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Opinião | "No Escuro" de Cara Hunter (DI Adam Fawley #2)

No Escuro (DI Adam Fawley, #2)

Classificação: 5 Estrelas

Quando pego em livros de mistério/crime/thriller gosto de me sentir perdida nos meandros de uma história cheia de pontas soltas e muitas dúvidas. Nem todos os escritores conseguem isso. Acho que é preciso uma dose especial de inteligência e perspicácia para transformar uma ideia numa história alucinante que me agarre ao livro com unhas e dentes. 
A leitura do livro "Perto de Casa" permitiu-me perceber que Cara Hunter reunia bons qualidades e  a tal dose especial de inteligência e perspicácia. "No Escuro" vem solidificar a opinião que eu formulei quando li o seu primeiro livro. 

"No Escuro" é um livro inteligente e surpreendente. As minhas ideias andaram muito longe daquilo que a escritora desenvolveu de forma a ligar acontecimentos que, aparentemente, nada têm em comum. Ela confundiu-me, baralhou as minhas ideias e deixou-me rendida ao seu talento especial para criar enredos complexos e entusiasmantes. 
O talento de Cara é tão especial que ao mesmo tempo que me conduzia por uma cena de crime onde não havia ponta pode onde  lhe pegar, me apresentava o lado dramático da vida da equipa policial que estava responsável pela investigação. A forma humanizada como me apresentou as personagens ofereceu-me uma enorme sensação de realismo. Gosto muito do detetive Adam! Tem inteligência, sensibilidade e drama em doses suficientes para o tornar num homem com que facilmente nos poderíamos cruzar na rua. E isto estende-se a toda a sua equipa: a agente Everett e a sua sensibilidade especial, Gislingham a tentar equilibrar a sua vida pessoal e a ajudar o seu superior a limpar as asneiras em que se mete, Quinn e o seu talento especial para meter a "pata na poça" e Somer a lutar contra a sua auto-estima e a necessidade de se afirmar profissionalmente. Uma equipa muito complexa e muito realista.

Quando a parte criminal, o livro começa com a descoberta de uma jovem e um bebé presos numa cave... Mas acreditem, isto é apenas a ponta de um icebergue enorme e cheio de pequenos icebergues colados a ele. É fenomenal ir descobrindo os pormenores que conduzem a resolução do caso. É engraçado porque dou por mim a querer identificar culpados e, ao mesmo tempo, deleito-me com as maravilhosas artimanhas criadas por Cara. 
Tal como no livro anterior senti a preocupação da autora em incluir elementos da sociedade. Este tipo de acontecimentos apaixona a opinião pública, por isso é comum vermos notícias em jornais e na televisão e os "polícias de bancada" sempre prontos a resolver o caso nas redes sociais. Não senti uma presença tão grande destes elementos comparativamente livro anterior, mas a escritora manteve-se fiel ao seu estilo original que tanto me agradou no primeiro livro.

Para quem não leu o primeiro livro, este pode ser lido em separado. A globalidade da compreensão da história não é afetada. A única falta que poderão sentir é relativamente às personagens residentes. Apesar de neste volume a autora ter sido capaz de expor o essencial para que o leitor não se sentisse perdido, há um pequeno pormenor relativamente a Adam que só com a leitura do final do primeiro livro se é capaz de compreender o seu comportamento e as suas atitudes relativamente à sua vida pessoal. 

Esta é uma autora que irei acompanhar e recomendo a todos os amantes de livros, em especial àqueles que têm um carinho especial por thrillers, crimes e mistério.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

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