Já há muito tempo que não publico uma entrevista a um escritor. Hoje é o dia de colmatar esta falha.
Para este regresso trago-vos a entrevista que fiz à escritora Ana Ribeiro.

1. Ana, para quem não te conhece, faz uma pequena apresentação de ti. O que é que a Ana escritora tem desta Ana enquanto pessoa?
Chamo-me Ana Ribeiro, tenho 32 anos, vivo em Chaves e sou licenciada em Análises Clínicas, mas, infelizmente não exerço. Considero-me uma pessoa, simples, humilde, tímida e sonhadora. A Ana escritora tem de mim o lado sonhador e persistente. Ser jovem autora exige muita persistência e paciência.
2. Quando é que começaste a escrever? Como é surgiu essa ideia?
Sempre gostei de escrever, porque sempre fui muito tímida; por isso a escrita era um refúgio, uma forma de comunicar com os outros. No início da adolescência escrevia muitos diários pessoais, uma coisa que durou até aos vinte e poucos anos; onde guardava as alegrias e as tristezas, o dia-a-dia e gostava de participar em desafios de escrita que me chegavam na revista trimestral do Clube Caminho Fantástico da Caminho que me chegava a casa. Foi assim que tudo começou.
3. O que é que te motiva na escrita? Qual a parte mais fácil e qual a parte mais difícil?
Poder contar histórias aos outros, para além disso gosto de abordar temas quando escrevo uma história, e gosto de fazer as pessoas refletir sobre esse tema. A parte mais fácil é o processo de criação, onde podemos deixar a inspiração e a criatividade fluir à vontade, gosto de vivenciar o que escrevo, de sentir a história na pele; a parte mais difícil é a publicação do livro. O mercado apoia pouco os jovens autores, ainda se foca muito nos autores que lhe dão lucro imediato e muitas das editoras que estão hoje no mercado cobram pela publicação e aproveitam-se do trabalho dos autores. O autor paga, o livro é impresso e muitas vezes nem chega ao mercado e isso faz com que muitos bons autores desistam de escrever e de publicar.
4. Como foi o processo de criação do livro “Ao teu lado”?
Foi um processo intenso, longo e moroso, uma boa parte da primeira versão da história foi escrita à mão e as ideias eram tantas que chegava a acordar durante a noite para escrever. Inicialmente estava pensado para ser uma história infantil que me propuseram em 2011 depois de participar numa feira do livro, mas, as ideias foram tantas que acabou por transformar-se num romance. A história teve várias versões e costumo dizer que acompanhou o meu percurso literário porque muito do que fui aprendendo foi posto em prática neste livro. A versão final só começou a ser preparada em 2016 quando decidi publicar a história em livro.
5. Onde te inspiraste para escrever a história do Miguel e da Ana do livro “Ao teu lado”?
A amizade de Ana e Miguel é inspirada numa amizade minha. Dei ao Miguel o nome de um amigo meu que me apoiou imenso neste percurso, a forma de lhe agradecer foi trazê-lo para um livro meu, o que tornou o processo de escrita da história especial. A viagem que Ana e Miguel fizeram ao Parque Nacional dos Picos da Europa, é a descrição da viagem que eu fiz em 2012 e 2016. O resto é pura ficção fruto de ideias que foram surgindo.
6. Quais os projetos futuros relativamente à escrita?
Posso adiantar que tenho o novo livro já pronto, que conto publicar para o ano. Vai ser o meu regresso à poesia, depois do primeiro livro publicado há nove anos. Surgiu há algum tempo a ideia de celebrar estes 10 anos do primeiro livro com um livro novo de poesia, espero que a situação que atravessamos me permita concretizar o que tenho em mente, mas é tudo ainda incerto.
Tenho algumas histórias escritas, mas inacabadas que conto publicar no futuro, a preparação de “Ao Teu Lado” para a Amazon foi um processo longo, o manuscrito precisou de várias alterações (muitos momentos do livro tiveram que ser resumidos para a publicação e alguns leitores sugeriram que os desenvolvesse) e correções que a editora não fez, nomeadamente erros ortográficos e de formatação que ficaram, obrigando-me a abandonar o que estava a escrever. A divulgação da obra foi toda feita por mim, por isso, desde 2017 que me tenho dedicado a este livro. Espero regressar em breve a novas histórias.
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