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Desafio de Escrita dos Pássaros # 9 | (IR)Realidade

imagem retirada daqui

Tema 9: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

Acordo com o barulho suave das ondas a desfazerem-se na areia. Não consigo abrir os olhos. As pálpebras pesam-me. Permaneço de olhos fechados e acompanho o movimento das ondas a varrer a areia. Para cima, para baixo, para cima para baixo… Ah! E este sol que me afaga o corpo com ternura e que o aquece!! Tão quente! 

Tento por o meu cérebro a trabalhar… Onde estou? Espera aí! PRAIA? SOL? ONDAS? Como é que vim aqui parar…. 

Uma sensação de pânico alastra pelo meu corpo. O medo ativa os meus sentidos e abro logo os olhos. Deparo-me com um sítio muito bonito. Olho para o meu corpo e… ups… Não tenho nada vestido. Que vergonha! Tento tapar todas as partes necessárias, mas sinto-me uma contorcionista a tentar fazer com que as mãos cheguem para todas as minhas zonas que deveriam estar ocultas. 

Por momentos esqueço a confusão. A minha prioridade é arranjar forma de me colocar apresentável. E se aparece alguém? Nem quero imaginar! Começo a explorar a ilha e recolho algumas folhas de diferentes tamanhos. Aproveitando as nervuras de uma folha mais resistente consigo unir folhas suficientes para um biquíni super ecológico e feito com produtos naturais e biodegradáveis. 

Agora tenho de resolver toda a agitação mental que povoa a minha cabeça. Primeiro tento lembrar-me de onde estava antes de cá vir parar… Mas nenhuma memória aparece! Começo a gritar por socorro. 

– Eiiiiiiiiii…. Está aí alguém? Alguém me ouve? 

Bem… os índios usavam o fumo para comunicar! É isso, tenho de fazer uma fogueira!! Começo à procura de material e…

– Alice? Alice? 

Abro os olhos, confusa. Puff… Afinal, era um sonho! Bem melhor do que esta realidade! Vejo a enfermeira Dulce que olha para mim com uma expressão estranha.

– Desculpa, Alice, mas precisam de ti na urgência. Acabou de chegar um ferido grave. 

Continuo a não gostar daquela expressão e arrisco a pergunta: − Passou-se alguma coisa Dulce? 

– Há quantos dias fazes noite? – o sorriso espalhou-se pelo rosto do meu braço direito no hospital. 

− Há muitos! – encolho os ombros e continuo. – Sabes que há falta de médicos na urgência.

– Pois há… mas precisas de descansar, estavas a ter um sono um pouco… agitado – hesitou, sem saber se devia continuar. – Gritaste e estavas a tapar as mamas e a zona genital com as mãos…. Precisas de dormir. 

Um tom rosado tinge a minha cara.

Comentários

  1. Gostei muito! :)
    E fiquei com uma vontade imensa de praia. Aqui tem chovido quase sem parar desde meados de setembro, já estou farta de chuva até aos cabelos. É que mal vejo o sol! :(

    Beijinhos

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  2. Uma história que mostra o que se passa com a saúde/ médicos/ enfermeiros, neste país.

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  3. Obrigada pelo aviso :)
    Penso que agora está publico.

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  4. Ahahaah! Precisas de dormir! Gostei muito de ler a tua história.

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  5. Ahahahahah.
    Neste desafio todos ou quase sonharam.

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