Avançar para o conteúdo principal

Visões #5 | A importância da biblioteca na minha vida


Desde muito cedo que comecei a frequentar a biblioteca. Comecei na escola primária, quando a biblioteca itinerante vinha até à minha aldeia para que pudesses requisitar livros. Era extraordinário poder trazer livros para casa. Li muitos livros da Anita, Babar... Já no final da primária comecei a trazer os livros de "Uma aventura" e, assim, iniciei o meu percurso com livros mais extensos.


Era raro alguém da família me dar livros de presente. Nem os meus pais o faziam. Talvez muitas pessoas possam estranhar, mas atendendo ao contexto é algo extremamente normal. Os meus pais apenas completaram o ensino primário e grande parte da minha família direta tinha o mesmo grau de escolaridade ou, o máximo que tinham alcançado em termos de ensino resumia-se ao segundo ciclo. Não havia hábitos de leitura, nem interesses literários... Logo,  meu contacto com os livros resumia-se à escola e à biblioteca itinerante.


Assim que terminei o ensino primário fui para a cidade para continuar os estudos. Aí, passei a frequentar a biblioteca da escola, mas não se tornou um hábito recorrente. E aqui começa o meu primeiro período de pausa enquanto leitora. 
As pessoas à minha volta não liam... E eu fui de arrasto.
Na adolescência, primas mais velhas e com mais escolaridade começaram a escolher livros para prendas de aniversário/Natal e li estes livros até à exaustão. 


Só volto à biblioteca no secundário. Comecei a frequentar a Biblioteca Municipal e recomecei os meus hábitos enquanto leitora. Hábitos de curta duração, porque assim que entro na universidade os hábitos também se perdem. 


Só volto aos livros já no fim do meu percurso universitário. Aqui a Biblioteca Municipal foi a minha salvação. Ainda estive uns meses à espera de trabalho e as idas à biblioteca obrigavam-me a sair de casa, a ver pessoas e a ter outro tipo de contactos.
Começo a trabalhar e as idas à biblioteca passaram a ser ainda mais frequentes. Aproveitava tempos de espera entre transportes e horários de entrada para ir para lá ler. Os livros e a biblioteca ajudaram-me a superar o stress do trabalho e inspiraram à criação do blog. 


Nunca precisei de gastar muito dinheiro para ler porque a biblioteca esteve ali para mim. Nunca tive muita disponibilidade financeira para comprar livros. Estágios, trabalho precário, trabalho mal remunerado... sempre tive muita consciência na minha gestão financeira. Não tinha muito dinheiro para comprar e tinha muita vontade de ler. Ainda bem que tinha a biblioteca. Óbvio que não lia muitas novidades, mas permitiu-me muitas descobertas literárias.


Felizmente o blog cresceu e o contacto com editoras tem-me permitido ler livros publicados recentemente. Também já consigo colocar algum dinheiro de parte e ir fazendo algumas compras em segunda mão. Mas as idas à biblioteca continuam, porque sinto-me bem, faz-me bem e porque acho que as bibliotecas precisam de leitores para sobreviverem e crescerem. 


Para 2020 quero continuar a ser cliente da biblioteca e, para isso irei criar um desafio só para os livros que leio a partir destes locais mágicos.

Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Desafio dos Pássaros #2.1 | Acho que a coisa não vai correr bem

Tema 2.1 Acho que a coisa não vai correr bem Mal vi o tema desta primeira edição pensei O que é que eu vou escrever sobre isto? (principalmente quando ando numa fase de pouca criatividade). Os dias iam passando e as ideias não surgiam. Fui engolida pelo rebuliço da semana (rebuliço esse que começou logo no início deste mês) e como tinha uma altura mais vaga na sexta de manhã achei que seria uma boa altura para me dedicar ao tema. Ontem à noite ainda não tinha ideia do que escrever. Começaram a vir outras tarefas e claro que ideia foi, acho que a coisa não vai correr bem ao deixar o tempo avançar sem escrever nada. E, tal como aquelas profecias que se auto cumprem, eis-me aqui em frente à branca e assustadora folha do word sem saber o que vos escrever. Como vos deve parecer bem óbvio a coisa não está a correr bem e a pressão de inventar algo em tempo record levou-me a estes devaneios mentais. Quantas vezes já vos aconteceu as coisas não correm bem depois de na vossa mente formularem o ...

Em três razões

O aniversário do blog aproxima-se (dia 22 de Setembro), por isso achei que seria a altura ideal para lançar uma nova rubrica. Já andava a pensar nela à algum tempo. Os objectivos que fui ponderando na elaboração e construção desta nova ideia foram os seguintes: Permitir a interacção mais próxima com outros blogs; Dar a conhecer novos autores e novos livros; Permitir que esse conhecimento acerca dos livros viesse de uma forma simplificada.  De forma a tornar esta rubrica mais interessante irei colocar uma página no blog para ir apontando os livros que vão sendo apresentados e que ainda não li. Quando se tornarem em número significativo poderei fazer uma pequena votação para ver que livro irei ler em primeiro lugar (poderá ocorrer uma votação por mês, tudo depende da adesão). Como sou nacionalista decidi que este mês a rubrica Em três razões  deveria ser dedicada a autores nacionais. Por isso gostaria que, clicando aqui, preenchessem o pequeno questionário e indicassem três razões para ...

As leituras obrigatórias estão fora de validade?

Tenho-me cruzado com algumas vozes a alertarem para a necessidade de se alterarem as obras de leitura obrigatória na disciplina de Português. As opiniões fundamentam-se na antiguidade das obras, no facto de serem de difícil leitura para os jovens, por não cativarem a população mais nova para a leitura, entre outras. Eu não me revejo nestas opiniões. Não acho que se devam mudar as leituras que integram os programas curriculares. O que acho que deve mudar é a forma como convidamos os jovens para a leitura. Mas vamos por partes. Há jovens que gostam de ler. Porém, nos dias de hoje, a oferta ao nível dos conteúdos digitais e de outros elementos de distração oferecem aos jovens de hoje conteúdos mais apelativos e de consumo mais instantâneo. Este tipo de oferta sacia (por vezes falsamente) as suas necessidades imediatas. Tudo acontece demasiado depressa e a leitura exige tempo, contemplação e reflexão. E grande parte dos jovens considera um desperdício de tempo ler. Acho que daria um estudo...