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Dia 10 | Nosso diário em quarentena

Sem Título.jpgEstava para escrever sobre o impacto do COVID-19 e as adaptações que ele nos obrigou a fazer, mas já existem tantas coisas escritas que achei que iria trazer mais do mesmo. 


Achei que devia dirigir a minha escrita para algo que me inquieta: a toxicidade nas redes sociais. 


Tal como na vida real, o que é tóxico para mim poderá não o ser para os outros. É importante que tenhamos este aspeto em conta. 
Comecei a escrever no blog em 2011. Só mais tarde criei redes sociais para ele. Gosto de escrever, gosto de partilhar ideias e gosto que partilhem ideias comigo. Gosto de pontos de vista divergentes. É desta diversidade que nasce a riqueza e o conhecimento.


Aquilo que sinto nas partilhas nas redes sociais é a necessidade de angariar muitos likes. E para isso a lógica do "segue-me a mim, que eu sigo-te a ti" e do "vamos ser parceiras(os)" cansa imenso. Neste emaranhado de pessoas, aquilo que eu sinto é que se perde a honestidade e se perde a diversidade. 
Confesso que isto me cansa e me limita a criatividade. Se A cria uma maratona, B cria uma logo de seguida. Se A faz um desafio, B faz um logo a seguir. E depois, parece-me que estou sempre a ver o mesmo, com as mesmas pessoas e com os mesmos objetivos. 


Uma das razões que me tem levado a não fazer maratonas, ao estilo das que eu e uma amiga aqui da blogosfera fazíamos, é porque acho que agora existem muitas. Eu seria mais uma para cansar. Não iria trazer novidade. 


Outra coisa que me entristece são as poucas divulgações a escritores nacionais. Contra mim falo, já li mais autores nacionais do que agora. Já senti algumas mudanças, porém continuam a faltar opiniões a livros de autores portugueses. Acabo por me cruzar quase sempre com opiniões aos mesmos livros, aos mesmos autores... Não vejo muitas opiniões aos livros da Carla M. Soares e ela escreve tão bem. Fiquei muito contente por ver o livro da Susana Amaro Velho, "O Bairro das Cruzes" a ganhar destaque nas redes e dever as pessoas a lê-lo.


Acima de tudo, sinto que falta alguma identidade na forma como se partilham opiniões e dos livros que vão sendo lidos e partilhados. É apenas a minha visão! 


É curioso, mas o único sítio que nunca me deixou muito desiludida é o mundo dos blogs. Acho que quem escreve um blog procura sempre manter uma identidade muito própria e uma genuinidade nas partilhas. 
As palavras têm de ser sinceras para que consigamos chegar a quem nos lê. E eu estou muito grata a quem me lê e a quem permite eu continue a aceder às suas palavras. 

Comentários

  1. "Gosto de pontos de vista divergentes. É desta diversidade que nasce a riqueza e o conhecimento."
    Gostei muito desta reflexão (e também prefiro o mundo dos blogues ao das redes sociais...)
    Bom fim de semana!

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  2. Concordo plenamente contigo, já temos discutido imenso este tema.
    Com o crescimento do instagram e dos booktubers, continua a ver-se a mesma coisa que se via em alguns blogues: a correria louca por se ter parcerias, por receber livros de graça, sem que as pessoas se preocupem se depois dão opiniões sinceras e de qualidade. Sinto que há poucas pessoas em quem realmente posso confiar. É certo que gostar de um livro é algo muito subjetivo (tu podes detestar um livro que eu adorei) mas infelizmente sinto-me sempre desconfiada. As pessoas continuam a elogiar desmesuradamente os livros só porque foram oferecidos. Será que uma parceria é sinónimo de elogiar o produto recebido? Ok, o nosso papel é ajudar a marca a divulgar o produto (que neste caso são os livros), mas se o produto for péssimo, não estaremos a ser desonestos em influenciar pessoas a comprar algo que possivelmente será um desperdício? Estas questões deixam-me sempre muito confusa.

    Mas fizeste uma reflexão muito interessante!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Acima de tudo sentimos a falta de opiniões fundamentadas. Escrever/dizer "Adorei este livro", geralmente não me acrescenta nada! Eu sinto falta de ler algo mais complexo. É perfeitamente normal faltar a inspiração e por vezes há opiniões que não saem tão bem ou nas quais não nos sentimos tão satisfeitas(os) com a mensagem que transmitimos. Porém, fazer da opinião um espaço para apresentar a sinopse e usar uns quantos sinónimos para "adorei" não acrescenta nada a quem procura saber mais sobre o livro.
    É óbvio que a subjetividade está sempre presente. E ainda bem que ela existe. Eu gosto mais de ir ler opiniões depois de eu ler o livro. Gosto de ler o ponto de vista do outro, o que ele sentido, o que viveu com aquela leitura. No fundo, gosto de enriquecer a minha visão com a visão de outros.
    Sabes que eu sou um ser peculiar relativamente às leituras e à forma como escolho olhar para um livro, mas sempre fui muito recetiva à novidade e vou muito pela minha cabeça. Por isso, muitas vezes gosto de partir para a leitura às cegas.
    Obrigada por continuares a alimentar esta (nossa) discussão.
    Beijinhos

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