
Tenho um amor especial por telenovelas brasileiras. Fico quase sempre rendida às histórias, à forma como o enredo é desenvolvido e pelas interpretações magníficas.
Comparativamente às produções portuguesas, as novelas brasileiras não enrolam os acontecimentos nem fazem prolongamentos desnecessários.
Mais recentemente tenho desenvolvido um gosto particular pelas novelas de época. A última que assisti de forma mais assídua foi "Éramos seis".
"Éramos seis" é uma novela que conta com diversas versões (a mais recente passou na televisão entre 2019 e 2020) e teve como inspiração o livro com o mesmo nome que foi escrito por Maria José Dupré.
A novela centra-se na família de Lola. Conhecemos a família na década de 20 e acompanhamos a sua vida até à década de 40.
Lola é interpretada de forma brilhante pela atriz Glória Pires. Ela é o grande pilar da família, que luta por uma vida melhor para os seus e que não desiste perante as adversidades que se vê obrigada a enfrentar.
Júlio, marido de Lola, representa a ambição desmedida. Um homem que personifica a frustração perante a vida e que tem muitos altos e baixos. Tanto consegui ter pena dela, como facilmente me irritava.
Os filhos do casal protagonizam personalidades muito diversas. Nessa diversidade reside o interesse em acompanhá-los, descobrindo as suas escolhas, a sua postura perante a vida e a forma como enfrentam os problemas que a vida lhes coloca.
É óbvio que a novela possui enredos paralelos. A doença mental, o feminismo e a instabilidade política são outros assuntos muito bem retratados ao longo de algumas fases da novela.
Quero destacar a forma como foi abordada a questão da doença mental.

Justina tinha um problema mental e sofria com o desconhecimento de tratamentos que a ajudassem a ter uma melhor qualidade de vida. Porém, numa outra fase da novela esses tratamentos aparecem. O enredo vai mais além e apresenta todos os preconceitos associados quer à doença, quer aos tratamentos.
O divórcio era, no anos 20 e 30, um tabu. Um condição que não beneficiava em nada as mulheres e comprometiam o futuro relacional dos homens que optavam por sair de um casamento infeliz.
Este é outro tema a dar um toque especial à novela.
Almeida é um homem divorciado que se apaixona por Clotilde. Esta paixão é correspondida, mas Clotilde sonha com um casamento tradicional.

A ligação que os dois atores criaram foi mágica. A relação foi conduzida de forma muito equilibrada. Os momentos mais dolorosos encaixaram na perfeição nos momentos felizes criados. Clotilde ofereceu-me um dos momentos mais intensos ao longo de toda a novela. O acontecimento a que me refiro acontece numa fase final da novela e é absorvente e emocionante.
Os diálogos entre estas duas personagens são daqueles que apelam ao lado emocional do telespetador.
Gostam de telenovelas? O que é que gostam de ver?
A minha Mulher gosta. Eu aprecio a qualidade dos actores. Mas … prefiro as novelas da BBC. Abraço.
ResponderEliminarSim, a qualidade dos atores é sempre algo que nos liga ao ecrã. Também gosto de algumas produções da BCC. Obrigada pela visita. Abraço.
ResponderEliminar