
Classificação: 4 Estrelas
Fiquei apaixonada pela escrita da Susana Amaro Velho quando li "As Últimas Linhas Destas Mãos". As emoções fluíram nas palavras e na delicadeza com que contava uma história onde a tristeza e a relações familiares tinham o papel principal.
Quando vi que a escritora tinha publicado um novo livro fiquei com imensa curiosidade de o ler.
"O Bairro das Cruzes" apresenta-nos uma narrativa bastante diferente do livro anterior. Estas páginas guardam uma história de um bairro e das relações complexas que só as famílias sabem desenhar.
Conhecemos Rosa e Luísa, as nossas duas protagonistas. São primas, unidas por uma amor que só os laços de sangue conseguem explicar. É este parentesco que as torna próximas, já que as personalidades e a forma como olham para o mundo em nada as liga.
Luísa é perspicaz, ávida por conhecimento e muito ponderada. Rosa gosta dos caminhos fáceis, da aventura e da inconsequência. Vivem numa contexto sociocultural que não favorece o seu desenvolvimento e a ditadura Salazarista e Marcelista suga-lhes a liberdade. Luísa quer ser livre, quer perceber o estado do país. Rosa quer apenas viver bem.

Ao longo do livro acompanhamos o crescimento da Luísa e da Rosa e vamos conseguindo perceber que existem coisas bem mais complexas que ditam as vidas destas raparigas.
Sempre estive muito curiosa para acompanhar a evolução destes dois espíritos tão característicos. Queria ser surpreendida, e fui! A Susana apanhou-me na curva da minhas divagações sobre os acontecimentos narrados.
A forma como esta história termina conseguiu surpreender-me.
Gostei muito da história, gostei das personagens que se vão entrelaçando na vida da Rosa e da Luísa. Apenas senti de falta de uma maior calma. Senti que a Susana estava com pressa de dar forma à história, não de deu o tempo necessário para tudo crescesse e se materializasse de forma mais coesa.
À medida que ia lendo senti falta da escrita calma que encontrei no primeiro livro. Há aspetos que mereciam um maior desenvolvimento e o final deveria ser como um bombom que vamos deixando derreter na boca, ou seja, as palavras e os acontecimentos deveriam ter sido servidos de forma mais detalhada e pormenorizada para que eu pudesse ter mais tempo para assimilar a grandiosidade de surpresa que a Susana guardou para fim. Senti que havia ali muita pressa de contar a história, sem lhe dar tempo para amadurecer.
Tal como no livro anterior senti falta de alguma expressividade nos diálogos. É muito texto seguido, narrado... Faltaram-me as emoções, os gestos de raiva e de amor, os olhares cúmplices e sons de repugnância. Precisa que os diálogos me contassem menos a história e me mostrassem mais. Em alguns momentos, senti falta de uma escrita um pouco mais gráfica e expressiva.
Apesar destes pequenos elementos, este livro solidificou a minha ideia relativamente aos livros e às histórias que a Susana cria. É uma autora portuguesa que merece o nosso apoio.
Uma leitura com o apoio de...
Nota: O livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.
Li o "As últimas linhas destas mãos", dela, e amei!
ResponderEliminarTambém gostei muito desse livro (embora acho que gostaste mais do que eu )! Este também é bom. Um registo diferente, mas igualmente sensível e com as palavras certas.
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