
Classificação: 3 Estrelas
Estava cheia de vontade de ler este livro. Queria encontrar todas as emoções que a escrita do autor me proporcionou quando li Perguntem a Sarah Gross. Contudo, a intensidade desta história não foi suficiente para mim. Faltou-lhe o poder narrativo que encontrei no livro anterior.
Não foi um livro fácil de ler. A história é uma verdadeira manta de retalhos que se vão encaixando e que me fizeram desesperar por compreensão. Optando por fragmentar uma história entre passado e presente, com um passado marcado pelo aparecimento de muitas personagens não funcionou muito bem comigo. Foi uma enorme confusão para a minha cabeça, sempre que voltava ao passado, identificar quem eram quem e qual o seu papel na narrativa. Com o avançar da leitura a confusão foi diminuindo, mas o estrago já estava feito. Assim, como não me consegui vincular logo no início a estas personagens e toda a história, porque estava com dificuldades em assimilar tudo, tudo me pareceu distante e pouco emotivo.
O que me deixa com mais pena é ter plena consciência do talento do escritor e que, apesar desta minha experiência menos favorável, está bem presente neste livro. Eryk, Yankel e Shionka protagonizam um dos melhores triângulos amorosos com quem já me cruzei no universo literário. O alargado conjunto de personagens não me permitiu agarrá-los no coração nem torcer por um final em específico. Senti-me muito distante deles, dos seus dilemas, das suas tristezas e dos acontecimentos terríveis que foram obrigados a viver. Eu precisava de sentir mais deles e com eles para que eles e a sua história ficassem agarrados a mim.
Sou capaz de compreender a relevância de cada uma das personagens que foi chamada pelo escritor a contribuir para a construção desta narrativa. E apesar de, para mim, me ter gerado confusão, acredito que poderá apaixonar outros leitores.
Os meus ideias pré-concebidos com a leitura do primeiro livro do autor fizeram-me resistir a esta história porque, lá no fundo, eu queria uma narrativa que não me fizesse dar tantos saltos narrativos e com tanta gente ao barulho. No Perguntem a Sarah Gross também acontecem saltos narrativos, mas são mais claros e têm tempo suficiente no livro para me agarrar e ficar a desejar ler o passado sempre que iniciava o presente ou vice-versa. Em Os Loucos da Rua Mazur não se verificou esse desejo, porque aquilo que lia do presente ou do passado não me apaixonava, não era 100% compreensível para mim e não me cativava o suficiente.
É um livro com algumas surpresas, que foge ao óbvio ou àquilo que esperamos. De alguma forma conseguiu surpreender-me.
No fim da leitura senti-me muito triste e frustrada porque queria ter gostado muito mais deste livro. Sabem aqueles escritores por quem vocês desenvolvem uma certa admiração? Eu desenvolvi esta admiração pelo João Pinto Coelho, pela sua escrita ímpar, minuciosa e ilustrativa de uma enorme pesquisa para a construção de um livro com uma história coerente e cheia de emoções. Neste livro, eu consegui identificar a mesma escrita e a mesma capacidade de trabalho do autor, mas faltou-me a emoção e a minha capacidade de me sentir dentro da história a viver os horrores e as alegrias daquelas personagens.
Comentários
Enviar um comentário