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Opinião | "O Rio das Flores" de Miguel Sousa Tavares

P_20190919_113719.jpgClassificação: 4 Estrelas


Em 2013 li o livro "Equador". Dessa leitura ficou-me a escrita agradável e uma história interessante e cativante. Ficou-me, também, a vontade de ler mais obras do escritor. Fui sempre adiando! Este ano, e depois do miserável números de escritores nacionais que li no ano passado, tinha de pegar neste livro.


A escrita bonita e agradável mantém-se. Em nada aborrece a forma como o escritor escolhe contar a história dentro da História de Portugal e do Mundo. Fui avançando na leitura, umas vezes com mais rapidez, outras com a velocidade lenta imposta pelas rotinas do dia. Assim, a demora na leitura deste livro (quase um mês) em nada se deveu à falta de qualidade do mesmo ou à existência de algum tipo de aborrecimento. 


Achei este livro mais masculino. A história é muito centrada nos homens da família Ribeiro Flores e as mulheres que vão surgindo não têm o destaque merecido. 
O livro apresenta-nos uma viagem de 30 anos de História. A Primeira República Portuguesa, a Guerra Civil Espanhola, o Estado Novo e agitação política Brasileira na década de 30 servem de cenário a Manuel e Maria da Glória, a Diogo e Amparo, a Pedro e a Angelina. 


De todas as personagens, Maria da Glória foi aquela que reuniu a minha maior simpatia. Os meus sentimentos por ela foram consistentes ao longo de todo o livro. Para as outras personagens desenvolvi sentimentos um pouco antagónicos. Simplesmente, havia coisas que eu gostava e coisas que não gostava. Não é uma experiência necessariamente má, o problema foi aborrecer-me com algumas coisas que faziam. 
Diogo deixava-me os cabelos em pé. Gostava do seu perfil liberal e idealista, mas depois tinha comportamentos demasiado imaturos, que não acompanhavam a minha ideia de evolução pessoal. Pedro é muito consiste ao longo da obra. Uma personagem muito dura, muito agarrada ao regime e às hierarquias sociais. Um homem embrutecido que o amor amoleceu, transformou. Porém, foi este mesmo amor que o embruteceu ainda mais. Houve rasgos de humanidade em algumas situações de maior brutalidade, mas não foram suficientes para que eu criasse uma boa ligação com esta personagem.
Quanto às mulheres, gostei de Angelina e da forma como manifestava a sua independência e feminilidade. Uma personagem que soube a pouco. Amparo também me deu cabo dos nervos. O escritor descrevia-a como sendo detentora de uma fibra e de uma personalidade vincada que eu não consegui identificar. Chegou a uma altura em que ela optou por uma posição mais passiva, de vitimização... Acho que foi incapaz de lutar por aquilo que ela dizia fazê-la feliz. 


O que alguns leitores acham aborrecido, os conteúdos históricos, eu achei interessante. De todos os períodos históricos narrados, confesso que o contexto brasileiro foi o que mais despertou o meu interesse. Algumas coisas já conhecia (os acontecimentos relacionados com Olga Benário e Luís Carlos Prestes), outros foram novidade (agitação política brasileira). 


Apesar de ter gostado muito do livro, não me conseguiu cativar tanto como o "Equador". Porém ficam as boas memórias da leitura, a aprendizagem história e a escrita suave que embalou ao longo destas páginas.

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