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Desafio dos Pássaros #14 | A Fúria do Gnomo

Tema 14: Não nasci para isto


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Na Lapónia as coisas estão muito agitadas. Todos os Gnomos foram destacados para casa do velho barbudo. É uma correria desenfreada para atender aos pedidos das crianças. E ler aquelas cartas todas? O degredo das promessas vãs!! “Querido Pai Natal, prometo estudar mais no próximo período. Por isso traz-me o X-MEN, um IPhone e o tablet mais recente”, “Querido Pai Natal, sei que tenho sido um bocado mauzinho para os meus pais, mas se tu me trouxeres os presentes quero prometo ser melhor”. Glum já estava farto das cartas infantis.


− Pufff… Não nasci para isto – praguejava Glum. – Eu sou do amor romântico. Nasci para unir casais, não para ler cartas infantis cheias de desenhos do Pai Natal como se fosse ele a pessoa mais importante nesta coisa das prendas – uma gargalhada seca saiu da garganta Glum. – O Pai Natal… Como são crentes estes infantes. É um tipo obeso, cheio de  mania que só sabe cuspir ordens e pior…. Só trabalha nesta altura! Passa grande parte do ano de papo para o ar. Será que lhe custava muito ajudar mais? Porque é que todos os duendes têm de vir para aqui?


− Porque é que não te calas, Glum? Já não te posso ouvir!! -  Gorgo, o gnomo da purificação e libertação não suportava a energia negativa daqueles que o rodeavam.


− Porra Gorgo, sabes que isto não é para mim. Eu devia estar a espalhar a amor por aí, a aproximar pessoas e coloca-las em sintonia amorosa. Nasci para provocar vibrações emocionais. Para fazer com que as pessoas se apaixonem… Não é passar dias e dias a ler estas cartas ranhosas e a preparar presentes de Natal.


­− Não sejas assim, Glum. O Pai Natal paga-nos, estamos a fazer um trabalho útil… Para quê gastar energias em emoções negativas?


− Paga-nos! Deixa-me rir – ironizou Glum. – O que recebemos é tão pouco. O São Patrício paga bem melhor e só temos de andar a distribuir trevos e cheiro a primavera. Aí não me sinto explorado. Faço algo que gosto e ainda tenho tempo de juntar uns casais. É por essas e por outras que continuamos a ser explorados. E por causa de trabalhadores como tu, Gorgo, que não lutam pelos seus direitos, que continuamos a vivenciar situações miseráveis.


Gorgo abanou a cabeça e rematou a conversa: –  Tens razão, não nasceste para isto! O teu lugar era no sindicato dos gnomos.

Comentários

  1. É verdade, ninguém se lembra dos gnomos...

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  2. Adorei! Até os pobres Gnomos vivem em precariedade!! Deviam deixar o pobre Glum mudar-se para o ramo do amor!! :D

    Beijinhos

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  3. Obrigada! Pois é... e com a necessidade de trabalharem fora da "sua área".
    Beijinhos

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  4. É triste quando um gnomo não pode seguir a sua vocação e tem que aturar patrões que não dão devido valor a quem produz para que lucrem... como eu percebo o Glum

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  5. Estou com o Glum, Silvana! O Pai Natal é um explorador e o Gorgo um pateta submisso, o Glum é que as sabe! :D
    Bom texto :))

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  6. Um gnomo refilão...
    Desmistificar o pai natal... e "sus muchachos".

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  7. Muito triste, Alexandra. Pode ser que com a entrada do Pai Natal para a reforma as coisas se ajeitem lá na Lapónia

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  8. Obrigada, Sarin! Quantos Glums e quantos Gorgos existiram por este mundo.

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  9. Este desafio é para escrever pequenas histórias?

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  10. Todas as semanas temos um tema para explorar. Fica ao nosso critério, a única regra é não ultrapassar as 400 palavras. Eu estou a adorar este desafio. Podes ler as participações de todos aqui https://desafiodospassaros.blogs.sapo.pt/

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