No último fim-de-semana de Agosto fui visitar uma amiga a Lisboa. Após o jantar escolhíamos sempre um filme para ver. Calhou-me a mim fazer a escolha num dos dias e, pela leitura da sinopse, selecionei Os invisíveis.
Os invisíveis é um filme que nos conta a história de alguns judeus que durante a Segunda Guerra Mundial viveram clandestinamente, evitando os campos de concentração. Inicialmente pensei que seria apenas ficção, não esperava que o filme fosse enriquecido com as histórias de vida das pessoas que serviram de inspiração às personagens da história. Assim, o filme é a reprodução de um conjunto de histórias verídicas de pessoas que viveram aquele pesadelo, e que são contadas na terceira e na primeira pessoas.
Eu adorei o filme. Fiquei presa ao ecrã e às diferentes histórias das pessoas que passaram fome, perderam a casa, perderam as pessoas que amavam... É um filme duro.
Foi um filme que gerou uma discussão saudável com a minha colega. Basicamente a nossa discussão gerou em torno das questões: 1) De onde vem a coragem de abandonar alguém que amamos, ou seja, evitamos a morte, mas deixamos que aqueles que amamos serem enviados para a morte; 2) O que leva uma pessoa a provocar deliberadamente sofrimento na outra; 3) Como será continuar na vida carregando todo o trauma e stress a que foram sujeitos durante aqueles anos e 4) Quão difícil foi para aqueles que ajudaram estes judeus a sobreviver à guerra.
Não chegamos a grandes conclusões, mas conseguimos empatizar com as escolhas dos protagonistas dos filmes e com o seu sofrimento. Uma grande reflexão que fizemos é que num meio onde prevalecia a luta pela sobrevivência, de certeza que muitas as escolhas eram racionais e não emocionais. Os níveis de angústia, tristeza e stress deviam estar num nível capaz de toldar as emoções de qualquer pessoa.
Muitas vezes os professores de História procuram filmes para complementar a matéria dada em contexto de sala de aula. Na minha opinião, aos professores que estão darão aulas sobre este negro período da história, este filme é uma excelente escolha e um excelente ponto de partida para uma discussão e reflexão saudável e didática.

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