Avançar para o conteúdo principal

Opinião | "Os Invisíveis" (2017) (Original: Die Unsichtbaren)


No último fim-de-semana de Agosto fui visitar uma amiga a Lisboa. Após o jantar escolhíamos sempre um filme para ver. Calhou-me a mim fazer a escolha num dos dias e, pela leitura da sinopse, selecionei Os invisíveis. 

Os invisíveis é um filme que nos conta a história de alguns judeus que durante a Segunda Guerra Mundial viveram clandestinamente, evitando os campos de concentração. Inicialmente pensei que seria apenas ficção, não esperava que o filme fosse enriquecido com as histórias de vida das pessoas que serviram de inspiração às personagens da história. Assim, o filme é a reprodução de um conjunto de histórias verídicas de pessoas que viveram aquele pesadelo, e que são contadas na terceira e na primeira pessoas. 

Eu adorei o filme. Fiquei presa ao ecrã e às diferentes histórias das pessoas que passaram fome, perderam a casa, perderam as pessoas que amavam... É um filme duro. 
Foi um filme que gerou uma discussão saudável com a minha colega. Basicamente a nossa discussão gerou em torno das questões: 1) De onde vem a coragem de abandonar alguém que amamos, ou seja, evitamos a morte, mas deixamos que aqueles que amamos serem enviados para a morte; 2) O que leva uma pessoa a provocar deliberadamente sofrimento na outra; 3) Como será continuar na vida carregando todo o trauma e stress a que foram sujeitos durante aqueles anos e 4) Quão difícil foi para aqueles que ajudaram estes judeus a sobreviver à guerra. 

Não chegamos a grandes conclusões, mas conseguimos empatizar com as escolhas dos protagonistas dos filmes e com o seu sofrimento. Uma grande reflexão que fizemos é que num meio onde prevalecia a luta pela sobrevivência, de certeza que muitas as escolhas eram racionais e não emocionais. Os níveis de angústia, tristeza e stress deviam estar num nível capaz de toldar as emoções de qualquer pessoa. 

Muitas vezes os professores de História procuram filmes para complementar a matéria dada em contexto de sala de aula. Na minha opinião, aos professores que estão darão aulas sobre este negro período da história, este filme é uma excelente escolha e um excelente ponto de partida para uma discussão e reflexão saudável e didática. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

As leituras obrigatórias estão fora de validade?

Tenho-me cruzado com algumas vozes a alertarem para a necessidade de se alterarem as obras de leitura obrigatória na disciplina de Português. As opiniões fundamentam-se na antiguidade das obras, no facto de serem de difícil leitura para os jovens, por não cativarem a população mais nova para a leitura, entre outras. Eu não me revejo nestas opiniões. Não acho que se devam mudar as leituras que integram os programas curriculares. O que acho que deve mudar é a forma como convidamos os jovens para a leitura. Mas vamos por partes. Há jovens que gostam de ler. Porém, nos dias de hoje, a oferta ao nível dos conteúdos digitais e de outros elementos de distração oferecem aos jovens de hoje conteúdos mais apelativos e de consumo mais instantâneo. Este tipo de oferta sacia (por vezes falsamente) as suas necessidades imediatas. Tudo acontece demasiado depressa e a leitura exige tempo, contemplação e reflexão. E grande parte dos jovens considera um desperdício de tempo ler. Acho que daria um estudo...