerra. Mostra-nos a vida de pessoas que não estão diretamente num cenário de guerra e que procuram fazer uma vida dentro da normalidade possível. Conhecemos pessoas que sofrem com o medo de serem judeus, com o medo que a guerra lhes roube a pouca tranquilidade que têm, com saudade por aqueles que se aventuram pelas trincheiras ou com medo de viver um amor. 

De forma a acedermos às diferentes visões, a autora escolheu contar-nos a história na voz de diferentes personagens: Adeline, Isabelle, Paul, Sebastian e Tristan. 
Gostei da forma como todas estas personagens intervêm. Da Adeline guardo a angústia que se apoderou dela e da dificuldade de enfrentar os seus medos enquanto é cuidada pelas freiras. É uma personagem que nos narra a sua experiência uns anos depois da Guerra. 
Da Isabelle guardo a sua leveza de ser, o seu espírito livre e sonhador e a forma como amou Sebastian apesar de todas as dificuldades. O amor foi recíproco, tanto que do Sebastian me ficou a forma como ele venerava Isabelle e da forma como ele expressou o seu amor por ela. 
O Paul deixou-me a coragem de um rapaz que deixa tudo para ir defender a pátria, mas quando volta é capaz de enterrar os seus próprios fantasmas para dar e receber amor. 
Por fim, o Tristan, uma criança de nove anos, deixa-me a inocência que tolda a forma como olha para a Guerra e para as clivagens que ela conta. Mostra-me que o preconceito numa criança é muito fruto daquilo que os adultos que a rodeiam lhe passam. É um espírito livre e aventureiro, com atitudes que me demonstram o quanto as crianças são capazes de simplificar coisas que, na realidade, são extremamente complicadas. E, no fim, deixou-me o seu maior ato de generosidade. 

Acho que este é um daqueles livros que encantará os fãs de livros com narrativas que decorram durante este período histórico como aqueles que os têm evitado por estarem cansados de verem narrativas a irem sempre na mesma direção e relatando aspetos semelhantes. 
É um livro que tem romance, mas ao mesmo tempo nos leva a lutas pela sobrevivência, a angústias pessoais e ao terror que só uma guerra consegue semear. 

Como já escrevi anteriormente, o final apanhou-me de surpresa (Atenção: não leiam a nota da autora que está no final do livro sem terminarem a leitura. Leiam-na apenas no fim. Aliás ela aparece no final por alguma razão. Porém se forem como eu, por vezes a curiosidade leva-nos a melhor). Fui surpreendida pelos acontecimento e pelo sentimento de frustração que só um final em aberto é capaz de nos deixar. 

É um livro que vale cada minuto que perdi com ele. Houve momentos em que me vi a poupar na leitura para não o terminar tão depressa. E houve outros momentos em que parei a leitura de forma propositada para pensar naquilo que estava a acontecer (é certo que ando muito reflexiva e com muitos períodos de introspeção e que esta leitura só os ativou um pouco mais). 
Portanto, arrisquem-se a mergulhar nas fantásticas histórias de vida que este livro nos permite conhecer.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

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