Avançar para o conteúdo principal

Opinião | "A Minha Avó Pede Desculpa" de Fredrik Backman

A Minha Avó Pede Desculpa
Classificação: 2 Estrelas

Parti para esta leitura cheia de expetativas. Esperava encontrar um livro ternurento, emotivo e com uma relação entre avó e neta daquelas de nos ficar gravada no coração.
Infelizmente não consegui absorver estas sensações, nem sentir todas as coisas positivas que estava à espera. Foi uma leitura satisfatória que ficou um pouco longe de tudo aquilo que eu idealizei para este livro. 

Diverti-me bastante com as primeiras páginas e com a Avozinha peculiar da Elsa. Foi engraçado descobrir o lado aventureiro e o comportamento "fora da caixa" que esta idosa tinha. Por vezes, Elsa era mais responsável do que ela. 
Com o avançar da história, a minha relação com as personagens e com o conteúdo foi azedando. Esta má relação começou com a confusão que se instalou na minha cabeça  quando a quantidade de personagens ia aumentando. Foram muitas personagens e cada uma com um motivo específico para entrar na história. Era muita informação para uma história que eu esperava ser mais simples. 

Quem me acompanha há mais tempo sabe que eu não sou fã de Harry Potter, por isso lidar com as enormes referências a esta personagem literária também foi um aspeto que me desmotivou um pouco. Contudo, reconheço que este mesmo aspeto poderá funcionar como um ponto positivo para quem é fã da série que, consequentemente, conseguem perceber melhor o carácter destas referências. 

Outro aspeto que me desencantou foi a forma estereotipada como abordam a questão do divórcio o impacto dele na vida das crianças.

A Elsa não foi um criança literária capaz de me deixar fortes lembranças. O seu comportamento e a sua rotina não parecia de uma menina de 8 anos. Houve momentos em que ela se comportava de uma forma demasiado infantil para a a idade. Para além deste aspeto, ainda me questionei se uma criança acerca do desenvolvimento cognitivo de uma criança de 8 anos e forma como interpretam as histórias. Do meu ponto de vista, as crianças de 8 anos já têm capacidade para distanciar aquilo que é a realidade das histórias e aquilo que é o mundo real. 

Perante esta minha experiência com o livro e os aspetos que mencionei, fico com algumas dúvidas relativamente à faixa etária a quem posso recomendar este livro. Para crianças de 8 anos poderá ser um pouco complexo e com demasiadas personagens e com demasiado conteúdo narrativo. Por outro lado, sinto que para crianças mais velhas poderá ser um livro aborrecido. 

Sei que há mais um livro deste autor publicado em Portugal e tem opiniões bastante favoráveis, por isso quer dar uma nova oportunidade ao autor e sedimentar melhor a minha opinião relativamente ao trabalho deste escritor. 

Comentários

  1. Confesso que tive uma opinião contrária à tua. Adorei mesmo a história. Sou uma Potter head, pelo que as referências à serie Harry Potter não me incomodaram, bem pelo contrário! Percebo a crítica ao número de personagens. Chega a um ponto em que acaba por ser difícil decorar quem é toda a gente. No entanto, a forma como a história é terminada põe tudo no sítio e faz sentido o elevado número de personagens, no sentido em que a Elsa percebe o quanto todos os que nos rodeiam influenciam de uma ou de outra forma as nossas vivências. Sim, as crianças de 8 anos já conseguem distinguir realidade de ficção, mas, na minha perspetiva, a Elsa entendia que aquele era um mundo de imaginação, daí que precisasse de dormir para ir até lá. O que Elsa não entendia, no início, era que todo aquele reino encantado era inspirado em todos os que conhecia. Confesso tb que chorei baba e ranho a ler 😂 foi uma história que me tocou muito... Mas, a propósito de se perceber ou não que algo é imaginação, aconselho o filme "I kill giants"! É lindo e acaba por ter algumas semelhanças com esta história, apesar de a protoganista ter 14 anos e não ter nenhuma avozinha doida como a Elsa. :)

    ResponderEliminar
  2. Diana, muito obrigada por trazeres uma visão diferente da minha. Acho que é muito importante trazer diferentes olhares sobre o mesmo livro.
    Como escrevi, as referência a Harry Potter poderiam ser um ponto positivo para que leu os livros e gostou. :) Eu não os li na infância, e não sou fã de fantasia. Cheguei a ler o primeiro há cerca de dois anos atrás e não funcionou comigo. Não era a altura ideal para os ler.
    Sim, tens razão relativamente ao final. Apesar de tantas personagens, todas elas se encaixam e têm um lugar na história.
    Escapou-me esse aspeto! Realmente, a Elsa só consegui ir até a esse mundo quando dormia ou quando se fechava no armário. Apesar de me teres feito refletir sobre isto, ainda me continua a fazer um pouco de confusão, mas compreendo o teu ponto de vista. O problema é mesmo o meu pensamento. :P Eu tenho um pensamento muito lógico e racional, e isso acaba por condicionar a forma como olho para algumas histórias.
    Ainda bem que foi uma história que te tocou o coração e mais uma vez agradeço por trazeres para aqui a tua visão da história.
    Vou anotar a sugestão do filme. Pode ser que goste :).

    ResponderEliminar
  3. Nunca li, mas anvada curiosa.
    Não gosto de HP, nem sequer li os livros e acho que se refere tantas vezes, não vou achar muita piada xD

    ResponderEliminar
  4. Apesar de tudo, acho que deves experimentar :).
    Vais com expetativas mais baixas e até podes gostar. As experiências com os livros são sempre subjetivas. Por muitas opiniões que possamos ler, só conseguimos formular a nossa se nos arriscarmos a ler o livro. ;)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

As leituras obrigatórias estão fora de validade?

Tenho-me cruzado com algumas vozes a alertarem para a necessidade de se alterarem as obras de leitura obrigatória na disciplina de Português. As opiniões fundamentam-se na antiguidade das obras, no facto de serem de difícil leitura para os jovens, por não cativarem a população mais nova para a leitura, entre outras. Eu não me revejo nestas opiniões. Não acho que se devam mudar as leituras que integram os programas curriculares. O que acho que deve mudar é a forma como convidamos os jovens para a leitura. Mas vamos por partes. Há jovens que gostam de ler. Porém, nos dias de hoje, a oferta ao nível dos conteúdos digitais e de outros elementos de distração oferecem aos jovens de hoje conteúdos mais apelativos e de consumo mais instantâneo. Este tipo de oferta sacia (por vezes falsamente) as suas necessidades imediatas. Tudo acontece demasiado depressa e a leitura exige tempo, contemplação e reflexão. E grande parte dos jovens considera um desperdício de tempo ler. Acho que daria um estudo...